16 - VOCABULÁRIO TRANSFORMACIONAL

REPRODUÇÃO PERMITIDA DESDE QUE MENCIONADA A FONTE

Nelly Beatriz M. P. Penteado (*)

 

Recebemos informações do mundo através dos cinco sentidos. Essas informações (imagens, sons, sabores, odores, sensações) precisam ser categorizadas, precisam receber uma etiqueta, um nome, para serem compreendidas.

É como se as palavras que utilizamos fossem pastas de um imenso arquivo. Quando, por exemplo, vemos uma maçã, comparamos esta imagem com todas as imagens que estão no arquivo até chegarmos à pasta cujo nome é "maçã". Abrimos a pasta, comparamos as imagens que estão dentro dela com a imagem captada por nossos olhos e concluímos que aquilo é de fato uma maçã

O arquivo a que nos referimos acima contém pastas para sons, odores, sabores, imagens, sensações, sentimentos, e possui particularidades interessantes. Se nós não possuirmos, por exemplo um sentimento como "amor" em nosso arquivo, não seremos capazes de compreendê-lo, de experimentá-lo e também não o reconheceremos no mundo e nas pessoas.

Podemos inclusive afirmar que a língua falada num país molda sua cultura, seus valores, seus habitantes. Exemplo: O que é felicidade para um americano capitalista e para um monge tibetano? E o que é "levar vantagem" no Brasil? Quando uma nação tem a mesma interpretação ou tradução para uma palavra ou expressão (como "levar vantagem") esta interpretação programa a todos da mesma maneira. Um outro exemplo seria a força da palavra "reconstrução" no Japão do pós-guerra.

As palavras que usamos têm o poder de aumentar, diminuir e modificar nossas reações à experiência que estamos vivendo. Como você classifica (denomina, representa) a experiência de ter um pneu furado? "Terrível"? "Um transtorno insuportável"? Ou "Um pequeno imprevisto"? As palavras que você utilizar definirão a maneira como você vai interpretar a situação e também como você vai se sentir. Num outro exemplo, três pessoas descrevem sua situação de desemprego como "Estou desempregado", "Estou procurando uma nova oportunidade" e finalmente a terceira diz "Estou temporariamente sem ocupação remunerada". Conseqüentemente, cada uma delas se sente e reage de forma diferente diante da mesma situação.

A esta altura, você pode estar dizendo "Não é só um jogo de palavras? Que diferença faz?" A resposta é que se tudo o que você fizer for mudar a palavra, então a experiência não muda. Mas se o uso da palavra fizer com que você analise a experiência por um outro ângulo, então tudo muda.

Se você tem o hábito de dizer que odeia as coisas ("odeia" seus cabelos, "odeia" seu trabalho, "odeia" ter de fazer alguma coisa) aumenta a intensidade de estados emocionais negativos mais do que se usasse uma frase como "Eu prefiro ..." Da mesma forma, como muda sua experiência interna se você muda a expressão "Estou exausto" para "Estou recarregando a bateria"? Ou "Estou perdido" para "Estou procurando"? Ou ainda "Estou com ciúmes" para "Estou transbordando de amor"?

Crie seu próprio vocabulário transformacional mudando palavras que comumente você usa e que acabam por deixá-lo num estado ruim. Encontre palavras que possam colocá-lo numa direção mais positiva.

  (*) Nelly Beatriz M. P. Penteado é Psicóloga e Master Practitioner em Programação Neurolingüística (PNL).

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