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03/07/2004
Professores e alunos articulam combate � homofobia nos EUA
H� Estados que punem a discrimina��o, mas outros que estimulam. Enquanto alguns Estados pro�bem a discrimina��o, outros t�m lei contra gay em escola.

O menino da sexta s�rie, com uma queda por sua professora, Mona Mendoza, disse a ela, depois da aula de educa��o f�sica em uma escola em Seattle: "Senhorita Mendoza, estou com um problema. Disseram-me que a senhora � l�sbica."
"Bem, eu sou", ela se lembra de ter respondido.
"Mas, senhorita Mendoza, meu pai me disse que se a professora fosse l�sbica, seria despedida."
"Se eu morasse em alguns lugares, isso seria verdade. Mas n�o em Seattle, porque est� em nosso contrato (sindical)", respondeu. "Sim, sou professora, e sim, sou l�sbica."
A hist�ria gerou sorrisos dos professores presentes na oficina em Washington sobre como melhorar a educa��o e a seguran�a dos funcion�rios e alunos bissexuais, homossexuais ou trans-sexuais, especialmente os que tamb�m fazem parte das minorias raciais, �tnicas ou pobres.
Depois, Mendoza trouxe seus ouvintes de volta � realidade: "De fato tiraram o menino da minha classe, e seu pai, por fim, transferiu-o para outra escola."
A oficina de tr�s m�dulos sobre orienta��o sexual e identidade de g�nero foi patrocinada pela Associa��o Nacional de Educa��o (NEA) que tem 2,7 milh�es de membros e � o maior sindicato de professores e funcion�rios do pa�s. Os m�dulos foram ministrados em conex�o com a reuni�o anual da associa��o, que termina na pr�xima quarta-feira (07/07).
As prote��es legais nas escolas p�blicas para os que n�o s�o exclusivamente heterossexuais em pr�tica ou apar�ncia est�o hoje mais fortes do que nunca.
"H� 10 anos, se voc� me perguntasse se era legal uma escola p�blica despedir um professor por causa de sua orienta��o sexual, teria que dizer: 'Sim'. Hoje, eu diria: 'Provavelmente', porque advogados sempre gostam de dizer provavelmente, 'n�o'", disse Michael Simpson do departamento de assessoria jur�dica da NEA.
Apesar disso, os professores disseram que o dia-a-dia em muitas escolas p�blicas n�o mudou muito com a prote��o parcial oferecida pelas proibi��es federais de discrimina��o sexual no emprego ou por determina��es legais sob a cl�usula de "prote��o igual" da Constitui��o dos EUA.
Somente oito Estados t�m leis de seguran�a escolar que pro�bem a discrimina��o com base na orienta��o sexual, de acordo com um estudo divulgado no dia 28 de junho pela Rede de Educa��o Gay, L�sbica e Heterossexual. Os Estados s�o Connecticut, Massachusetts, Vermont, Washington, Wisconsin e tr�s outros -Calif�rnia, Minnesota e Nova Jersey- que tamb�m oferecem prote��es com base na identidade e express�o de g�nero.
"No outro extremo, sete Estados ainda t�m proibi��es da express�o de homossexualidade nas escolas", disse J. Carlos Valazquez, diretor de programas da Organiza��o Nacional Latina L�sbica, Gay, Bissexual e Trans-sexual. Os Estados s�o Alabama, Arizona, Mississipi, Oklahoma, Carolina do Sul, Texas e Utah.
Uma professora contou que, durante uma discuss�o na escola sobre um livro com tema gay em sua escola, ficou com medo de as pessoas pensarem que era l�sbica. Frieda Takamura, japonesa americana, disse que o "fator motivador" para que se tornasse coordenadora de direitos humanos e civis da NEA foi a ra�a. Ela disse que j� se sentiu como a professora.
"Finalmente, decidi que n�o importa se as pessoas acham que eu sou gay, porque n�o sou", disse ela.
Uma professora que sempre divide o quarto de hotel com a mesma colega nas confer�ncias disse: "N�s simplesmente piscamos para aqueles que pensam que somos l�sbicas. Dizemos a eles que nunca v�o saber."
"Ser� que � realmente t�o importante expor sua orienta��o sexual?" perguntou outro professor.
"Sim, � muito importante para as crian�as que t�m duas m�es ou dois pais", assegurou-lhe Mendoza. "E � bom para nossa pr�pria sa�de mental. Como voc� se sentiria se n�o pudesse trazer sua esposa para uma festa, ou colocar uma foto de seus filhos em sua mesa?"
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Um professor mais velho, branco e gay, lembrou de sua longa hist�ria de surras, rumores nas escolas, oportunidades de promo��o perdidas, humilha��es e perda de amigos com Aids. Ele disse que a falta de �nfase da oficina nos problemas dos homens brancos estimulou "raiva em meu cora��o."
"Muitos homens gays se sentem como voc� e, sim, h� muita homofobia, muito heterossexismo", respondeu Mendoza, que disse que sua heran�a � latina mexicana e de �ndios americanos Yaqui.
"Entretanto, o homem euro-americano ainda pode entrar em uma loja e n�o se preocupar em ser seguido, o que n�o � verdade para pessoas de cor", disse ela. "A quest�o �: o que voc� vai fazer com seu privil�gio branco?
Vai preferir n�o fazer nada ou ser nosso aliado com a comunidade homossexual e trans-sexual?"
As oficinas parecem uma "�tima id�ia", disse Bryant Courtney, 18, de Flowery Banch, Ge�rgia, que terminou o col�gio em maio e planeja cursar a Universidade Estadual da Ge�rgia no outono.
"Muitos educadores n�o t�m forma��o nesses assuntos", disse Courtney em sua casa em Atlanta. "Para mim � tarde demais, mas fico feliz de ver isso acontecendo."
Sua m�e, Jeanette Courtney-Cross, disse que ele mencionou sua orienta��o sexual para ela h� quatro anos e confirmou os boatos de que era gay depois que foi expulso por um professor para quem tinha assumido sua condi��o sexual. O professor foi advertido e saiu da escola no final do ano, por outras raz�es, disse ela.
"Adolescentes implicam uns com os outros, mas hoje n�o se chama mais afro-americanos de negros", disse Courtney. Mesmo assim, disse ele, alguns professores que repreendiam insultos racistas ou machistas ficavam em sil�ncio "quando me chamavam de veado no meio da aula ou algu�m ou dizia 'Isso � t�o gay' na minha presen�a".
As oficinas podem ajudar a "tornar as escolas seguras para todos alunos, inclusive os que s�o considerados erroneamente como gays", disse Mattye Dane, 16, que vai come�ar seu �ltimo ano na escola em Orange County, Calif�rnia.
Dane disse que ainda volta ocasionalmente para reuni�es da alian�a homo-heterosessual em sua antiga escola em Huntington Beach. A alian�a � reconhecida como clube estudantil e ela disse que a escola teve algum sucesso em reduzir as "implic�ncias intolerantes". Ela est� trabalhando neste ver�o em um restaurante e deu entrevista por telefone celular.
"Mas eu me mudei h� oito meses porque n�o queria lidar com aquilo todos os dias", disse Dane. "Eu sou l�sbica declarada e � meio triste quando tenho que perder tempo tentando fazer as pessoas pararem de gritar comigo ou comprarem brigas quando s� o que quero fazer � estudar."
Colette Roberts, de Columbia, no Estado de Maryland, dirige o setor de Pais, Fam�lias e Amigos de Gays e L�sbicas (Pflag). Ela disse que seis das 11 escolas de ensino m�dio do condado t�m clubes homo-hetero.
"Tivemos que abafar alguns rumores de que est�vamos inaugurando um clube de sexo gay, em vez de um lugar onde jovens de diferentes inclina��es sexuais pudessem falar de seus problemas", disse ela. "Alguns d�o certo e outros t�m dificuldades em encontrar um professor que os patrocine."
Roberts disse: "Quando os alunos que nunca diriam 'Voc� � t�o burro' ou 'Isso � t�o coreano', dizem sempre 'Isso � t�o gay', voc� sabe que os administradores e professores n�o est�o fazendo bem seu papel."
Talvez as oficinas devessem ter inclu�do os diretores, disse Sue Raye, presidente do Pflag de Austin, Texas. "A maior parte dos diretores se preocupa com seus alunos, mas h� alguns que nem sabem sobre a popula��o homossexual e trans-sexual em suas escolas", disse ela. "Alguns n�o t�m interesse, mas muitas vezes � que est�o ocupados demais tentando manter seu emprego."
07/07/2004
Daniel de Oliveira acredita que j� � hora de um beijo homossexual na TV

O ator Daniel de Oliveira, protagonista do filme �Cazuza � O Tempo n�o p�ra�, defendeu, segundo nota do site �O Fuxico�, o beijo entre pessoas do mesmo sexo na telinha. �E por que n�o? Ora a vida imita a arte e vice-versa. E a televis�o � reflexo da sociedade, portanto n�o vejo mal algum em se mostrar um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo�,
manifestou-se.
Em �Cazuza�, o ator troca, em uma das cenas, beijo na boca com outro ator, Eduardo Pires, que interpreta um dos namorados do c�lebre roqueiro cuja vida � retratada no filme.
A igreja que sirvo h� mais de 50 anos cumpre o seu dever desaprovando o comportamento homossexual

H� anos venho lendo tudo o que se publica sobre homossexualismo. S�o temas sobre os quais tenho refletido, n�o s� como bispo da Igreja Cat�lica, mas como cidad�o. Acompanhei todo o farto notici�rio sobre a Parada do Orgulho Gay em S�o Paulo e no Rio de Janeiro. Antes de tudo, � necess�rio distinguir, na referida parada em S�o Paulo, os homossexuais
dos que estiveram na avenida Paulista apenas como interessados no espet�culo carnavalesco, prestigiado por certas autoridades.
Em recente artigo publicado na Folha ("Por que celebrar o orgulho gay?", Jo�o S. Trevisan, p�g. A3, 28/6), certo articulista n�o s� congratula-se com a maior parada gay do mundo (sic), como se isso honrasse a cidade de
S�o Paulo e o Brasil, mas agride injustamente o papa Jo�o Paulo 2�, tido por jornalistas como L. Bernstein e M. Politi, al�m de pol�ticos como Mikhail Gorbatchov, como a mais importante personalidade do s�culo 20. O articulista certamente n�o leu nenhuma das alocu��es do papa sobre o homossexualismo, desconhecendo as sempre respeitosas refer�ncias que faz
aos homossexuais, condenando a viol�ncia contra os mesmos.
A igreja que sirvo h� mais de 50 anos cumpre o seu dever desaprovando o comportamento homossexual. Ela o faz tanto em defesa da dignidade humana, quanto em aten��o � revela��o divina. Proclamando o casamento e a fam�lia como a leg�tima uni�o entre o homem e a mulher, comunidade de amor aberta ao dom da vida, presta um grande servi�o � sociedade e se mant�m fiel a numerosos textos do Antigo e do Novo Testamento, entre os quais o da ep�stola do ap�stolo Paulo aos romanos:
"A ira de Deus se manifesta do alto do c�u contra toda a impiedade e perversidade dos homens (...) De modo que n�o se podem escusar (...) Eles [os romanos e outros] extraviaram-se em seus v�os pensamentos, obscurecendo-se o seu cora��o insensato (...) Deus os entregou aos desejos de seus cora��es e � imund�cie, de modo que desonraram entre si
os seus corpos (...) Por isso Deus os entregou a vergonhosas paix�es. As suas mulheres mudaram as rela��es naturais contra a natureza e, do mesmo modo, os homens, deixando a rela��o natural com as mulheres, arderam em desejos uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em seus corpos (sic) a paga devida de seu pr�prio desvario (...) Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera digno de morte aqueles que fazem tais coisas, n�o somente as praticam como, tamb�m, aplaudem os que as cometem" (Rm, 2, 18-32).
As destacadas fotos das paradas mostram n�o apenas a multid�o presente, mas cenas agressivas e escandalosas. Uma delas apresentava uma l�sbica vestida com o h�bito das carmelitas. Foi das menos acintosas, entre outras. Pedindo a igreja e os seus pastores, at� com certa freq��ncia, respeito aos homossexuais, t�m certamente ela e os heterossexuais
indiscut�vel direito ao m�nimo de respeito tanto �s crian�as quanto �s fam�lias bem constitu�das.
Deixando de lado outras inoportunas e inexatas considera��es do referido articulista, � lament�vel o desd�m de n�o poucos homossexuais pelo casamento, a fam�lia e a vida. � oportuno recomendar a todos a leitura de textos n�o apenas crist�os, mas judaicos, mu�ulmanos e budistas, posicionando-se todos contra o homossexualismo e a igualdade de direitos
com os heterossexuais.
O problema de fundo �, na realidade, o da afetividade e sexualidade humanas. Afirmando algu�m que o sexo � fim, e n�o meio, legitimando a busca do prazer pelo prazer, tudo � permitido. Por�m os que n�o se deixam levar por um discut�vel relativismo �tico e moral estar�o sempre reafirmando valores indiscut�veis, como o do verdadeiro casamento e da fam�lia, destinados, no plano de Deus, a nobres finalidades. Entre elas, vem a prop�sito destacar duas: a leg�tima express�o corporal do amor entre homem e mulher, na intimidade da vida conjugal, e a abertura e o acolhimento ao dom da vida dos filhos, sem os quais estar�amos caminhando para a "25� hora".
Rejeitando o homossexualismo, como � seu dever, a igreja e todos os que t�m como ponto de refer�ncia valores como a dignidade humana continuar�o respeitando a op��o homossexual de quem quiser usar da pr�pria liberdade, entendendo-a como o direito de fazer o que quiser, e n�o como a faculdade de escolher os melhores caminhos para a pr�pria vida e a
sociedade. Ao que me consta, nenhuma igreja crist� aprovou o procedimento de Hitler contra os homossexuais. Desafio o articulista a apresentar, nos 20 s�culos da longa hist�ria da minha igreja, um texto oficial legitimando o homossexualismo ou qualquer tipo de agress�o aos que se comportam como homossexuais. � lament�vel a agressividade contra a igreja por parte de grupos gays. Feliz a na��o cuja lei protege o casamento, a fam�lia e a vida!

Dom Amaury Castanho, 76, jornalista, � bispo em�rito de Jundia� (SP). � autor de, entre outros livros, "A Servi�o do Evangelho, do Reino de Deus e dos Homens".
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