Fundo
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17/04/2004
As causas da homossexualidade
Drauzio Varella
Existe gente que acha que os homossexuais j� nascem assim. Outros, ao contr�rio, dizem que a conjun��o do ambiente social com a figura dominadora do genitor do sexo oposto � que s�o decisivos na express�o da homossexualidade masculina ou feminina. Como separar o patrim�nio gen�tico herdado involuntariamente de nossos antepassados da influ�ncia do meio foi uma discuss�o que monopolizou o estudo do comportamento humano durante pelo menos dois ter�os do s�culo 20. Os defensores da origem gen�tica da homossexualidade usam como argumento os trabalhos que encontraram concentra��o mais alta de homossexuais em determinadas fam�lias e os que mostraram maior preval�ncia de homossexualidade em irm�os g�meos univitel�neos criados por fam�lias diferentes sem nenhum contato pessoal. Mais tarde, com os avan�os dos m�todos de neuro-imagem, alguns autores procuraram diferen�as na morfologia do c�rebro que explicassem o comportamento homossexual.
Os que defendem a influ�ncia do meio t�m ojeriza aos argumentos gen�ticos. Para eles, o comportamento humano � de tal complexidade que fica rid�culo limit�-lo � bioqu�mica da express�o de meia d�zia de genes. Como negar que a figura excessivamente protetora da m�e, aliada � do pai pusil�nime, seja comum a muitos homens homossexuais? Ou que uma liga��o forte com o pai tenha influ�ncia na defini��o da sexualidade da filha? Sinceramente, acho essa discuss�o antiquada. T�o in�til insistirmos nela como discutir se a m�sica que escutamos ao longe vem do piano ou do pianista.
A propriedade mais importante do sistema nervoso central � sua plasticidade. De nossos pais herdamos o formato da rede de neur�nios que trouxemos ao mundo. No decorrer da vida, entretanto, os sucessivos impactos do ambiente provocaram tamanha altera��o pl�stica na arquitetura dessa rede primitiva que ela se tornou absolutamente irreconhec�vel e original. Cada indiv�duo � um experimento �nico da natureza porque resulta da intera��o entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experi�ncia de vida. Ainda que existam irm�os geneticamente iguais, jamais poderemos evitar as diferen�as dos est�mulos que moldar�o a estrutura microsc�pica de seus sistemas nervosos. Da mesma forma, mesmo que o oposto fosse poss�vel -garantirmos est�mulos ambientais id�nticos para dois rec�m-nascidos diferentes- nunca obter�amos duas pessoas iguais por causa das diferen�as na constitui��o de sua circuitaria de neur�nios. Por isso � imposs�vel existirem dois habitantes na Terra com a mesma forma de agir e de pensar.
Se taparmos o olho esquerdo de um rec�m-nascido por 30 dias, a vis�o daquele olho jamais se desenvolver� em sua plenitude. Estimulado pela luz, o olho direito enxergar� normalmente, mas o esquerdo n�o. Ao nascer, os neur�nios das duas retinas eram id�nticos, por�m os que permaneceram no escuro perderam a oportunidade de ser ativados no momento crucial. Tem sentido, nesse caso, perguntar o que � mais importante para a vis�o: os neur�nios ou a incid�ncia da luz na retina? Em mat�ria de comportamento, o resultado do impacto da experi�ncia pessoal sobre os eventos gen�ticos, embora seja mais complexo e imprevis�vel, � regido por intera��es semelhantes. No caso da sexualidade, para voltar ao tema, uma mulher com desejo sexual por outras pode muito bem casar-se e at� ser fiel a um homem, mas jamais deixar� de se interessar por mulheres. Quantos homens casados vivem experi�ncias homossexuais fora do casamento? Teoricamente, cada um de n�s tem discernimento para escolher o comportamento  pessoal mais adequado socialmente, mas n�o h� quem consiga esconder de si pr�prio suas prefer�ncias sexuais. At� onde a mem�ria alcan�a, sempre existiram maiorias de mulheres e homens heterossexuais e uma minoria de homossexuais. O espectro da sexualidade humana � amplo e de alta complexidade, no entanto; vai dos heterossexuais empedernidos aos que n�o t�m o m�nimo interesse pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em grada��es variadas entre a hetero e a homossexualidade, oscilam os menos ortodoxos.
Como o presente n�o nos faz crer que essa ordem natural v� se modificar, por que � t�o dif�cil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual de nossa esp�cie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biol�gico inerente � condi��o humana? Em contraposi��o ao comportamento adotado em sociedade, a sexualidade humana n�o � quest�o de op��o individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se imp�e a cada um de n�s. Simplesmente, �!

16/04/2004
Umberto Eco diz que Mona Lisa pode ter sido um travesti

Berlim, 16 abr (EFE).- Em entrevista publicada hoje, sexta-feira, no jornal "Sueddeutsche Zeitung", o escritor italiano Umberto Eco afirma que a Mona Lisa pode ter sido um travesti e que n�o gostaria de jantar com ela nem com a V�nus de Milo.
"N�o gostaria de jantar com nenhuma das duas. A V�nus � muito musculosa, e a Mona Lisa pode ter sido um travesti", responde Eco a uma pergunta sobre qual das duas figuras da hist�ria da arte ele considera mais bonita.
A entrevista do "Sueddeutsche Zeitung" foi feita a prop�sito da publica��o em alem�o da "Hist�ria da beleza", de Eco. Na obra, o autor procura mostrar como os crit�rios de beleza e fei�ra evolu�ram atrav�s dos tempos. Atualmente, segundo Eco, coexistem diversos ideais de beleza, o que o escritor prop�e demonstrar "vagando pelas ruas e entrando em uma livraria, uma discoteca e um museu".
"Outra possibilidade � dar uma resposta te�rica e dizer que Nietzsche j� tinha visto o problema: nossa �poca sabe tudo da hist�ria anterior, quase se afoga nela, e por isso � poss�vel a conviv�ncia de conceitos de beleza de �pocas distintas. No final do livro, falo do polite�smo da beleza", diz Eco.
Diferentemente de outras �pocas, em nosso tempo, segundo o escritor italiano, h� uma toler�ncia a ideais de beleza diferentes, o que, em princ�pio, Eco considera positivo e "um sinal de nossa consci�ncia da hist�ria".
No entanto, alerta contra o fato de que, para muitos, essa toler�ncia se transformou em indiferen�a, e "nesse ponto o polite�smo da beleza se converte em ate�smo da beleza".
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25/04/2004
Massachusetts n�o casar� homossexuais de fora do estado
Boston (EUA), 25 abr (EFE).- O estado de Massachusetts, que se prepara para autorizar o casamento de homossexuais a partir do pr�ximo dia 17, j� advertiu que n�o casar� pessoas procedentes de fora do estado.
"Massachusetts n�o deve se converter na Las Vegas do casamento gay", disse o governador do estado, Mitt Romney, em declara��es publicadas no "The New York Times".
O estado vai elaborar novas solicita��es de licen�as de casamento nas quais se pedir� que os casais, heterossexuais ou homossexuais, apresentem provas de onde vivem ou v�o viver no futuro, disse ao "Boston Globe" um porta-voz do governador.
A base dessa pol�tica � uma lei de 1913 segundo a qual Massachusetts n�o pode oficiar o casamento de casais provenientes de outro estado cuja uni�o civil seja nula em seu lugar de origem.
Massachusetts se viu obrigado a admitir o casamento homossexual ap�s uma hist�rica senten�a emitida pelo Supremo Tribunal do estado, que declarouque a proibi��o desses casamentos violava a Constitui��o estatal.
Romney, do Partido Republicano, tentou em v�o combater essa decis�o pela via judicial. Por isso, optou por evitar que em seu estado se casem homossexuais de outros estados.
A organiza��o de defesa de direitos dos homossexuais que apresentou a a��o que originou a decis�o do Supremo criticou o governador por usar a lei de 1913, que de fato tem um origem pol�mica, pois foi aprovada para n�o casar pessoas de diferentes ra�as de outros estados. Naquela �poca,o casamento inter-racial ainda era proibido em muitos estados dos EUA. Para o movimento, Romney tenta agradar aos grupos conservadores. Mas o governador alega que procura evitar um caos jur�dico sobre a validade dos casamentos de homossexuais de outros estados realizados em
Massachusetts.
01/05/2004
Frases do S�culo
     1. Ladr�o que rouba ladr�o vive no Distrito Federal.
       2. Adoro as rosas, mas prefiro as trepadeiras.
       3. As mulheres perdidas s�o as mais procuradas.
       4. Como � dif�cil se livrar de uma mulher f�cil.
       5. Crian�a e tamanco s� se faz com pau duro.
       6. Dinheiro n�o traz felicidade, mas ajuda a sofrer
           em Paris.
       7. Duas coisas que eu gosto: cerveja gelada e
           mulher quente.
       8. Duas coisas que n�o gosto: cerveja quente e
           mulher Gelada.
       9. Enquanto n�o encontro a mulher certa... me
           divirto com as erradas.
       10. Lula � o meu pastor...por isso eu estou pastando
       11. Herrar � umano.
       12. Mais vale chegar atrasado neste mundo, do que adiantado no outro.
       13. Melancia grande e mulher muito boa,
             ningu�m come sozinho.
       14. Na vida tudo � passageiro, menos o motorista
             e o cobrador.
       15. N�o roube, o governo detesta concorr�ncia.
       16. No teatro do poder, todos s�o formados em
             artes c�nicas.
       17. O chifre � como cons�rcio, quando voc�
              menos espera, � contemplado.
27/04/2004
Mapeamento de casais homossexuais
H� uma d�cada, quando o dem�grafo Gary Gates come�ou a pesquisar casais homossexuais nos EUA, o tema era relativamente novo. O censo de 1990 registrou menos de 150 mil resid�ncias, em todo o pa�s, habitadas por casais n�o casados do mesmo sexo. As empresas americanas estavam apenas come�ando a oferecer benef�cios aos parceiros dom�sticos de seus funcion�rios.
O setor do entretenimento ainda estava a anos de dist�ncia de "Will & Grace", "Queer as Folk" e outros programas de TV que focalizam personagens gays e l�sbicas. Hoje os casais homossexuais j� se tornaram muito mais comuns e aceitos e, ironicamente, est�o no centro de uma disputa acirrada que marca este ano eleitoral americano.
A pol�mica come�ou quando um tribunal do Massachusetts ratificou a legalidade de um casamento homossexual e cresceu quando autoridades municipais de cidades desde San Francisco at� New Paltz, Estado de Nova York, come�aram a desafiar as leis estaduais, presidindo sobre centenas de casamentos entre gays e l�sbicas e levando o presidente George W. Bush a pedir uma emenda constitucional para proibir os casamentos.
No pr�ximo m�s, ser� lan�ado o primeiro "Atlas de Gays e L�sbicas" do pa�s, baseado em dados obtidos do censo de 2000. O livro, que tem 242 p�ginas, aponta para a localiza��o e as caracter�sticas de casais do mesmo sexo, chegando a detalhar seus c�digos de endere�amento postal, ra�as e idades.
A descoberta que mais chama a aten��o no livro � que 594.391 casais de pessoas do mesmo sexo foram contabilizados em 2000, tr�s vezes o n�mero registrado em 1990 (em nenhum dos dois recenseamentos foi anotada a orienta��o sexual das pessoas, mas ambos anotaram o sexo das pessoas que respondiam ao question�rio e o de qualquer adulto que vivesse com elas). A porcentagem de casais homossexuais entre todas as fam�lias formadas por parceiros n�o casados subiu de 4,5% para 10,8% do total. Gates desaconselhou as compara��es diretas, porque algumas respostas foram contabilizadas de maneira diferente em 2000 e os casais homossexuais podem ter se sentido mais � vontade para revelar sua situa��o em 2000 do que em 1990. Em 1990, 5% dos parceiros gays e 20% das l�sbicas informaram ter filhos, contra 20% e mais de 30%, respectivamente, em 2000.
As fam�lias formadas por casais homossexuais contabilizadas em 2000 se espalham por uma �rea muito maior do que as de 1990 -aparecem em 99% dos condados americanos, contra 52% dez anos antes.
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