Fundo
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09/04/2004
Homossexuais Sabem Amar?
Outro dia fiquei chocado quando encontrei num arm�rio de casa um velho envelope chamado �Cemit�rio de amores�. Continha fotos, declara��es ecartas de meus amores que n�o deram certo. Pois �, eu estava com o
arm�rio cheio de cad�veres. N�o tive d�vidas: joguei tudo no lixo. Como eu, muita gente tende a cultivar fantasmas dos �grandes� amores. Pormais significativos que tenham sido, esses amores n�o podem sobrecarregar com lembran�as que fazem a balan�a pesar para o passado.
Sim, � muito bom ter amado, e aqueles momentos de amor s�o verdadeiros, n�o importa seu desenlace. Mas amar � um processo incessante. N�o adianta querer congelar um per�odo ou at� mesmo uma pessoa, como se ela
fosse refer�ncia imut�vel. Agimos assim porque vivemos acossados pela id�ia do amor. De modo quase obsessivo, passamos a vida sonhando com aquilo que os americanos chamam de Mr. Right: o �homem perfeito�, que resolver� todos os nossos problemas. Quando fazemos do amor uma t�bua de salva��o, mobilizamos fantasias, pensando redimir fracassos.
Mas uma coisa � reverenciar o amor, com a grandeza que ele merece. Outra � tornar o amor uma panac�ia, a partir de uma utopia imposs�vel de se realizar. Pior: fazer do amor uma maneira de descarregar minhas responsabilidades afetivas sobre os ombros de algu�m por quem �me apaixono�. O amor torna-se ent�o uma droga que gera depend�ncia. Por que procuro t�o insistentemente �o homem da minha vida�? Porque preciso dele. Mas qual a natureza dessa necessidade? � algo como precisar do oxig�nio para respirar. O homem da minha vida transforma-se na pr�pria
raz�o de viver. Romanticamente, isso pode ser muito bonito. Na pr�tica, � desastroso, pois crio uma necessidade doentia desse amor.
Quando nos apaixonamos por outro homem, o motivo tender� a ser: porque seu f�sico me atrai. S� secundariamente vamos nos interessar pela intelig�ncia, sensibilidade e qualidades de car�ter. Essas caracter�sticas demandam um conhecimento mais profundo e t�m menos visibilidade do que a atra��o imediata por determinado padr�o de beleza,
que nos foi vendido por Hollywood e pela Globo. Eu sempre me assusto com o poder exercido por um homem atraente. Mas se ele for um gostos�o convencional, meio mundo estar� sentindo a mesma atra��o que eu. Por isso, os belos tornam-se mimados pela sociedade, e podem ser cru�is, dando e tirando as cartas a seu bel-prazer. Dizer que todos os belos praticam necessariamente a crueldade seria uma conclus�o insana. Mas o mundo est� cheio de pessoas que conquistam fama imediata s� por causa da sua beleza que se torna, ent�o, uma qualidade primordial.
Por um processo de quotidiana lavagem cerebral, n�s, pobres mortais, estamos perigosamente expostos � ditadura da beleza padronizada, que nos aprisiona numa rede de vampiriza��o. Ent�o nos permitimos ser objetos.
Com isso nos submetemos � irracionalidade do desejo, que pode se tornar perverso, quando entra em cena o poder da beleza. Pois � assim que acontece, sobretudo nas rela��es dentro do antropof�gico mundinho guei:
a beleza �, sem d�vida o mais eficiente instrumento de sedu��o e manipula��o.
Digo e repito que acho mais complicado amar entre homossexuais. A dimens�o dessa dificuldade aumentar� quanto menor for a auto-estima dos envolvidos. E n�s vivemos doentes de car�ncia afetiva. Na conviv�ncia com outros homossexuais, percebo sempre mais que, entre n�s, a falta de amor-pr�prio � uma trag�dia, �s vezes camuflada. Outro dia, um amigo muito inteligente confessou-se assustado ao descobrir que, j� beirando os 50 anos, ainda tinha problema em aceitar sua homossexualidade. N�o � impunemente que somos escorra�ados desde pequenos/as, por amarmos de
maneira divergente.
Certa vez tive um namorado, profissional bem instalado no interior, que se comportava como capacho da cidade inteira. Entre outras coisas, vivia sendo v�tima de cheques sem fundo. Homossexual conflituado, punia-se a si mesmo,
exercendo o papel de ot�rio. Mesmo que a gente n�o perceba, nossa vida ps�quica est� minada pela auto-estima periclitante, o que dificulta as rela��es amorosas.
� muito comum um homem ser desprezado quando demonstra paix�o por outro. Ou desprezar quem o ama. Movido pela perversidade, o sujeito desejado gera a rejei��o do sujeito desejante: se algu�m me ama s� pode estar abaixo de mim, por amar um ser t�o desinteressante quanto eu. E se a gente demonstra inten��o de compromisso, logo de cara, corre o risco de ser execrado pelo pretendente. Quem n�o ama a si mesmo n�o pode aceitar compromisso de amar o outro. Mais: como parte do jogo de sedu��o, � preciso mostrar-se dif�cil. Portanto, nem pensar em aceitar compromisso.
A� volto � atra��o f�sica, como motor do exerc�cio de poder e pretexto para a vampiriza��o. O melhor exemplo desse poder vamp�rico � a obsess�o em ser o macho perfeito. Caras sarados, que freq�entam fanaticamente a academia, esculpem seu corpo para provocar desejo. Ancorados no padr�o mais corrente de beleza, eles sabem que funcionar�o como �m�s, por onde passarem. � sua maneira de manipular e exercer o poder. Mas tal atitude esconde uma severa car�ncia de amor pr�prio: homossexuais sarados podem n�o passar de homens inseguros, nunca satisfeitos com o que s�o. Buscam uma �perfei��o� f�sica cada vez maior. Para tanto, �travestem-se� de machos at� o �ltimo grau, a partir de estere�tipos. Especialistas j� falam de uma doen�a ps�quica ligada � mania de freq�entar academias para �aperfei�oar� o corpo.
Na outra ponta, a obsess�o de amar o �homem perfeito� busca evitar o confronto com nossas dores e insatisfa��es. O homem amado tende a ocupar o papel de um Deus redentor. Em outras palavras, ele � minha morfina: enquanto o amo, desvio a aten��o de tudo aquilo que me desagrada em mim. Al�m do mais, a sensa��o de ser amado por um homa�o torna-se excelente garantia de que n�o sou desprez�vel. Imagine-se, portanto, o drama que eclode quando somos abandonados ou quando sofremos de solid�o reiterada, sem namorado. Cria-se uma boa oportunidade para sermos v�timas de vampiros amorosos, pois n�s pr�prios entregamos o pesco�o, como se o amor fosse um Dr�cula.
Tem gente que vive se apaixonando, de galho em galho: basta encontrar um palminho de cara bonita e j� se esparrama todo. Ora, n�o � justo para consigo mesmo depender de um homem gra�as ao seu inv�lucro. E tamb�m n�o � justo descarregar tal responsabilidade nas costas de algu�m cuja �nica �qualidade� vis�vel � ser atraente. Nessas circunst�ncias, amar vira um inferno. Conhe�o um monte de casais que brigam sem parar e se corneiam
mutuamente, �s escondidas. E todos os dias ou�o hist�rias de pessoas sendo torturadas ou torturando, dentro de uma rela��o invi�vel. Eu mesmo j� vivi situa��es assim, e o resultado foi muito sofrimento.
Afinal, o que nos leva a fazer do amor um holocausto que nos destr�i? Pra que tornar o amor um altar de sacrif�cio? Antes de tudo, amor � celebra��o da vida. Ele n�o pode ser uma pris�o na qual minha vida se esvazia e depende do outro. N�o tenho o direito de exigir que o outro d� sentido � minha vida, pois essa � responsabilidade minha. Em nome do amor, fazemos isso todos os dias. Confundimos carni�a com perfume franc�s.
20/04/2004
Assembl�ia Legislativa discute viol�ncia contra homossexuais
Com o objetivo de discutir a viol�ncia praticada contra cidad�os e cidad�s homossexuais no estado de S�o Paulo ser� realizada dia 27 de abril, na Assembl�ia Legislativa, a Audi�ncia P�blica �Viol�ncia e intoler�ncia: a��o e omiss�o do Estado�. Organizada pela Frente Parlamentar Estadual pela Livre Express�o Sexual, a audi�ncia vai tratar da a��o de grupos como os skinheads, a viol�ncia policial, o atendimento nos servi�os p�blicos, o preconceito na m�dia e o combate aos sites homof�bicos, entre outras quest�es. Foram convidados os secret�rios estaduais da Seguran�a P�blica, Saulo de Castro Abreu Filho, e da Justi�a e da Defesa da Cidadania, Alexandre de Morais; o Procurador Geral de Justi�a do Estado de S�o Paulo, Dr. Rodrigo C�sar Rebello Pinho; Dr. Antonio Carlos Villen, da Associa��o Juizes para a Democracia; e o Dr. Arlindo Negr�o Vaz, da Delegacia de Crimes de Tecnologia. Coordenada pelo deputado �talo Cardoso (PT), a Frente tem o apoio de v�rios deputados estaduais, de  vereadores da capital e de cidades do interior paulista, e de entidades de direitos humanos.
15/4/2004
Corte da Calif�rnia estuda anula��o de casamentos gays
A Suprema Corte da Calif�rnia anunciou nesta quarta-feira que est� considerando o cancelamento dos mais de quatro mil casamentos entre homossexuais realizados na prefeitura de San Francisco nos meses de fevereiro e mar�o deste ano.
� a primeira vez que a Corte manifestou sua inten��o de legislar sobre a validade das certid�es emitidas, mas n�o descartou ainda a possibilidade de que possam ser validados.
A Corte, que ordenou a suspens�o da emiss�o de certid�es de casamento no m�s passado, est� se preparando para ouvir os argumentos do prefeito Gavin Newsom.
O procurador geral de San Francisco Dennis Herrera disse que a justice n�o deveria regulamentar sobre a validade dos casamentos de San Francisco enquanto n�o houver uma decis�o sobre a constitucionalidade de casamentos entre homossexuais.
17/04/2004
Gloria Gaynor

Acontecer� no dia 29 de abril na Via Funchal, em S�o Paulo, um show com a cantora Gloria Gaynor. Os ingressos est�o � venda na bilheteria do local e podem ser adquiridos tamb�m pelos servi�os "Ingresso R�pido" ((0-XX-11) 2163-2000) ou "Ticketronics" ((0-XX-11) 3038-6698). A Associa��o levar� algumas pessoas como convidadas para assistir ao show. Para concorrer a um ingresso, compare�a na Happy Hour Gay que acontecer� no dia 16 de abril, a partir das 19:00 no VERMONT BEAR (r. Vieira de Carvalho, 63). A Happy Hour Gay � organizada pela Secretaria de Gays da Associa��o e tod@s est�o convidad@s. O ingresso ser� R$ 2,00 e a programa��o inclui muita m�sica, bate-papo e, claro, muita alegria, ao som de Gloria Gaynor. N�o perca!
18/04/2004
Ser passivo provoca hemorr�idas?

Como em todo caso de exageros, sim! Se o parceiro tiver um p�nis descomunal e voc� tiver tend�ncia a ter hemorr�idas, basta um descuido e pronto. Voc� provoca o rompimento de uma veia na regi�o anal e passa a ter hemorr�idas. Mas um consolo: h� cura para tal inconveniente. Uma opera��o bem realizada deixa novinha as ruguinhas do anel, ok? De, mas controle-se pois o rabo n�o � de ferro!!
27/04/2004
Homem machista corre mais riscos
Pesquisa realizada com jovens moradores de favelas do Rio de Janeiro e divulgada ontem na Opas (Organiza��o Pan-Americana da Sa�de) aponta que homem com atitude machista tem mais probabilidade de ser preso, usar viol�ncia contra a mulher e ter doen�as sexualmente transmiss�veis.
Das 17 perguntas feitas aos entrevistados, os resultados que mais chamam aten��o est�o ligados � viol�ncia: 53,9% disseram que, se algu�m os insulta, defendem a honra com a for�a, se for necess�rio. Al�m disso, 33% afirmaram que existem momentos em que mulher merece apanhar. Ao tratar de homossexualismo, 31,1% responderam que nunca teriam um amigo gay.
Foram entrevistados 780 jovens com idade entre 15 e 24 anos moradores de Bangu, Mar� e Morro dos Macacos. O estudo, realizado pela organiza��o n�o-governamental Promundo e pelo Horizons Program, acompanhou ainda resultados do chamado Projeto H, criado com o objetivo de estimular jovens a questionarem normas relacionadas � masculinidade. O trabalho concluiu que as a��es sociais ajudam na mudan�a de comportamento dos jovens.
"Os jovens usam modelos. Por isso, � importante que vejam homens adultos engajados na eq�idade de g�nero. Procuramos questionar os modelos de masculinidade associados � viol�ncia", disse Gary Barker, diretor-executivo do Instituto Promundo. Com base nesse experi�ncia, o instituto assinar� um conv�nio com o Minist�rio da Sa�de para capacitar agentes dos programas ligados � juventude para trabalhar com o tema da masculinidade e machismo.
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