Introdução

O romance 1984 é fruto do trabalho da genial mente de George Orwell, ele é considerado a obra política mais importante do século passado. Na verdade, o livro representa o temor de toda uma geração de intelectuais de esquerda que se opunham ao capitalismo ocidental, mas que também percebiam a periculosidade do caminho adotado pela União Soviética, sob a tutela se Stálin. Mas dizer isso ainda é pouco, pois como autêntico clássico o livro se mantém incrivelmente atual e sua leitura ainda é tão, ou mais, vital do que na época em que foi escrito.

Esse trabalho tem por objetivo analisar a obra com um todo, no entanto, destacando com especial ênfase a função do Estado imaginado por Orwell. A relação do indivíduo com a sociedade é certamente um dos aspectos mais interessantes dessa obra e no centro de absolutamente tudo está o poder totalitário ideal que controlou exterminou todas as possibilidades de mudança.

É importante antes de começarmos a analisar a obra sabermos um pouco sobre a vida a incrível vida de seu autor. As experiências pessoais de Orwell influenciaram decisivamente sua forma de ver o mundo e, por conseqüência, a sua forma de escrever. Sua personalidade e forma de enxergar o mundo não poderiam ser melhor retratadas do que através de seu próprios personagem que se vê deslocado no mundo ao ponto de se perguntar se seria ele o louco ou todos os outros. A distopia criada em 1984 não é meramente fruto da desilusão de Orwell, mais do que isso, é uma advertência para sua geração e as futuras.

Eric Arthur Blair, nasceu na cidade de Motihari, na Índia, em 25 de junho de 1903. Sua mãe tinha ascêndecia francesa e a família de seu pai era inglesa. O pai era um alto funcionário da administração e da marinha do império britânico e estava de serviço na colônia indiana. Ainda criança retornou com sua família para à Inglaterra, onde entrou para a tradicional e aristocrática academia de Elton.

Em 1922 ingressou na Polícia Imperial Britânica e foi servir na Birmânia. Nos poucos anos de serviço adquiriu tamanha repulsa pelo imperialismo Inglês que deserdou em janeiro de 1928. Retornando à Europa e envergonhado com seu passado ele abdicou de suas origens, da fortuna de sua família e de seu antigo nome, passando a atender unicamente pelo pseudônimo de George Orwell. Em palavras dele: “Servi na polícia das Índias durante cinco anos, ao longo dos quais passei a odiar o imperialismo, ao qual eu próprio servia, com uma força que ainda hoje não sei explicar”.

Em sua volta para Europa, George Orwell sentiu na pele o sofrimento das classes mais pobres da população, tendo trabalhado como lavador de pratos e até mesmo mendigando. Em Paris, ele se estabeleceu como operário de uma fábrica e mais tarde, em Londres, começou a trabalhar como professor primário, livreiro e jornalista da imprensa socialista.

Em 1933, Orwell escreveu seu primeiro livro “Na Pior em Paris e Londres” onde denunciava o posicionamento hipócrita dos teoricamente revolucionários escritores de sua época. Com seu talento cada vez mais em evidência ele se tornou cada vez mais enfático em sua defesa das classes mais pobres. Seu primeiro romance é publicado em 1934, “Dias na Birmânia”, onde denuncia a crueldade do império britânico na Índia e conseqüentemente no resto do mundo.

Na Catalunha, em 1937, luta juntamente com o POUM (Partido de Unificação Marxista) George Orwell assiste a derrota de seu partido diante das forças de Francisco Franco apoiadas por Hittler e Mussolini. Em meio ao combate foi ferido por uma bala que danificou suas cordas vocais, saindo pela costela, e causando uma pequena alteração em sua voz. Ele retornou para a Inglaterra e escreveu “Lutando na Espanha”(1938). Nessa época Orwell já estava totalmente desiludido com stalinismo e com a hipocrisia dos partidos comunista alinhados com a URRS.

Já reconhecido e tendo escrito inúmeras obras, Orwell concentra suas forças na idealização de um novo socialismo e na denuncia ao regime totalitário e aburguesado da união soviética que, segundo ele, traia os ideais da revolução de 1917. Os seus grandes inimigos eram o totalitarismo e o imperialismo. No entanto, já doente de tuberculose e lutando contra o tempo Orwell escreveu sua obra-prima e último livro, 1984.

George Orwell é considerado o mais importante escrito político do século XX e ainda hoje é consagrado o adjetivo “orwelliano”, que designa o que é totalitário ou falso na história. Sua decepção com os caminhos da sociedade contemporânea e com a traição aos ideais dos antigos socialistas não foi em vão, pois ainda hoje sua obra nos serve de alerta para a periculosidade do mundo que estamos construindo.

Ele definiu suas verdadeiras motivações para escrever: “O meu ponto de partida é sempre um sentimento de partilha, uma noção de injustiça. Quando me sento para escrever um livro, não digo para mim ’vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar atenção, e acredito sempre vou encontrar quem me ouça. Mas não seria capaz de escrever um livro ou um longo artigo de revista se não existisse nisso também uma experiência estética”.


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- Capítulo 2
- Conclusão
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