TEMA 2 - CORPO, SAÚDE E BELEZA: EXERCíCIO
FÍSICO E PRÁTICA ESPORTIVA
EM NÍVEIS E CONDIÇÕES ADEQUADOS
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A prática de atividade física/exercício físico, quer seja voltada à melhoria da aptidão física relaciona da à saúde, quer seja direcionada ao maior rendimento atlético, precisa desenvolver-se em níveis e condições adequados, a fim ele que se possa alcançar os objetivos pretendidos, sem expor o organismo a lesões/agravos que possam comprometer a saúde do praticante.
Em termos conceituais, o termo lesão caracteriza "qualquer descontinuidade- traumática ou patológica do tecido, ou perda de função de uma parte" (BARBANTI, 1994, p. 179). Lesões esportivas, por sua vez, representam lesões traumáticas, geralmente músculo esqueléticas, associadas à prática de exercícios/esportes, podendo ser acidentais ou apresentar maior freqüência em um determinado esporte/exercício, conforme a especificidade do movimento realizado.
o ambiente sociocultural é forte determinante das condições em que a prática de exercícios ou esportes é realizada. Ruas esburacadas, sujas e sem segurança, com prioridade para a circulação de automóveis (em detrimento da circulação de pedestres e ciclistas), pequena presença de áreas verdes (parques, praças), bem como de espaços e equipamentos públicos para o lazer: tudo isso, infelizmente, caracteriza a maior parte das nossas cidades, atestando as deficiências das políticas públicas em relação a prática de esporte, espaços e a promoção para o lazer e projetos de urbanização.
Dentre os riscos associados a tais espaços, destacam-se ferimentos e lesões musculoesqueléticas, ocasionados por quedas (geralmente associados aos jogos/esportes) ou por impacto repetitivo (comum nas corridas) sobre o asfalto e/ou calçadas, bem como o risco de atropelamento por automóveis.

Figura 7 - Ciclista no asfalto
Assim, alguns cuidados podem ser tomados de modo a minimizar tais riscos, como a utilização de ruas sem saída, onde o fluxo e a velocidade média dos veículos tendem a ser menores, ou de ruas e calçadas sem buracos ou desníveis. Deve-se evitar a prática do ciclismo e de corridas/caminhadas em ruas e horários com maior fluxo de veículos, assim como em locais com iluminação deficiente, nos quais há menor visibilidade e, portanto, menor segurança. Além disso, é recomendável a utilização de calçados esportivos (tênis) durante a realização de atividades sob essas condições, especialmente em razão da firmeza/aspereza do piso.
Outro aspecto relativo ao ambiente sociocultural que interfere na prática de exercícios/ esportes diz respeito às pressões sociais exercidas tanto no meio esportivo, que incentivam, por exemplo, a busca a atingir resultados com rendimentos sempre maiores, como no meio não esportivo, que instiga as pessoas a seguir padrões e exigências estéticas. No primeiro caso, os esportistas profissionais constituem o exemplo mais extremo, pois dependem de
resultados para garantir sua sobrevivência e estão expostos às "cobranças" das mídias, da torcida, de dirigentes etc. O que leva à alta exigência de rendimento físico e técnico, fato que muitas vezes os expõem a situações de fisco que resultam em lesões e agravos à sua condição de saúde, tais como elevado nível de estresse, uso de substâncias proibidas (doping),e/ou submissão a sessões árduas de treinamento sem a devida recuperação, overtraining (excesso de treinamento).
Ademais, a sobrecarga contínua das estruturas osteomioarticulares e o contato físico (presente sobretudo nas modalidades coletivas e lutas) predispõem ao surgimento de lesões traumáticas 181 entorses, luxações, fraturas, contusões, distensões 181 que podem ser agravadas caso não ocorra recuperação adequada. Aqui, novamente a pressão social do meio pode apressar indevidamente
o retomo à atividade, fazendo com que 'alguns .
atletas intensifiquem o uso de fármacos (anestésicos, analgésicos, antiinflamatórios), os quais mascaram a limitação imposta pela lesão, o que pode piorar o estado da lesão inicial ou mesmo favorecer o surgimento de novas lesões.

Figura 8 - Atleta contundido
Fora
do meio esportivo, os padrões de beleza exaltados pelas mídias impelem
homens e mulheres à adoção de condutas nem sempre saudáveis na busca pelo
"corpo perfeito" (magro e "sarado"), o que resulta em danos à saúde. Um
exemplo é o uso de dietas não convencionais (desequilibradas) e/ou a prática
excessiva de exercícios físicos.
distúrbios térmicos: antes, durante e após a realização de exercícios/esportes prolongados. consumir água ou bebidas com pouco teor de açúcar e com temperatura entre 15° a 22°C; utilizar camisetas de mangas curtas, folgadas e de cores claras, preferencialmente de algodão (permite maior troca e menor absorção de calor), além de meias curtas.
Figura 9 - Pessoa correndo em solo macio ao ar livre
A relação entre a prática de exercícios/esportes e ambiente físico também é importante de ser observada. A exposição a fatores climáticos e a temperatura ambiente, especialmente relacionados à presença de chuva ou calor, requer a adoção de cuidados especiais para que a prática de exercícios/esportes sob essas condições ocorra sem prejuízos à saúde do praticante.
Em relação à chuva, o principal determinante para o risco de lesões são os pisos molhados e escorregadios, devendo-se evitar a realização das atividades com os pés descalços ou a utilização de calçados com solados de pouca aderência, sob o risco de ocorrerem desequilíbrios quedas e conseqüentes lesões traumáticas.
.
O tipo de terreno (superfície e plano/inclinação) em que ocorre a prática de exercícios/ esportes também exerce influência sobre o risco de lesões musculoesqueléticas. Atividades que envolvem maior sustentação do peso corporal (com deslocamento através de corridas), quando realizadas em superfícies mais firmes (pavimentadas), desenvolvem maior equilíbrio e aderência mediante o uso de calçados adequados, induzem a um maior uso de força de impacto sobre as articulações. Já as superfícies mais macias (terra batida, grama, areia) exercem menor impacto sobre as articulações, mas conferem menor. estabilidade durante a realização dos movimentos.
Em relação à temperatura ambiente, deve-se evitar os horários de maior incidência do sol (das lOh às 15h), em razão da maior elevação da temperatura corporal que acompanha a execução dos movimentos, principalmente sob condições de alta intensidade e/ou longa duração das atividades. Quando praticamos exercícios/esportes, ocorre uma sobrecarga do sistema cardiovascular e dos mecanismos de transpiração. A desidratação e um maior gasto energético podem levar a distúrbios térmicos induzidos pelo calor e pela perda de água e/ou sal, como: cãibras, síncope (perda momentânea da consciência), exaustão (fraqueza, fadiga/cansaço), e insolação (ambiente aberto) ou intermação (ambiente fechado).
Na impossibilidade de se exercitar fora do horário referido, algumas recomendações devem ser seguidas para minimizar possíveis

Figura 10- Pessoas praticando atividades físicas em piso de cimento
Para que haja melhor aproveitamento das características positivas associadas às várias superfícies, propõe-se que atividades com maior variabilidade de movimentação, envolvendo freqüentes mudanças de direção, como Futebol, Basquetebol, Voleibol, Handebol, Tênis etc., sejam desenvolvidas em superfícies mais firmes, enquanto atividades que envolvem movimentação contínua sem mudanças de direção, como as corridas, sejam desenvolvidas em terrenos mais macios. Exceção, neste caso, são as superfícies de areia "fofa", pois esta promove maior sobrecarga e desgaste muscular.
A inclinação do terreno é outra variável influente sobre a possibilidade de prevenir/ favorecer o surgimento de lesões. Quando realizadas sob mesma intensidade e freqüência, atividades executadas em plano horizontal promovem menor sobrecarga sobre ossos, músculos e articulações, e, conseqüentemente, um menor nível de lesão, se comparadas com a realização em aclive (subida) e declive (descida), que favorecem maior incidência e gravidade de lesões musculoesqueléticas.
Recomenda-se, então. a redução da intensidade e da freqüência de atividades físicas/exercícios realizados em aclives e declives.
A atenção a alguns aspectos relacionados à preparação para a prática de exercícios/esportes pode atuar como fator preventivo à ocorrência de lesões/agravos à saúde.
A execução de movimentos em intensidade, amplitude e freqüência superiores à capacidade funcional do praticante encontra-se relacionada a um maior risco de lesões musculoesqueléticas e sobrecarga cardiorrespiratória, o que pode acontecer até mesmo com atletas bem condicionados. O problema pode ser mais grave nos chamados "esportistas de final de semana", ou seja, naquelas pessoas que não praticam atividades físicas com re.gularidade suficiente e para as quais a prática esportiva reveste-se de valores associados ao lazer. Desse modo, acabam por expor-se à realização de atividades em níveis superiores às suas condições físicas, o que as torna mais susceptíveis a lesões musculoesqueléticas e a problemas cardiorrespiratórios.
Em ambos os casos (atletas e não-atletas), uma estratégia que pode ser adotada é a percepção individual sobre o esforço realizado, com o reconhecimento de sintomas indicativos de sobrecarga.
ção dos mesmos e a reposição necessária para restabelecer a homeostase orgânica, deixando o organismo apto a realizar futuras sessões de atividade física.
Uma vez identificados tais sintomas, faz-se necessário reduzir a intensidade da atividade, e, em caso de não desaparecimento dos mesmos, deve-se interrompê-la, especialmente se houver dores músculo-articulares ou fraqueza/descoordenação motora.
A realização de aquecimento orgânico antes do início da prática de exercícios/esportes favorece maior nutrição dos vários tecidos/ órgãos envolvidos, em razão da maior circulação sangüínea para estas estruturas, assim como confere maior elasticidade às estruturas músculo-articulares, permitindo atender a uma maior demanda orgânica imposta pela atividade praticada. Em contrapartida, a ausência de aquecimento ou a sua realização de
. forma indevida (muito leve ou muito forte) pode comprometer o rendimento, tanto de atletas quanto de não-atletas.
Alimentar-se
adequadamente antes, durante e/ou após a prática de exercícios/esportes,
conforme o nível de exigência, garante o suprimento de nutrientes/energia
para a realiza
Por fim, a utilização de
uniforme/vestuário/ equipamento de proteção, conforme a atividade
praticada, é também importante para a prevenção de lesões
musculoesqueléticas, ou para minimizar sua gravidade quando ocorrerem.
Embora choques mecânicos possam ser inerentes a determinadas modalidades
esportivas como corridas, Futebol, Skate, Voleibol, Boxe etc., o uso
de calçados apropriados (tênis, chuteiras, sapatilhas), caneleiras,
capacetes, joelheiras, protetores labiais, luvas etc., tende a reduzir a
ocorrência e gravidade das lesões.
Em geral, as lesões musculoesqueléticas se encontram distribuídas entre agudas (que ocorrem subitamente) e crônicas (que levam longos períodos para se desenvolver), podendo acometer tecidos moles (nervos, vasos, pele, músculos, tendões, ligamentos, bursa etc.) ou tecidos duros (ossos). Comumente, atletas estão sujeitos a lesões agudas (altos níveis de exigência) e crônicas (sobrecargas constantes e lesões freqüentes sem recuperação adequada), enquanto não-atletas apresentam principalmente lesões agudas. _

Figura 1 I - Adolescente skatista com joelho machucado
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Tipos/Regiões |
Estruturas |
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Causas |
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Classificaçãol Características |
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Mais Comuns |
Lesadas |
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Contusões/ Coxa |
Pele, vasos, |
Choques mecânicos, |
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Dor, inchaço e hematoma, |
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("paulistinha"), |
músculos. |
como quedas, socos |
|
incapacidade/impotência funcional. |
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perna. |
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e pontapés. |
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. ]1° grau: leve alongamento ]iga- |
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Movimentos |
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mentar e pequeno edema local. |
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_ Ligamentos |
impróprios para |
|
. 2° grau: ruptura parcial de um |
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Entorses ou torções/ I ( . . I t ) |
as articulações e/ |
|
ligamento, resultando num edema |
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principálmente |
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de proporções superiores. |
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|
Tornozelos e Joelhos. I' d ' |
ou excederem sua |
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|
a em e vasos. |
|
. 3° grau: ruptura total do |
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amplitude normal. |
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ligamento ou avulsào (extração) |
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para fora do osso. |
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Tecidos moles |
Torção de uma |
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Parcial ou incompleta: os ossos |
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Luxações ou |
I no entorno da |
articulação por |
|
saem do lugar e retomam |
|
|
deslocamentos/ |
articulação, |
fatores predispo- |
|
rapidamente/espontaneamente |
|
|
Ombro, cotovelo, |
I especialmente |
nentes (sexo, idade, |
|
(subluxação ). |
|
|
dedos e pateta. |
cápsulas, vasos e |
tipo de articulação) |
|
Tota] ou completa: os O'ssos saem |
|
|
|
ligamentos. |
e/ou determinantes |
|
da posição e só. retomam mediante |
|
|
|
(traumatismo ). |
|
-ajuda. |
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|
Distensões ou |
|
Estruturas muito |
|
· I ° grau: leve estiramento muscular |
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estiramentos/ Coxa |
|
fracas e/ou iexí- |
|
elou tendíneo. |
|
|
(regiões anterior |
Músculo e/ou |
veis, estresse local |
|
.2° grau: ruptura parcial do |
|
|
e posterior), |
tendão. |
por repetição, a]on- |
|
músculo ou tendão |
|
| gamento violento, |
|
· 3° grau: ruptura total do músculo |
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panturrilha, tendão |
|
isquemia, infecção |
|
ou tendão ou ainda avulsão da' |
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calcâneo. |
|
ou contusão. |
|
inserção tendínea para fora do osso. |
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|
Bursite/ Ombro e |
Bursa (cápsu]a). |
Irritações (atrito) |
|
Dor e inchaço. |
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|
joelho |
ou golpes contínuos. |
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|||
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|
, |
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Tendinite/ Tendões |
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Irritação por alon- |
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|
patelar e calcâneo, |
|
gamento contínuo |
|
|
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|
do bíceps e do |
Tendões. |
e exceSSIVO, excesso |
Dor. |
||
|
manguito rotador |
|
de uso, em tendões |
|
|
|
|
(ombro). |
|
fracos e duros. |
|
|
|
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Fraturas/membros |
|
Acidentes |
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· Abertas: fraturas expostas. |
|
| Ossos e |
traumáticos, |
|
. Fechadas: as estruturas fraturadas |
||
|
supenores e |
cartilagens. |
esforços exagerados |
|
não se comunicam com o meio |
|
|
inferiores. |
|
||||
|
|
|
e repetitivos. |
|
externo. |
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FONTE: FLEGEL. Melinda 1. Anatomia e terminologia das lesões no esporte. ln: FLEGEL. Melinda 1. Primeiros socorros no esporte: o mais prático guia de primeiros socorros para o cspor-te. São Paulo: Manole, 2002.