A leitura de George Orwell é extremamente prazerosa por sua incrível capacidade de expor uma grande complexidade não só da sociedade, mas também dos indivíduos. Em 1984, a relação de Winston Smith com a sociedade não é diferente daquela com a qual muitas vezes nos deparamos quando, diante de mentiras e enganos da sociedade contemporânea, nos sentimos estranhos e procuramos uma fuga ou realidade maior a qual possamos no apegar diante da pequenez perante a sociedade.
No entanto, antes de ser um crítico de sua sociedade Winston Smith, assim como George Orwell, era um ser humano. Como tal ele sente medo, dor, vergonha e raiva, mas acima de tudo isso está seu amor por Júlia. É nesse amor que ele encontrará forças para resistir ao Grande Irmão e para lutar pela liberdade humana. Ele percebe que não há sentido algum na existência humana caso não haja liberdade e por ela está disposto a morrer.
Essa advertência vinda do passado não pode ser ignorada e tendo em mãos obras como 1984 é nossa obrigação não permitir que o mundo continue a trilhar esse caminho de dominação e exclusão. A luta contra a alienação das massas e o abuso do poder devem se tornar a máxima prioridade de nossa sociedade e assim poderemos seguir o ideal de sociedade para o qual George Orwell, e tantos outros, lutaram e sonharam.