Poesias by P@ulo Monti

Última atualização: 26/10/02

41- Passeio 51- Etéreo
42- Às vezes 52- Tempo
43- Dos Conselhos 53- Meu Poema
44- Visão 54- Para Ninguém
45- Saudade 55- Errança
46- Qualquer Coisa 56- Apelo
47- Crônica-Poema 57- Caótico
48- Sonho de Verão 58- Domingo III
49- Apontamento 59 - Adeus
50- Teu Poema 60 - Bilhete
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Passeio

De vez em quando
O poeta sai às ruas: é um dia qualquer
Com céu claro e ensolarado.
Caminha pelas pessoas(e com elas)
Escuta-as
Fala-as
Sofre-as.
Anda de ônibus
Como qualquer mortal:
Vê a vida passando
Pelo ar, pelo banco ao lado,
Pelas horas que vão costurando o dia,
Pelo guarda que atende ao parto na contra-mão,
Pela velhinha que passeia saudades!
E vai andando ...
Por bares,
Por mal e bem-amados,
Por bem e mal-vividos,
Por edifícios humanos,
Por casais solitários,
Por acompanhados casais,
Por ruas e ruas sem motivos de serem(talvez gostariam de serem um jardim),
Por tanto céu desfraldando
Tanta nuvem(as nuvens se desfraldam todo dia no céu),
Por um engraxate,
Por um jornaleiro,
Por um pedaço de si próprio.
E desfila sua vida em tantas vidas,
Talvez poemas vivos
Que gostaria de escrever(mesmo vivos)!
De vez em quando
O poeta sai às ruas e vê tantas coisas!

 

 

Às Vezes

Às vezes dá vontade de sair pelo mundo
Camisa aberta ao peito
Pés empoeirados
Amigo das nuvens
Amar, sofrer, pecar, tornar-se imagem viva do sonho acabado!
Às vezes dá vontade de ser o vento
Chegando a todos os lugares
Sendo coisas, pessoas, animais, ser universal!
Ver a saudade no seu apartamento
Perdido na cidade sem amigos.
Às vezes dá vontade de ver as coisas
Esquecidas
Deixadas nas estradas empoeiradas...
Às vezes dá vontade de sair
Pés descalços, cabelos displicentes
Violão debaixo do braço
Amor no coração
Pelos caminhos solitários
Do mar em noite de lua cheia!
Às vezes dá vontade voar
Ser o pássaro vivo e amante
De tantos céus, tantos sóis
Ser o arquiteto do universo!
Às vezes
dá vontade...

 

 

Dos Conselhos

Mandaram que eu saísse por aí
E fazer muitas coisas.
Disseram para tomar cuidado
Com as coisas que não conhecesse.
Pediram que fosse sozinho
Passear minha vida por aí
E abraçar o sol.
Esquece o passado, falaram.
Procura o futuro
E vive teu presente.
Falaram de tudo que é bom
E de tudo que é ruim
Mas não disseram o que fazer!
Foram tantos conselhos, tantas normas
E nada, nada...
Agora, solitário, eu marcho em plena multidão.
Tantos corpos, tantas caras, tanta gente.
Amigos queridos, inimigos mal-vistos sem mim
Que fujo, que luto, que me acabo
Só...
Só como quando comecei a buscar
Muitas coisas: minha vida, meu cuidado.
Mandaram que saísse
Pediram que fosse
Disseram, disseram...
Nada!
Esqueci o futuro, procurei o passado
E morri no presente.
De mãos, braços e pernas, coração abertos.
Multidão
Solitário
Corpos
Gente!
Mandaram que eu saísse por aí e abraçar o sol.
Pediram que fosse na multidão
Passear minha solidão.
Disseram para tomar sozinho
Corpos, caras, gente, por aí!
Que saísse, mandaram
Que fosse, pediram
Tanta coisa, nada!
Tantos conselhos
Tantas fugas desses conselhos.
Tantas normas...
Só não falaram
Para ser eu mesmo
Para ser eu mesmo
Para ser
Ser.

 

 

Visão

E o anjo branco falou:
Foste escolhido para veres,
Ouvires, falares!
Foi-te dado ver, não o tudo,
Mas a essência.
Foi-te dado ouvir, não os murmúrios,
Mas o cantar.
Foi-te dado a boca, não para ocos palavreados,
Mas para revelares.
Foi-te dado, ainda, seres único:
Tanto em natureza como em berço.
Vai agora,
Busca tua referência
E a espalha sobre ouvidos.
Vai
Recolhe o que já foi dito
E recompõem vernáculos inteligíveis só para corações.
Vai
Toma teu caminho
Há muitos mundos a percorrer
Vai
A andança é muita.
Meus olhos
Meus ouvidos
Minha boca
Abriram-se
E fui posto no mundo!

 

 

 

 

Saudade

Nosso amor,
Que dizer dele?
Que não te tenho?
Que estou bebendo uísque com gelo?
Que estou com solidão no peito?
Com a chuva sobre os ombros?
São tantos soluços
São tantas levanças
E outras andanças
E tua procura:
Nosso reencontro adiado!
Nossos corpos amantes
Embriagam-se na distância
Em nuvens
Chorosas
Chuvosas
Saudosas:
Nosso amor.
Que dizer dele?
Que é grande?
Que é nosso?
Que precisamos dele?
Que te quero?
Que dizer de tantas coisas
Que ficam trancadas em meu peito?
Só dizer, entretanto, que te amo.

 

 

 

Qualquer Coisa

Quando a ilusão bateu à porta
Um sonho invadiu a casa:
Tomou conta distraidamente
Levemente...

 

 

 

 

 

 

Crônica-Poema

É a brisa soprando
É o mar murmurando
É o sol atuando
É meu cigarro queimando
É meu sorriso apagando
o sol murmurando
Sorriso soprando
Brisa atuando
São mágoas marcando
São flores murchando
São gaivotas sobrevoando
Mágoas sobrevoando
Flores marcando
Gaivotas começando
Passos murchando
Tantas coisas acontecendo.

 

 

 

Sonho de Verão

Caminhos incertos
Depois de tudo o que aconteceu.
A falta de teu olhar
A distância de teu sorriso
Onde anda teu perfume?
E tua leveza
A marcar a areia da praia?
E teus cabelos
Que minhas mãos abarcam?
E tu?
Que é de teu amor
Que reclamo nas ruas
Triste, desesperado.
Que é da vida?
Que é do mar
Que nos abraçou?
Que é de nós
Sozinhos
Jogados ao ar sem nada de nós?
E a espuma do mar
Espumou teu corpo
E desvaneceu meu sonho.

 

 

 

 

Apontamento

Fim de tarde.
O sol se debruça
Lá ao longe...
Uma brisa
Sacode as cortinas
E a saudade se acomoda
Num canto do coração.

 

 

 

 

 

Teu Poema

Teu poema...
O que dizer dele?
Que é lindo?
Que é canção?
O que dizer dele!?
Que é vida vivida?
Que é pedaço de alma?
Dizer, talvez, obrigado
Por ser poema de amor!
Amor que repartimos em cada amanhecer
Em cada pôr-do-sol
Em cada serenata
Em cada valsa
Em nossa saudade agora na distância:
Amor de amor, amiga!


 

 

Etéreo

Os sonhos povoam
Minha mente:
A rua vazia,
De mim, de ouvidos!
Calçadas solitárias
Passeiam em avenidas brilhantes
Em caudas de cometas perdidos!
Tudo gira velozmente:
Nuvens coloridas
Astros do passado
O sol, o mar,
O sonho perdido!

 


 

 

Tempo

O céu se abriu
E uma escada alcancei:
Relógios despertaram no sono eterno!
Um arco-íris pregado na parede...
No pensamento, aranhas tecem teias imensas:
O pó dos séculos tudo cobriu!
E a vida gozou quarenta séculos nas pirâmides
E Baco suspirou, ébrio...
E as roupas coloridas, rasgaram-se
Os sons calaram-se
Os sonhos adolescentes feneceram...
Só o tempo não parou: e riu de tudo!



 

 

 

Meu Poema

E meu poema
Se levanta e toma forma:
Às vezes, cristálida
Às vezes, sonora
Mas tudo são formas!
Ora se enrijece
Ora se abranda
Mas ainda é forma.
Talvez de expressão
Talvez de inexpressão:
Poema simplesmente!
Às vezes, se basta
Às vezes, suporta:
Mas o é por si só!
Eu o ordeno
E ele se dispõe
Ora verticalmente
Ora em decúbito dorsal
Mas ainda poema!
Seu segredo?
Ser apenas poema.


 

 

 

Para Ninguém

Tantos sóis
Tantos ventos
Tanto mundo!
Tanta calmaria(a vida é calma com teu olhar ao fim-de-tarde...)
Só é preciso um toque
Para turvar a flacidez do meu corpo!

 

 


 

 

 

Errança

A violência das horas mortas
A descrença no presente
A angústia do ser.
O cotidiano à-toa
O absurdo do amor
A semana é sempre
Dias & noites
Noites & noites:
A solidão!
O sinal dos novos dias
A ventania aniquilada
A dor aumentada
A lembrança do futuro
Coisas que não farei
E que me arrependerei.
A nostalgia do passado
Coisas que fui
E matei!
E hoje não é mais que reflexo
Dos dias não vividos
Das amarguras não provadas
Das necessidades não satisfeitas
Do que sou e não sou!
E entre um torpor e outro
Sacudo as cinzas de um carnaval antigo
E me transformo:
Sou saudade da vida que não tive
Sou esperança que não existe
Sou felicidade de não ser gente
Sou poema atirado ao pé de uma antiga escada
Sou um pedaço de carne
Sou um pouco de tudo, amiga...
Sou o que sou
E isso não me basta!


 

 

 

Apelo

Eu quero paz de olhos cansados
Eu quero paz de ouvidos surdos
Eu quero paz de mãos estendidas
Eu quero paz de nuvens no azul
Eu quero paz de corpos sem alma
Eu quero paz de bocas caladas
Eu quero paz de seios vazios.
Eu quero olhos de paz cansados
Eu quero surdos de paz ouvidos
Eu quero estendidas mãos de paz
Eu quero paz azul de nuvens
Eu quero almas de paz sem corpos
Eu quero caladas paz de bocas
Eu quero paz de vazios seios.
Quero seios vazios de paz
Quero bocas caladas de paz
Quero corpos sem almas de paz
Quero azul nuvens de paz
Quero mãos estendidas de paz
Quero ouvidos surdos de paz
Quero cansados olhos de paz!
Paz de olhos eu quero cansados
Paz de surdos eu quero ouvidos
Paz de mãos eu quero estendidos
Paz azul eu quero de nuvens
Paz sem almas eu quero de corpos
Paz calada eu quero de bocas
Paz vazia eu quero de seios.


 

 

 

Caótico

Sabor tão amargo.
Oceanos manchados, tingidos, esquartejados.
Mercê das furias furiosas, ondulosas ondas dos momentos
De visão ...
Explosões amazônicas
Enchentes atlânticas
Amores prosaicos se fundem em dantescas cenas mudas...
Rasgam-se os véus dos tempos!
Fecham-se os céus sem sol algum.
Abrem-se os peitos amantes, desencontrados, desfigurados, desesperados...
Lutas titânicas
Tempestades atômicas
Gritos, ranger de dentes, rotas transmutadas...
Amargos sabores.
Esquartejados, manchados de oceanos tingidos.
Ondas furiosas mercê das ondulosas fúrias dos momentos de visão.
Prosaicos amores amazônicos
Dantescas cenas atlânticas
Fundem-se em mudas enchentes explodidas!
tempos rasgados.
Véus sem sol abrem-se desfigurados
Desesperados amantes desencontrados...
Atômicos gritos rangidos
Rotas titânicas de dentes transmutados!
Abrem-se tão amargos
Prosaicos momentos de visão
Atlânticas cenas dantescas.
Ondulosas lutas
Amazônicas tempestades esquartejadas
Amantes dos tempos desencontrados!
Dantescas explosões
Mudas rotas
Tingidas de oceanos atômicos.
Fundem-se furiosas ondas titânicas
Gritos desfigurados!
Sabor dos tempos
Esquartejados véus.
Céus manchados de amargas ondas
Enchentes furiosas
Tingidas de amores fechados!
Amargo sol
rotas atômicas
Oceano fechado
Amantes desesperados!

 

 

Domingo III

Eu vi em flores o sol
Sabores espalhados no dia!
Eu vi dores destruídas pela manhã.
Amores cobrindo o céu!
Vi depois a chuva em cores
Rumores de pés sem sapatos!
Vi um dia começando
Um casal se amando
Uma flor desabrochando!
Vi o teu(meu) caminho
Senti o vento
O sol, a chuva
Os três juntos!
Vi a vida vivida
A hora dormida de vozes
Vi o silêncio da saudade
Gritando em meu peito!
Vi a vontade de voar
A esperança brotar
Vi nosso sonho chegando!

 

Adeus

Chamei-te para conversar: um instante infeliz!
Simplesmente, adeus.
Olhaste-me
Com o adeus mais triste: a indiferença(ou defesa?).
Simplesmente, adeus.
E, depois, a solidão:
A profunda solidão de oceano!
Simplesmente, adeus.
Disseste-me ontem e foste estudar: a prioridade máxima deste momento adolescente...
A noite descendo com seu manto frio sobre mim
E a certeza fazendo-se presente de que tudo é (muito mais) efêmero e fugaz!
Que é de teu sorriso?
Que é de teu suave anunciar-se com teu jeito menina?
Simplesmente um adeus.
Sinto falta de nunca ter tocado em teu rosto,
Ter teus cabelos entre minhas mãos,
De ter, por um segundo, teu abraço! (Que dizer de um beijo ...)
Sentir teu perfume junto a mim: que falta de tantas coisas que não tive e não terei.
Simplesmente, adeus, amiga.

 

Bilhete

É um momento delicado, este.
Um tempo muito grande sem o exercício.
A cabeça tenta desviar os pensamentos e as vontades,
Porém, o coração se agita outra vez.
Eis que a primavera volta, tímida, ao convívio do poeta!
O tempo é um hiato fugaz na vida,
E as oportunidades de recomeço são preciosas,
Um pequeno e delicado presente dos deuses: você!


Quer ser minha namorada?

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