SALA
DE VISITAS
O
RACISMO NOSSO DE CADA DIA
Maria
Rita Lemos
Infelizmente,
ainda temos que conviver com o racismo, uma das mais odiosas e freqüentes
manifestações de preconceito e discriminação.
Basta
ver, na própria Internet, as comunidades do “orkut” que pregam radicalismos
de direita, para saber que não estou errada.
A Alemanha, mesmo com tudo o que foi feito contra os judeus, tem diversos grupos
radicais anti-raciais e anti-semitas. Também na Espanha, Itália, França e
outros países da Europa há a disseminação de idéias propagadoras da
discriminação racial. Os brasileiros também não podem dizer que não são
racistas, apesar de sabermos que somos pluri-étnico, ou seja, todos
temos uma parcela maior ou menor de sangue negro nas veias.
O racismo brasileiro remonta aos tempos em que índios e negros eram escravos,
mas, apesar dos avanços da história, os brasileiros em geral ainda mostram
sinais de um racismo aberto ou camuflado, que preocupa. O preconceito racial,
apoiado em falsas teorias, enxerga, na diferença uma ameaça, apoiando uma
militância que não exclui a violência.
Uma vez que, segundo acreditamos, Deus criou o mundo de forma perfeita, onde
cada peça é única e insubstituível de um enorme quebra-cabeças, não há
justificativa para qualquer tipo de racismo. A diversidade é a marca registrada
da criação. No entanto, uma diversidade apoiada na dignidade e no respeito.
Nenhum
ser humano deve ser discriminado por pertencer a outra raça, cultura, sexo,
orientação sexual,
enfim, por nenhuma característica que extrapole seu carimbo único de ser
humano.
Essa verdade independe do credo ou de qualquer suposta fundamentação teórica,
baseia-se na lei de ação/reação: violência gera, apenas, mais violência;
opressão leva ao ódio, que é o primeiro passo do assassinato, seja de corpos
ou de almas, o que é muito pior.
Qualquer atitude radical, seja de extrema direita ou esquerda, aponta para a
dominação de uns sobre os outros, levando a uma cultura da violência em que
todos, dominadores e dominados, são vítimas potenciais.
Encontramos diversas causas para o racismo, incluindo as econômicas, sociais,
até às de origem psicológica, como a crença em que pessoas de outras raças
suscitem insegurança, medo ou inveja.
Em diversos países de primeiro mundo, sentimentos e manifestações racistas são
comuns nas áreas com alto índice de desemprego, enquanto, no Brasil, as razões
são principalmente sociais.
Encontramos, na origem do tráfico de drogas, assaltos e diversos
outros crimes, a desintegração social (sobretudo das famílias), a miséria e
o empobrecimento, condições que facilitam a penetração de ideologias
racistas. No entanto, em muitas situações, torna-se impossível identificar
causas para o racismo, a não ser buscando-se na história de vida das pessoas e
nos valores que lhes foram transmitidos pela educação. Basta, para visualizar
isso, observar que crianças pequenas, de origem étnicas ou culturais diversas,
brincam muito bem juntas, passando a apresentar preconceitos e idéias
separatistas quando as ouvem dos adultos com quem convivem.
Finalizando, vale lembrar que, como cidadãos, temos que rever nossos
conceitos, quando for o caso, e começar a levar a sério a oposição a
pensamentos racistas e de qualquer tipo de separatismo.
Sem isso, não podemos sequer acreditar no
versículo bíblico que diz que “Deus viu tudo o que fez, e eis que era muito
bom”.
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