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"Eu esperava que O Retorno de Jedi fosse um filme mais sombrio. Luke Skywalker seria finalmente seduzido pelo lado negro da Força e enfrentaria o conflito entre obter o poder absoluto e manter a lealdade a seus amigos. Não escondo minha decepção." Não, essas palavras não são as palavras de um algum fã desapontado com o final da trilogia Guerra Nas Estrelas. Elas vêm de Mark Hamill, o próprio Luke. Hamill diz que, quando perguntou a Geoge Lucas o motivo de encerrar a trilogia de forma tão festiva, a resposta foi um impaciente "Isto é um conto de fadas, e eles sempre têm final feliz." |
O restante do mundo não se preocupou muito com esses detalhes: o que os fãs queriam era ver a amarração do que ficara em aberto no final de O Império Contra Ataca - principalmente o destino de Luke Skywalker. Muito havia mudado durante os três anos que separaram o segundo episódio de O Retorno de Jedi. Com o sucesso de Os Caçadores da Arca Perdida no currículo, Harrison Ford já se tornara um astro e Indiana Jones e oTemplo Da Perdição já estava engatilhado. O restante do elenco tinha de se conformar com a mais completa obscuridade já que, além de Ford, ninguém conseguiu emplacar um sucesso fora da trilogia - descontado aí Alec Guinness, que já tinha uma gloriosa carreira bem antes de Lucas descobrir o que era uma câmera.
A produção do filme também foi uma das mais complicadas, especialmente as cenas ambientadas no deserto de Tatooine (filmadas no Arizona) a bordo das naves flutuadoras de Jabba. A equipe fazia o impossível para manter os milhares de curiosos afastados do set - chegando a erguer uma cerca de arame farpado, vigiada 24 horas ao dia. Além disso foram enviadas notas à imprensa dizendo que o que se estava produzindo no local era Blue Harvest - Horror Beyond Your Imagination, um filmeco B para drive-ins.
Outras medias foram tomadas para coibir a pirataria de produtos relacionados ao filme. O título utilizado durante as filmagens foi The Revenge of The Jedi - ou "A Vingança do Jedi" mas o próprio Lucas admitiu que nunca adotaria um título como esse, pois "um Jedi nunca se vinga, a não ser que queira passar para o lado negro".
Mas a alegria geral que fecha a trilogia se reflete ao menos no entusiasmo da platéia pelos efeitos especiais, que a cada filme se tornaram mais rebuscados. Há dois momentos mágicos nesta continuação. Um deles é a batalha terrestre em Endor, com os andadores imperiais AT/ST enfrentando os rebeldes e Ewoks. Há mais movimentos de câmera do que a batalha de Hoth, que abre O Império Contra Ataca. A outra inovação tecnológica- e um dos pontos altos do trabalho de Richard Marquand - parece antever uma geração de filmes com o ritmo acelerado dos video-games: os efeitos especiais usados durante as perseguições com as "Speeder Bikes" em meio às densas florestas de Endor. É vibrante acompanhar, em câmera subjetiva, as imagens em alta velocidade passando por aquelas motos voadoras, pilotadas por soldados imperiais e por Luke, Leia e o ewok Wicket.
Apesar
das críticas, O Retorno de Jedi cumpriu o prometido, dando um
desfecho digno para cada personagem. Este terceiro episódio se
mostrou o filme mais rico da trilogia nas prateleiras das lojas,
contribuindo assim para a expansão do universo Guerra Nas
Estrelas - que, a esta altura, já não parecia estar situado em
uma galáxia tão distante assim.
