Sucesso no grito
O
programa virou um circo?
Exatamente. Começou a história da criação
de personagens, mas é preciso saber como acabar.
Foi o que o Luciano fez com a Tiazinha.
Desenvolvemos a Internética. Ela não ia falar,
só se comunicaria pela internet. Um dia vejo no
ar uma vinheta de verão com a Internética
falando: Oi, pessoal, passe loção....
Ah, bicho, foi tudo por água abaixo. A evolução
no meu programa não aconteceu por causa dessas
formatações estabelecidas pela direção, como
esse quadro de strip-tease A Bela e as
Feras. Está há duas semanas no ar. Eu já
falei para tirar, é ruim. Dá audiência? Dá,
mas pelo amor de Deus, é muito fácil fazer
assim!
Essa
foi a gota dágua?
O conjunto de coisas me saturou. Não precisa
disso, de strip-tease. E eu ainda tento levar
como se fosse uma coisa circense, lúdica. Se eu
levar a sério, parece que eu estou fazendo show
no clube das mulheres!
O
que incomoda: a baixaria ou ter de dividir o
programa?
A vaidade não me pega por aí. Acho que tudo
tem de ter sentido. Não adianta botar dez
pessoas falando do seu lado ao mesmo tempo porque
não tem sentido. Hoje, 80% é dedicado ao
besteirol, 10% à música e pouca coisa à
informação.
Teve
medo de prejudicar sua imagem?
Claro. Não era justo comigo, depois de tanto
tempo de batalha, acabar à deriva. O contexto
artístico que está sendo oferecido pela Record
é o que eu mais quero fazer hoje. Superpositivo
teve vários momentos bons, mas os últimos foram
ruins. Não é bom para minha carreira.

A entrada de Rogério Gallo na Band foi
determinante na atual fase do programa?
Eu entendo a entrada do Rogério, essa história
de popularizar a televisão. A emissora está
indo para um caminho. Eu respeito, acredito que
possa dar certo, mas não é bom para mim. Se é
popular ou não, o Rogério e a emissora que
definam.
Continua...
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