Sucesso no grito

Como
o jogador virou artista?
Morava próximo à rádio Jovem Pan. Um dia,
cheguei na recepção e disse: Quero ser
locutor. Fiquei lá implorando uma chance,
e só me ofereciam adesivos. Para chamar atenção,
comecei a fazer minhas imitações na recepção
mesmo. Armei a maior bagunça e o locutor Emílio
Surita acabou saindo para ver o que estava
acontecendo. Ele me deixou entrar e pediu para
gravarem uma fita. Dois dias depois eu estava
estreando o programa Pandemônio, com duas
horas de duração.
Conseguiu
na cara de pau, no grito?
Sempre fui muito arrojado, no limite. Meu
sonho era ser VJ. Entrei na MTV, caminhei em direção
à recepcionista, e falei: Quero ser
apresentador da MTV. A menina acabou me
dando o telefone do Zeca Camargo. Saí da recepção,
fui para o outro lado da rua, liguei para ele e
disse que queria ser apresentador da MTV. Ele
falou: Tá, e aí?. Um mês depois
virei VJ. Fiquei tão feliz, que saí de lá e
fui andando até a minha casa.
Na
adolescência, longe dos pais, você nunca se
envolveu com drogas?
Fui porra-louca, mas sempre pensei no que
poderia causar aos meus pais. Cheguei muito perto.
A galera fumando maconha no carro, e eu, que
tinha bronquite asmática, passando mal.
Participo de um mundo onde diversas pessoas estão
no pó. Graças a Deus fiquei longe, até porque
gosto de esporte.
Já
levou fama de careta?
Careta é o cara que não sabe em quem vai
votar, que não valoriza a namorada só por causa
do que ela fez na primeira noite. A turma fala:
Ah, você é playboy. Playboy é o
cacete, vai ver qual é a minha história! Sou
careta, não sou playboy e sou caipira. Não
tenho vergonha de dizer essas coisas da minha
vida, são minha essência.
Quando
você substituiu Luciano Huck, era um
desconhecido. Como lidou com essa situação?
Foi uma grande missão. Eu estava chegando
para substituir um grande nome, num grande
programa. Cheguei e implantei minhas características.
As
comparações incomodaram?
De forma alguma. Se tem um cara que eu
respeito é o Luciano Huck. O que ele fez lá foi
do cacete. Isso eu admiro muito.
Você
não conseguiu colocar sua marca no programa?
Tentei criar coisas novas. Infelizmente, a
casa não me deu oportunidade de mexer. Em
janeiro do ano passado, o programa passou a se
chamar O+. Em setembro, recebi uma
proposta da Record. Não fui por absoluta ética.
Falei para a Bandeirantes sobre a proposta da
Record. Um mês depois mudaram o nome do programa
para Superpositivo sem me avisar. Aquilo
foi uma facada bem na hora que eu tinha
consolidado a parceria. E eles nem cobriram a
proposta da Record. Então, minha voz foi ficando
fraca.
Continua...
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