A avaliação dos parâmetros hematológicos de aves silvestres, assim como nos mamíferos, envolve contagens e diferenciações citomorfológicas.
COLETA DE SANGUE
A coleta de sangue nestes animais deve ser realizada por pessoas experientes, visto se tratar de animais geralmente assustados e inquietos. A contenção pode ser física ou química (sendo preferível a primeira devido a falta de conhecimentos da maioria dos veterinários sobre as dosagens anestésicas para aves). A punção pode ser feita nas veias jugular, ulnar ou intra-cardíaca (riscos de tamponamento cardíaco) quando se quer uma amostra maior de sangue, porém quando apenas algumas gotas são necessárias a veia metatarsiana é a indicada. A agulha a ser utilizada deve ser proporcional ao tamanho da ave para que não ocorram lesões vasculares, hemorragias, hematomas e flebite. Mesmo que as aves sejam mais resistentes a perdas de sangue frente aos mamíferos, a coleta nunca deve ser superior ao equivalente de 1% do PV (peso vivo) do animal (Exemplo: em uma ave de 100gr pode-se coletar até 1 ml de sangue). A amostra deve ser encaminhada o mais rápido possível para o laboratório para evitar alterações nos resultados.
COMO REALIZAR A CONTENÇÃO E COLETA
TÉCNICAS LABORATORIAIS
As técnicas laboratoriais para a avaliação sangüínea de aves requerem alguns caprichos quando comparadas as dos mamíferos. Por exemplo: a contagem dos valores absolutos de hemácias, leucócitos e trombócitos (plaquetas de aves) é realizada ao mesmo tempo diluindo-se a amostra em pipeta de Thomas com reagente especial (Novo Azul de Metileno a 0,01%), já nos mamíferos seriam necessárias, no mínimo, duas diluições com reagentes diferentes para se obter os mesmos valores; nas aves a contagem de trombócitos é realizada nos mesmos campos onde contamos os leucócitos, diferente dos mamíferos onde contamos as plaquetas nos campos das hemácias.
Logo após a colheita devem ser feitos esfregaços sanguíneos os mais delgados possíveis, e rapidamente secos ao ar, a fim de preservar a morfologia das células sanguíneas e de hemoparasitas que eventualmente estejam presentes. Quanto aos corantes , recomenda-se a combinação de dos corantes Wrigth e Giems , que produz excelente diferenciação morfológica.
A contagem relativa das células sangüíneas das aves assim como sua avaliação citomorfológica é realizada através de esfregaços de sangue corados pelo método Panótico. Esta avaliação nos permite observar a porcentagem de cada leucócito e possíveis alterações eritrocitárias, sendo um exame fundamental para auxiliar um diagnóstico clínico.
TABELA
Valores hematocitológicos normais para aves silvestres do genêro Ara (Arara)
|
Valores hematocitologicos normais para aves silvestres do genêro Ara (Arara) |
| ERITROGRAMA |
Hemácias (milhões) |
Hemoglobina (g/dl) |
Hematócrito % |
VGM (fl) |
CHCM % |
-- |
| Valor |
2,9 |
12,3 |
41,7 |
149 |
28,7 |
-- |
| Desvio Padrão
|
0,8 |
8,4 |
3,3 |
24,7 |
2,9 |
-- |
| LEUCOGRAMA |
Bastão |
Segmentados |
Linfócitos |
Monócitos |
Eosinófilos |
Basófilos |
| 19,2 x 1000 |
0,6% |
55,3% |
39% |
4,4% |
0% |
0,5% |
| Desvio Padrão |
1,7 |
10 |
10 |
2,9 |
0 |
1 |
Devido a todas as células sanguíneas das aves serem nucleadas, os contadores eletrônicos de células sanguíneas usados em muitos laboratórios não podem ser empregados para o estudo do leucograma em hematologia aviária. Na prática laboratorial, usam-se métodos hemacitométricos pra realizar sa contagens celulares.