TEMA 2 - CORPO, SAÚDE E BELEZA: EXERCíCIO

FÍSICO E PRÁTICA ESPORTIVA

EM NÍVEIS E CONDIÇÕES ADEQUADOS

Artes

SP450

História Informática Ed.Física Astronomia Religião Anfiteatro Xadrez Matemática
Valéria Aparecida Rodrigues de Brito

A prática de atividade física/exercício físico, quer seja voltada à melhoria da aptidão física re­laciona da à saúde, quer seja direcionada ao maior rendimento atlético, precisa desenvolver-se em níveis e condições adequados, a fim ele que se possa alcançar os objetivos pretendidos, sem expor o organismo a lesões/agravos que possam comprometer a saúde do praticante.

 

Em termos conceituais, o termo lesão ca­racteriza "qualquer descontinuidade- trau­mática ou patológica do tecido, ou perda de função de uma parte" (BARBANTI, 1994, p. 179). Lesões esportivas, por sua vez, re­presentam lesões traumáticas, geralmente músculo esqueléticas, associadas à prática de exercícios/esportes, podendo ser acidentais ou apresentar maior freqüência em um de­terminado esporte/exercício, conforme a es­pecificidade do movimento realizado.

 

o ambiente sociocultural é forte determinan­te das condições em que a prática de exercícios ou esportes é realizada. Ruas esburacadas, su­jas e sem segurança, com prioridade para a circulação de automóveis (em detrimento da circulação de pedestres e ciclistas), pequena presença de áreas verdes (parques, praças), bem como de espaços e equipamentos públicos para o lazer: tudo isso, infelizmente, caracteri­za a maior parte das nossas cidades, atestando as deficiências das políticas públicas em rela­ção a prática de esporte, espaços e a promoção para o lazer e projetos de urbanização.

 

Dentre os riscos associados a tais espaços, destacam-se ferimentos e lesões musculoes­queléticas, ocasionados por quedas (geral­mente associados aos jogos/esportes) ou por impacto repetitivo (comum nas corridas) so­bre o asfalto e/ou calçadas, bem como o risco de atropelamento por automóveis.


 

 

 

Figura 7 - Ciclista no asfalto


 

Assim, alguns cuidados podem ser toma­dos de modo a minimizar tais riscos, como a utilização de ruas sem saída, onde o fluxo e a velocidade média dos veículos tendem a ser menores, ou de ruas e calçadas sem buracos ou desníveis. Deve-se evitar a prática do ciclismo e de corridas/caminhadas em ruas e horários com maior fluxo de veículos, assim como em locais com iluminação deficiente, nos quais há menor visibilidade e, portanto, menor seguran­ça. Além disso, é recomendável a utilização de calçados esportivos (tênis) durante a realização de atividades sob essas condições, especialmen­te em razão da firmeza/aspereza do piso.

 

Outro aspecto relativo ao ambiente socio­cultural que interfere na prática de exercícios/ esportes diz respeito às pressões sociais exerci­das tanto no meio esportivo, que incentivam, por exemplo, a busca a atingir resultados com rendimentos sempre maiores, como no meio não esportivo, que instiga as pessoas a seguir padrões e exigências estéticas. No primeiro caso, os esportistas profissionais constituem o exemplo mais extremo, pois dependem de


 

resultados para garantir sua sobrevivência e estão expostos às "cobranças" das mídias, da torcida, de dirigentes etc. O que leva à alta exigência de rendimento físico e técnico, fato que muitas vezes os expõem a situações de fisco que resultam em lesões e agravos à sua condição de saúde, tais como elevado ní­vel de estresse, uso de substâncias proibidas (doping),e/ou submissão a sessões árduas de treinamento sem a devida recuperação, overtraining (excesso de treinamento).

 

Ademais, a sobrecarga contínua das estrutu­ras osteomioarticulares e o contato físico (presen­te sobretudo nas modalidades coletivas e lutas) predispõem ao surgimento de lesões traumáticas 181 entorses, luxações, fraturas, contusões, disten­sões 181 que podem ser agravadas caso não ocorra recuperação adequada. Aqui, novamente a pres­são social do meio pode apressar indevidamente

o retomo à atividade, fazendo com que 'alguns .

atletas intensifiquem o uso de fármacos (anes­tésicos, analgésicos, antiinflamatórios), os quais mascaram a limitação imposta pela lesão, o que pode piorar o estado da lesão inicial ou mesmo favorecer o surgimento de novas lesões.


 

 

 

Figura 8 - Atleta contundido


 

Fora do meio esportivo, os padrões de be­leza exaltados pelas mídias impelem homens e mulheres à adoção de condutas nem sem­pre saudáveis na busca pelo "corpo perfeito" (magro e "sarado"), o que resulta em danos à saúde. Um exemplo é o uso de dietas não convencionais (desequilibradas) e/ou a prática excessiva de exercícios físicos.


 

distúrbios térmicos: antes, durante e após a realização de exercícios/esportes prolongados. consumir água ou bebidas com pouco teor de açúcar e com temperatura entre 15° a 22°C; utilizar camisetas de mangas curtas, folgadas e de cores claras, preferencialmente de algo­dão (permite maior troca e menor absorção de calor), além de meias curtas.


 

Figura 9 - Pessoa correndo em solo macio ao ar livre

A relação entre a prática de exercícios/espor­tes e ambiente físico também é importante de ser observada. A exposição a fatores climáticos e a temperatura ambiente, especialmente rela­cionados à presença de chuva ou calor, requer a adoção de cuidados especiais para que a prá­tica de exercícios/esportes sob essas condições ocorra sem prejuízos à saúde do praticante.

 

Em relação à chuva, o principal determinan­te para o risco de lesões são os pisos molhados e escorregadios, devendo-se evitar a realização das atividades com os pés descalços ou a utili­zação de calçados com solados de pouca ade­rência, sob o risco de ocorrerem desequilíbrios quedas e conseqüentes lesões traumáticas.

 

 

.

O tipo de terreno (superfície e plano/incli­nação) em que ocorre a prática de exercícios/ esportes também exerce influência sobre o ris­co de lesões musculoesqueléticas. Atividades que envolvem maior sustentação do peso cor­poral (com deslocamento através de corridas), quando realizadas em superfícies mais firmes (pavimentadas), desenvolvem maior equilí­brio e aderência mediante o uso de calçados adequados, induzem a um maior uso de força de impacto sobre as articulações. Já as super­fícies mais macias (terra batida, grama, areia) exercem menor impacto sobre as articulações, mas conferem menor. estabilidade durante a realização dos movimentos.


 

 

Em relação à temperatura ambiente, deve-se evitar os horários de maior incidência do sol (das lOh às 15h), em razão da maior elevação da temperatura corporal que acompanha a execução dos movimentos, principalmente sob condições de alta intensidade e/ou longa duração das atividades. Quando praticamos exercícios/esportes, ocorre uma sobrecarga do sistema cardiovascular e dos mecanismos de transpiração. A desidratação e um maior gasto energético podem levar a distúrbios tér­micos induzidos pelo calor e pela perda de água e/ou sal, como: cãibras, síncope (perda momentânea da consciência), exaustão (fra­queza, fadiga/cansaço), e insolação (ambiente aberto) ou intermação (ambiente fechado).

 

 

 

Na impossibilidade de se exercitar fora do horário referido, algumas recomendações devem ser seguidas para minimizar possíveis

 

Figura 10- Pessoas praticando atividades físicas em piso de cimento

 

Para que haja melhor aproveitamento das características positivas associadas às várias superfícies, propõe-se que atividades com maior variabilidade de movimentação, envol­vendo freqüentes mudanças de direção, como Futebol, Basquetebol, Voleibol, Handebol, Tênis etc., sejam desenvolvidas em superfícies mais firmes, enquanto atividades que envolvem movimentação contínua sem mudanças de di­reção, como as corridas, sejam desenvolvidas em terrenos mais macios. Exceção, neste caso, são as superfícies de areia "fofa", pois esta pro­move maior sobrecarga e desgaste muscular.

 

A inclinação do terreno é outra variável influente sobre a possibilidade de prevenir/ favorecer o surgimento de lesões. Quando realizadas sob mesma intensidade e freqüên­cia, atividades executadas em plano horizon­tal promovem menor sobrecarga sobre ossos, músculos e articulações, e, conseqüentemen­te, um menor nível de lesão, se comparadas com a realização em aclive (subida) e decli­ve (descida), que favorecem maior incidência e gravidade de lesões musculoesqueléticas.

Recomenda-se, então. a redução da intensida­de e da freqüência de atividades físicas/exercí­cios realizados em aclives e declives.

 

A atenção a alguns aspectos relacionados à preparação para a prática de exercícios/espor­tes pode atuar como fator preventivo à ocor­rência de lesões/agravos à saúde.

 

 

 

 

 

A execução de movimentos em intensida­de, amplitude e freqüência superiores à capa­cidade funcional do praticante encontra-se relacionada a um maior risco de lesões mus­culoesqueléticas e sobrecarga cardiorrespira­tória, o que pode acontecer até mesmo com atletas bem condicionados. O problema pode ser mais grave nos chamados "esportistas de final de semana", ou seja, naquelas pessoas que não praticam atividades físicas com re.­gularidade suficiente e para as quais a práti­ca esportiva reveste-se de valores associados ao lazer. Desse modo, acabam por expor-se à realização de atividades em níveis superiores às suas condições físicas, o que as torna mais susceptíveis a lesões musculoesqueléticas e a problemas cardiorrespiratórios.

 

Em ambos os casos (atletas e não-atletas), uma estratégia que pode ser adotada é a per­cepção individual sobre o esforço realizado, com o reconhecimento de sintomas indicati­vos de sobrecarga.

 

 


 

 


 

 

ção dos mesmos e a reposição necessária para restabelecer a homeostase orgânica, deixando o organismo apto a realizar futuras sessões de atividade física.


 

Uma vez identificados tais sintomas, faz-se necessário reduzir a intensidade da atividade, e, em caso de não desaparecimento dos mes­mos, deve-se interrompê-la, especialmente se houver dores músculo-articulares ou fraque­za/descoordenação motora.

 

A realização de aquecimento orgânico an­tes do início da prática de exercícios/esportes favorece maior nutrição dos vários tecidos/ órgãos envolvidos, em razão da maior circu­lação sangüínea para estas estruturas, assim como confere maior elasticidade às estrutu­ras músculo-articulares, permitindo atender a uma maior demanda orgânica imposta pela atividade praticada. Em contrapartida, a au­sência de aquecimento ou a sua realização de

. forma indevida (muito leve ou muito forte) pode comprometer o rendimento, tanto de atletas quanto de não-atletas.

 

Alimentar-se adequadamente antes, duran­te e/ou após a prática de exercícios/esportes, conforme o nível de exigência, garante o su­primento de nutrientes/energia para a realiza­
Por fim, a utilização de uniforme/vestuário/ equipamento de proteção, conforme a ativi­dade praticada, é também importante para a prevenção de lesões musculoesqueléticas, ou para minimizar sua gravidade quando ocorre­rem. Embora choques mecânicos possam ser inerentes a determinadas modalidades espor­tivas como corridas, Futebol, Skate, Voleibol, Boxe etc., o uso de calçados apropriados (tê­nis, chuteiras, sapatilhas), caneleiras, capacetes, joelheiras, protetores labiais, luvas etc., tende a reduzir a ocorrência e gravidade das lesões.

 

Em geral, as lesões musculoesqueléticas se encontram distribuídas entre agudas (que ocor­rem subitamente) e crônicas (que levam longos períodos para se desenvolver), podendo acome­ter tecidos moles (nervos, vasos, pele, músculos, tendões, ligamentos, bursa etc.) ou tecidos duros (ossos). Comumente, atletas estão sujeitos a le­sões agudas (altos níveis de exigência) e crônicas (sobrecargas constantes e lesões freqüentes sem recuperação adequada), enquanto não-atletas apresentam principalmente lesões agudas. _


 


 

 

Figura 1 I - Adolescente skatista com joelho machucado


 

Tipos/Regiões

Estruturas

 

Causas

 

Classificaçãol Características

 Mais Comuns

Lesadas

 

 

 

 

 Contusões/ Coxa

Pele, vasos,

Choques mecânicos,

 

Dor, inchaço e hematoma,

 ("paulistinha"),

músculos.

como quedas, socos

 

incapacidade/impotência funcional.

 perna.

 

e pontapés.

 

 

 

 

 

 

. ]1° grau: leve alongamento ]iga-

 

 

Movimentos

 

mentar e pequeno edema local.

_ Ligamentos

impróprios para

 

. 2° grau: ruptura parcial de um

 Entorses ou torções/ I ( . . I t )

as articulações e/

 

ligamento, resultando num edema

principálmente

 

de proporções superiores.

 Tornozelos e Joelhos. I' d '

ou excederem sua

 

 

a em e vasos.

 

. 3° grau: ruptura total do

 

 

amplitude normal.

 

ligamento ou avulsào (extração)

 

 

 

 

 

para fora do osso.

 

Tecidos moles

Torção de uma

 

Parcial ou incompleta: os ossos

 Luxações ou

I no entorno da

articulação por

 

saem do lugar e retomam

 deslocamentos/

articulação,

fatores predispo-

 

rapidamente/espontaneamente

 Ombro, cotovelo,

I especialmente

nentes (sexo, idade,

 

(subluxação ).

 dedos e pateta.

cápsulas, vasos e

tipo de articulação)

 

Tota] ou completa: os O'ssos saem

 

ligamentos.

e/ou determinantes

 

da posição e só. retomam mediante

 

(traumatismo ).

 

-ajuda.

 Distensões ou

 

Estruturas muito

 

· I ° grau: leve estiramento muscular

 estiramentos/ Coxa

 

fracas e/ou iexí-

 

elou tendíneo.

 (regiões anterior

Músculo e/ou

veis, estresse local

 

.2° grau: ruptura parcial do

 e posterior),

tendão.

por repetição, a]on-

 

músculo ou tendão

 

gamento violento,
 

 

· 3° grau: ruptura total do músculo

 panturrilha, tendão

 

isquemia, infecção

 

ou tendão ou ainda avulsão da'

 calcâneo.

 

ou contusão.

 

inserção tendínea para fora do osso.

 Bursite/ Ombro e

Bursa (cápsu]a).

Irritações (atrito)

 

Dor e inchaço.

 joelho

ou golpes contínuos.

 

 

 

,

 

 

 

 Tendinite/ Tendões

 

Irritação por alon-

 

 

 patelar e calcâneo,

 

gamento contínuo

 

 

 do bíceps e do

Tendões.

e exceSSIVO, excesso

 Dor.

 manguito rotador

 

de uso, em tendões

 

 

 (ombro).

 

fracos e duros.

 

 

 Fraturas/membros

 

Acidentes

 

· Abertas: fraturas expostas.

 

Ossos e
 

traumáticos,

 

. Fechadas: as estruturas fraturadas

 supenores e

cartilagens.

esforços exagerados

 

não se comunicam com o meio

 inferiores.

 

 

 

e repetitivos.

 

externo.

 

 

FONTE: FLEGEL. Melinda 1. Anatomia e terminologia das lesões no esporte. ln: FLEGEL. Melinda 1. Primei­ros socorros no esporte: o mais prático guia de primeiros socorros para o cspor-te. São Paulo: Manole, 2002.

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