O Caminho Do Bardo I
Publicado entre 23 e 25 de Setembro de 2002 e.v.
 
 
 
Fehu
 
 
 



 
Não à Farsa (Parte II):
Ao Camarada Blood Ascent.
O.N.A. rules!!!

                         Os farsantes continuam a te sugar, camarada??? Como são oportunistas e baixos estes vampiros de almas... Querem tornar-se escravizadores dos pobres, dos menos favorecidos, tentam Te comprar com seu vasto dinheiro, não possuem Ética ou Honra!!!
                         Continuo a Te dizer: afasta-Te o quanto antes!!! Ainda não é tarde, Te digo... Estes seres, movidos pelo egoísmo e pelo enriquecimento fácil e, por muitas vezes ilícito, querem transformar Teu simples e belo ser em um mero escravo de seus bel-prazeres...
                         Mas os vampiros notaram que Tu não Te corrompes, que possuis a Ética e a Honra de um ser dedicado a Saturnus. Voltaram-se contra Ti, então!!! E, dessa forma, diluem toda sua ludibriante mentira contra Tua pessoa, blasfemando-Te.
                         Forjam-se os vampiros em sua popularidade, pois existem muitos fracos que deixam-se levar pelo limitado mundo de mentiras do “quem paga mais...” Esses mesmos fracos que hoje voltam-se contra Ti!!! Não, Irmão, esta não é Tua real índole!!!
                         Temem, principalmente, o retorno da Época de Ouro dos Teus  Antepassados, onde não haviam disputas e o Solo era Fértil, onde reinava a concórdia, onde a Honra era regida pela Espada!!! A Real e Verdadeira Espada de um ser devotado à Saturnus...
                         Avante, Camarada!!! Muitos como Ti já se reúnem em torno da verdadeira e antiga Ética pagã. A Saturnália está próxima de ser celebrada!!! Mas esta não deveria ser uma festividade saudosa e limitada por data, não, isto Te digo em certeza... Ela deveria ser algo corriqueiro na vida de todos os dignos cidadãos desta terra de riquezas.
                         Isto é: onde prevalecer o caos, haverá sempre o insurgir de aproveitadores e escravizadores. Pessoas de péssima índole que movem sua riqueza em favor da ludibriação e desvirtuar do pouco que ainda resta de verdadeiro e honrado no ser humano... Fuja destes e lute com Honra contra os usurpadores!!!
 


 
Em Guarda, Camarada, em Guarda!!!
 
Permaneça Ereto neste treinamento,
pois a rigidez é importante em Teu futuro Combate.
Com Tua Força indo de encontro a este Pensamento,
não titubearás no momento de seu desenlace.
 
Este é o preparo para Tua Guerra Interior
de Revitalização Espiritual, Mental e Corpórea,
para um momento de futura Riqueza posterior.
Riqueza esta não material, mas da Natureza introdutória.
 
Teu corpo arde pelo materialismo propalado,
Te libertas deste dilema que tanto o homem agride.
Tu, como és um Ser Verdadeiramente Honrado,
não tens a farsa e mentira quando se posta em perfile.
 
Não te esmoreças nunca, Camarada,
ante as imposições, que serão muitas, contra Ti.
Sejas Verdadeiro e Sincero ante a mentira propalada
e notarão o quanto é Honrado o Ser que segue Avante!
 
Teu ato em Honra, Tua Verdade Interior!!!
Tua transformação Interna nada mais é que o fruto
de uma preparação Cultivada de forma anterior,
cuja Ascensão em Expansão é resultado do produto.
 
Honre Tua Espada, Honre Teu Sangue!!!
Não Te esqueças que estás em um reino de serpentes,
onde a mentira e a corrupção a todos ilude,
sendo difícil encontrar outro igual a Ti neste mesmo quadrante.
 
Sejas verdadeiro, mesmo com as serpentes.
Não hajas como elas, ou poderás desviar de Teu Caminho.
Sei que é uma prática que não Te deixa contente,
mas seria até mesmo ótimo que Te afastasses de seus ninhos...
 
Sim... Permaneças afastado das influências nefastas,
observas o quanto tornam-se trépidos ante Tua negativa,
achando que podem a todos comprar com sua material riqueza vasta,
esquecem-se que ainda existe quem se negue ante as invectivas.
 
Tua principal riqueza está já conquistada:
é a Grandeza Interior que Te guia por entre os inimigos.
E se essa é por um tolo incauto contestada,
não há de se dar confiança, pois é um que não está Contigo.
 
Não sendo digno de confiança aquele que pelas costas Te denigre,
tenhas muito cuidado com aqueles que se dizem Teu “amigo.”
Entre eles podes encontrar até quem Te cative,
mas  mantenha-Te sempre em preparo para o urgente perigo.
 
O perigo ante a mentira e o semear da discórdia,
esta pode estar presente no âmago de alguém próximo e querido,
em pessoas que confias e com quem divides momentos na Arcádia
ou em momento de Batalha, sendo pelas costas ferido.
 
Por este motivo, muito cuidado recomendo!!!
Meça as palavras antes de dialogar com os mortais,
pois entre eles podes encontrar um rei ciumento,
que sente-se inferiorizado ante Tuas habilidades magistrais...
 
Odin estará contigo em todos os necessários momentos,
no uso da força contra os desonrados e enganadores.
Tua batalha sendo essencialmente Interna, e não um contendo,
poderá ser usada externamente em Honra, contra os blasfemadores.
 
Em Guarda, Camarada, em Guarda!!!
Permaneça sempre ativo e em estado de alerta!!!
Não temas o perigo, mas a covardia desonrada
daqueles que são corruptíveis e que representam a desavença.
 



 
Fehu:
 

                         Fertilidade é o que Tu representas, ó Fehu que propala a riqueza para o Um e para todos. Não há ganância em Tua mentalização, com profundo desapego ante as conquistas proporcionadas por Teu invocar... Os deuses Vanir, que representam o nascimento e que em Ti encontram o símbolo único, por Mim são trazidos quando tenho em mente Tua imagem...
                         Freyr e Freya, que são caracteres respectivos da fertilidade e da criatividade, estão representadas no Teu belo Símbolo, ó, Fehu. Não o utilizo por instrumento vulgar de misticismo e sorte, mas por um de uso diário em Minha Interior Vontade de transformação espiritual...
                         A fertilidade do solo, do homem e mulher sadios, ah, como são belos... Digo mais ainda: são simbolicamente complementares. Com o solo a produzir em profusão, sobra tempo e disposição para o desfrutar do amor. E o amor, nestas duas representações, resultam em belo nascimento, em fertilidade.
                         Há a preocupação com a riqueza material. Dispense-a, pois não é necessária nesta relação intrínseca e simbólica com a natureza. Plante e colha o necessário para o sustento de Teus familiares e o que sobrar podes partilhar em total desapego entre os pobres. Mas não te esqueças: se estivéssemos em um reino que valorizasse a fertilidade em todos os âmbitos, não haveria nenhuma forma de pobreza. Mas este não é o caso no atual mundo de egoísmo e corrupção...
                         Já a criatividade é apenas resultado do belo nascimento provindo da prática sadia da mentalização de Fehu. Criativa é a criança que nasce em proximidade do solo fértil, criada livre, em Justeza, em conformidade com a luta pela libertação dos Seus. Criativa é também a Natureza, que nos dá tudo que em terra fértil plantamos. E terra fértil é o que não falta à Vossa volta. Trate-a com respeito e dignidade, e terás de retorno um nascimento contínuo  e belo.
                         Perfeita é a criatividade natural. Que não seja em vão o colher dos frutos. Honre-os com Teu sangue, com Tua justeza de caráter, e belos serão Teus filhos. Belos em Espírito, em Corpo e em Mente. Criativo é este ser que vive em Riqueza Interior!!! Sem medo, irá gerar fabulosos frutos que continuarão Tua obra na difusão da boa-nova. Heil Freyr, Deus viril da fertilidade!!! Heil Freya, irmã gêmea de Freyr e consorte fértil!!! O Sangue e o Solo estão, assim, consagrados!!!
 



 
A Real Moralidade:
 
O que seria real em termos morais?
O enganar e a mentira propaladas aos quatro cantos?
Creio que não sejam as verdades quais
encontramos entre os de Saturnus “devotos.”
 
Sim... Houve uma época em que os homens eram reais...
Em que a riqueza era, antes de tudo, Mental, Corporal e Espiritual.
Onde o fruto, o gado e os cereais
eram fartos e desfrutados por todos de forma não desigual.
 
Não era um “comunismo à antiga,” meu caro averso a Marx,
mas uma não necessidade de disputas por riquezas e poder,
que eram desfrutados por todos em verdadeiro clímax
sendo a Saturnália apenas uma forma desta era não se esquecer...
 
Relembre a antiga Roma, a saudosa Roma de Otávius Augustus...
Como era bela sua época, pois fértil era o solo e feliz era o povo.
Nada próximo da era atual dos deuses da misericórdia soturnos,
ou dos aproveitadores que somente desejam encher seus próprios bolsos.
 
Havia uma valorização do solo, do Tradicionalismo Familiar,
sem esquecermos da ênfase à tão propalada Honra...
Quer algo mais belo que este trinômio milenar?
Basta que Tu queiras resgatar esta saudosa e real bonança...
 
Alma, mente e corpo devem manter-se sempre sadios
se Tu desejas em Verdade ser Um com Saturnus.
Esta é uma primeira evidência encontrada na era dos antigos
pagãos da Roma, que se encontram hoje em silêncio soturno.
 
Divulgue a boa-nova!!! Desperte o antepassado de muitos!!!
Devem sair do silêncio em que se encontram os camaradas!!!
Que levantem a voz contra os mentirosos e gananciosos
corruptores da mentirosa “virtude” atualmente propalada.
 



 
Na Taverna:

 
                         Ao som dos entusiasmados tocadores de gaita fole, estava o desapercebido Salmac embriagado pelos muitos goles de boa cerveja tomados. Mas não era uma embriaguez qualquer, de cuja qual sentiria-se impedido de levantar-se ou de caminhar pelo estreito salão. Era uma embriagues lúcida, que o deixava em total potência, que o tornava apto a agir e reagir a qualquer movimento contrário em falso. Sua bela espada, forjada em aço azul dos mais raros, o acompanhava neste momento de descanso. Caminhara muito durante aquela última noite e manhã. Fugia dos mortos, aqueles que se negavam a cumprir seu destino numa ânsia de eterno viver.
                         Grupos de físicos haviam descoberto a real existência da Alma e que poderiam eternizar-se quando estas fossem manipuladas. Era a Quântica comprovada pela Teoria da Relatividade, após muitos estudos sobre o que consideravam como “anti-matéria.” Mas essa existência não seria contínua se o morto deixasse de se alimentar. E este alimento nada mais seria que a alma de um ser vivo!!! Inicialmente, alimentavam-se os mortos da alma animal. A grande maioria deles era incentivada pelos próprios parentes, já que era necessário um primeiro sacrifício d’alma para ressuscitar-se o morto. Mas os vivos passaram a notar, com passar dos anos, que a alma dos animais gerava neles degeneração. E esta degeneração fora a responsável pela sua queda ao “irracionalismo” animal, tornando-se eternos canibais etéreos dos seres viventes. Tão terrível havia tornado-se aquele mundo, que a multiplicação daquelas aberrações gerara o caos em diversas regiões. Salmac junto a sua Família encontrava-se reunido a cerca de uma semana, em sua propriedade, localizada na Montanha Azul (em alusão ao minério forjador de sua espada, encontrado em demasia naquela região, mas de uso cativo dos consangüíneos de Salmac). Possuíam também belos cavalos de raça que os serviam de montaria já a inúmeras gerações. Estes mesmos cavalos foram os primeiros a notar  a presença dos mortos, também foram os primeiros a morrer... Os  malditos mortos haviam chegado muito mais rapidamente à sua região do que propriamente as notícias...
                         Sua esposa e os dois filhos, naquela bela manhã de sol de Inverno, haviam entusiasmado-se com o pequeno quebrar do frio. Aquela era a época mais gélida em seu quadrante, havendo o insurgir de um agradável sol da manhã naquele dia, o  que degelara a fina neve da noite anterior, e que os incentivara na ida ao estábulo para um passeio a cavalo. Salmac encontrava-se cortando lenha, pois era necessário preparar o suficiente para manter-se aquecido em casa enquanto durasse aquele rígido Inverno. Aquela manhã fora um alento dos deuses, de cuja qual deveriam o máximo tirar proveito.
                         Havia estoque o suficiente de alimento em sua casa, colhido durante o último Outono. Os cavalos também encontravam-se protegidos por um asilo previamente preparado. Aquecidos e tão bem alimentados quanto sua família, o Inverno caminhava em sua bela e periódica continuidade. Mas algo de terrível os espreitava a dias: eram os mortos que se aproximavam!!! A ida de sua esposa e filhos ao estábulo fora o descobrir da primeira evidência, já que encontraram mortos os garanhões. Os corpos dos cavalos encontravam-se quentes, o que a fez ter certeza da proximidade do (s)covarde (s) assassino (s). Tratou de proteger seus dois filhos atrás de si e de armar-se com o primeiro ceifador que aparecera pela frente. Dirigia-se com cuidado ao portão de saída do estábulo, temia o que poderia insurgir durante a caminhada até sua casa. Sua principal desconfiança era dirigida aos predadores da floresta, muito comuns em toda aquela região, o que a fez não cogitar os mortos. Aquela região era muito alta e isolada, extensa era a floresta a sua volta. Isso poderia, no mínimo, manter qualquer morto afastado do seu lar, já que
encontrariam alimento animal o suficiente no meio do caminho, ou talvez fossem por eles devorados, ou certamente congelariam!!!
                         Saíra aos gritos... Talvez com estes espantasse as bestas animais da floresta, ao mesmo tempo em que ameaçadormente empunhava o ceifador. Mas o resultado fora essencialmente o contrário (embora também tenha sido ouvida pelo marido): alertara os mortos, que por ali rondavam, quanto a sua presença. Sons terríveis foram ouvidos por si, sons cada vez mais próximos!!! Salmac estava a cortar lenha, quando ouvira os desesperados gritos de sua amada esposa. Não estava tão distante do local e compreendera de imediato que algo de estranho ocorrera. Empunhou, de forma imediata e atenta, a inseparável espada azul. Postou-se em direção ao estábulo, onde sabia que encontraria seus entes queridos em provável perigo. Sua visão, do alto do monte de pinheiros em que se encontrava, fora terrível: os malditos mortos já cercavam sua esposa e filhos. Seu urro de raiva fora colossal, dado em uma tentativa de desviar a atenção daqueles malditos devoradores de almas. Sua espada empunhada encontrava já um braço rígido, rígido pela vontade de cortar imediatamente a cabeça daqueles animais!!! Seus passos apressados  em direção aos mesmos não fora por menos... Sabia que os mortos eram rápidos ao perfurarem acima da cabeça de suas vítimas, um ponto que reúne toda a saída de energia do corpo e do qual tinham pleno conhecimento de como sugar a alma.
                         Fora bem rápida a aproximação de Salmac. Seu grito de luta apenas despertara a atenção de uns dois, enquanto os outros cinco cercavam seus entes amados. Eram sete, ao todo,  os que teria de enfrentar e, antes da dupla que viera em sua direção, seu primeiro intuito fora o de derrubar primeiramente os que ameaçavam seus filhos e esposa. Ao se aproximar, observara a interposição dos dois mortos, que olhavam para Salmac de forma ameaçadora. Um leve toque de suas bocas em sua parte posterior da nuca já seria o suficiente para o iniciar do sugar da alma. Os olhos em lágrimas já faziam demonstrar o temor de Salmac pela sorte de seus entes queridos. Sua esposa havia conseguido se livrar de dois, cortando suas cabeças, mas o voltar dos outros três em sua direção o fizera concluir que não estavam mais, os amados, vivos. Seu choro, que antes era de desespero pela impotência alimentada pela distância, tornou-se agora de mais puro ódio!!! Nunca aqueles terríveis seres imaginaram encontrar um adversário tão terrível e ameaçador quanto as suas forças. A espada de azul tornara-se vermelha após os poucos golpes desferidos contra os pescoços  dos zumbis. Vermelha pelo sangue que jorrava dos corpos mortos, desmembrados que eram  pela espada de Salmac. Conhecia ele a única forma de se eliminar os mortos: decepando-lhes a cabeça. A afiada lâmina de sua espada, forjada por seu bisavô, a muito não sentia o gosto do sangue.  Pois já se faziam quase cem anos desde a última grande batalha naquela região.
                         Cansou-se após o cair do último zumbi. Mas ainda tinha forças em seu âmago, dirigindo-se em direção à esposa e filhos que estavam desfalecidos ao chão. Suas frágeis cabeças estavam abertas, tinha sido tarde demais!!! Seu choro é acompanhado de ódio e remorso por suas mortes. Sentia-se culpado!!! Dessa forma, volta a lâmina da espada contra seu próprio corpo no intuito de matar-se ao lado de sua querida amada e filhos. Mas tão logo, de joelhos, postou-se a fazê-lo, sentiu acima de sua nuca uma sucção que fez seus vastos loiros cabelos levantarem-se pela força: era um morto que aproximara-se sorrateiramente e que estava faminto por sua alma. De sua barriga, Salmac virara velozmente a espada em direção à cabeça do facínora, em um movimento circular contrário e para cima, rachando a cabeça do nefando ao meio.
                         Aquela sua pronta resposta o fez repensar na possibilidade de suicídio. Seria inútil naquele momento, sendo que  sua vingança contra aquela raça não estaria completa. Resolve então sair vagando até o setor comercial de sua cidade, após enterrar os frágeis corpos dos amados. Enterra-os junto aos chocalhos, que são simbólicos instrumentos de defesa para as suas novas existências etéreas... Resolvendo tornar-se um caçador inveterado de mortos, todos estes que cruzassem em seu caminho seriam terminantemente executados. Para Salmac:  o egoísmo  humano tornara todo o belo Rito de Eternidade em um grande erro, talvez desde o começo, por encontrar como manipulador de seu poder o homem, que a partir de então quis se auto-classificar, em um extremo egocentrismo, como o “centro do universo.” Principalmente agora  que os aterrorizantes atos dos mortos fugiam de controle. Um erro que deveria ser corrigido. E sendo a luta de Salmac pela eliminação de todos, havia nesta resolução uma questão de Honra para si.
                         Após uma semana de caminhada por entre a floresta, conseguira chegar ao setor central de sua cidade: um pequeno clarão na floresta, de onde partiam as embarcações para as cidades abaixo do rio e por onde eram escoados os produtos a serem utilizados no escambo. A entrada e a saída das poucas pessoas e mercadorias se davam por aquela região. Fora assim que Salmac chegara à Taverna, imaginando o porque da alegria daqueles jovens, que não sabiam o perigo que os espreitava. A tristeza estava em seus olhos, e todos ali evitavam incomodar um homem triste, por receio, pois não era algo comum naquela próspera região...
                         Salmac permanecia calado, observando e pensando numa maneira de agir ainda naquele dia. Poderia reunir fortes e honrados homens, com eles saindo em caçada aos mortos. Mas estava exausto naquele momento, antes de tudo. Só não imaginara que sua ida até ali servira ao propósito dos mortos, que o seguiram como isca até a civilização mais próxima, tão ingrata fora sua surpresa com o adentrar de um alarmado concidadão avisando quanto a aproximação dos zumbis à cidade. Eram muitos, em dezenas!!!
                         Salmac prontamente levantou-se. Era necessário lutar!!! Sabia que sua morte estava próxima. Mas, independente de tudo, não o importava mais que morresse lutando. Era a Honra de sua Família, de seu sangue, em jogo!!! Com sua majestosa lâmina azul em mãos, levanta-se, dirigindo-se para o exterior da Taverna. Lá estavam os zumbis fazendo mais inocentes vítimas. A visão era perturbadora pois pareciam muito mais que as dezenas anunciadas pelo afoito homem na taverna...  Olhou à sua volta: os mortos aparentavam vir da região Nordeste, onde as desérticas terras eram desprestigiadas e seus cidadãos  somente viviam do comércio. Não era uma região pobre, mas corrupta e tomada por seres desonrados da pior estirpe.
                         Também notara Salmac que mais algumas dezenas de homens de valor postavam-se para defender suas vidas com espadas, lanças, arcos e machados em punho pelas ruas da cidade. Eram todos vizinhos seus, camaradas de noitadas de vinho e de festas em honra aos deuses pagãos. Também tinham esposas e filhos em sua maioria, alguns com uma ascendência familiar naquela região muito mais antiga que a própria família de Salmac. Reconhecendo-os, bradou em alto som a pequena frase: “Camaradas, estes seres a cerca de uma semana assassinaram minha mulher e filhos sem piedade. Agora mesmo podem estar atacando os seus. Por isso, vos digo: não tenham piedade, pois a única forma desses zumbis caírem é cortando suas cabeças. Vossas afiadas e seculares espadas, em defesa da Honra e da Verdade, devem prevalecer neste instante!!! Por isso, vos digo: ao ataque!!!” Estava, assim, iniciado o combate. Urros dos mais terríveis foram ouvidos dos aldeões, segundo narrativas da época, que partiram em direção, de forma viril, aos mortos. Todos com suas belas e milenares armas em punho!!!
 

(continua em Resistência da Tradição, publicada em O Caminho do Bardo II)
 



 
Esfera Venusiana:
 
Ó, bela Deusa do Amor, quantas mentiras mais
teremos que ouvir contra tua verdadeira e real paixão?
Teu amor a mim causa muitas saudades... Saudades quais
não mais suporto aturar em tempos de propalada devassidão...
 
Devassidão do verdadeiro amor que se acabou,
no tempo em que a ganância se vangloriou.
 
Procuram-se sorrisos fáceis, carros do ano, roupas da moda,
quão miserável é a estética desta maldita roda!!!
 
Perdeu-se o Amor, só há a mentira e o oportunismo.
É o que a Mim aparenta, Eu que estou só no mundo...
O Amor hoje é nivelado pela riqueza material, algo imundo.
O supérfluo é o que dita a regra deste difundido jogo sujo!!!
 
Mas Tua beleza é pura, ó querida Vênus amada.
Beleza esta por nenhuma outra, até o momento, nivelada.
 
O ideal do belo encontro em Teu amor.
Amor este que estou a buscar com todo Meu real ardor!!!
 
Com um profundo desespero Te invoco, Vênus amada!!!
O verdadeiro amor não estará perdido enquanto Tua órbita
por mim, e  em quase loucura, for resgatada!!!
Amo-Te!!! Não Te quero como um troféu déspota.
 
Em verdade Te amo... E a estabilidade, não profano.
Estabilidade esta que está perdida, por culpa do material amor mundano.
 
O amor mundano que nivela tudo pela riqueza externa, material,
esquecendo-se de quanto é ainda mais bela a riqueza Interior, Espiritual.
 
 


 
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