Ambiente
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Ambiente Introdução | As alternativas | Mudança de atitude | E...em Portugal? | Conclusão
Em cada gesto e actividade do nosso quotidiano, a energia está presente e
sem ela o mundo pararia
O mundo produz actualmente o petróleo necessário para as necessidades
correntes. Mas, se o gastássemos à média actual, teríamos petróleo para
mais 100 anos. Infelizmente, as necessidades energéticas mundiais têm tido
um crescimento contínuo ao longo dos últimos 50 anos e a maior parte dos
observadores julga que esta tendência se irá manter.
Não se pode saber com exactidão a quantidade de energia que
será necessária no futuro, mas no princípio do século XXI as necessidades de
petróleo e de gás serão certamente superiores ás reservas existentes.
Soluções para a crise energética residem no desenvolvimento tanto das actuais, como de novas fontes de energia. Um país sensato utilizaria uma variedade de fontes de energia, mas actualmente não existem meios tecnológicos capazes de substituir o petróleo, principalmente como combustível básico da indústria petroquímica. As centrais nucleares poderiam fornecer grande parte da electricidade necessária, mas o mundo disporia, eventualmente de pouco urânio. Se as reservas de urânio fossem suficientes e, mais importante ainda, se se conseguisse a segurança dos reactores-geradores contínuos, a geração de energia deixaria de ser um problema durante centenas de anos. Mas por outro lado, e ao que tudo indica, se a energia nuclear for posta de lado, por razões de segurança ou de natureza ecológica, as fontes renováveis teriam que cobrir a diferença. Há muitos países que ainda possuem um vasto potencial hidroeléctrico. A construção de centrais baseadas nas forças das marés constitui uma alternativa viável desde que a tecnologia utilizada permita produzir energia em quantidade suficiente para ter significado nos fornecimentos mundiais de energia. Não existe ainda tecnologia desenvolvida que permita aproveitar e explorar as grandes reservas mundiais de petróleo bruto de má qualidade, de alcatrão mineral e de xistos betuminosos. Serão certamente objecto de pesquisa que permitam no futuro serem exploradas com maior profundidade e, sobretudo, com rentabilidade. Os biocombustíveis, como o metano e o álcool, podem também satisfazer as necessidades energéticas de alguns países possuidores das condições climatéricas apropriadas, tornando-se importantes fontes de combustível para os meios de transporte.
Em meados do século XXI, as energias renováveis terão de contribuir para o consumo humano de energia em quantidade pelo menos igual à da energia fóssil convencional. Isto resulta do presente impacto que as energias fósseis têm hoje em dia sobre o ambiente, das consequências da explosão demográfica, e das pressões da necessidade de desenvolvimento dos povos. Implicará uma mudança de atitude cultural, indispensável se quisermos um futuro que proporcione, de forma equilibrada, a qualidade de vida a que todos têm direito, e a que muitos estão habituados actualmente. Uma visão desta natureza está profundamente associada às questões da gestão da procura de energia, da qual a utilização racional de energia é um caso particular. Para lá do facto de o mundo futuro ter de considerar todas as transformações possíveis da tecnologia e das fontes convencionais de energia, não poderá deixar de ter uma atitude radicalmente diferente na utilização da própria energia, a qual está associada a uma outra limitação da Natureza:
O potencial de redução de consumo de energia para um resultado equivalente em termos de conforto ou qualidade de vida é enorme. Este é um caminho muito importante para o futuro.
Entre o consumo médio dos veículos que circulam nas estradas dos Estados
Unidos e o melhor protótipo actualmente existente que faça um uso racional
da fonte de combustível, há uma diferença de um factor de 4. Isto
aplica-se também a frigoríficos (factor 4), sistemas de ar
condicionado(factor 3), etc...
Gerimos a procura de energia.
Explorar as suas vantagens, em particular o facto de já estarem distribuídas, dispensando as grandes infra-estruturas de distribuição que a produção centralizada de energia exige. É claro que o caminho não é fácil, pois importa mudar os hábitos de consumo e adoptar novos procedimentos. É necessário passar de uma visão do lado da oferta, em que a energia é vista como ilimitadamente disponível e como um bem de consumo por excelência, para uma outra em que ela não constitui um fim em si, mas apenas um meio para obter um resultado/serviço, para o qual importa escolher, não uma energia qualquer, mas a que melhor se adapta.
Portugal importa entre 80 e 90% da energia que utiliza, dependendo do impacto que em cada ano a energia hidroeléctrica tem, o qual varia com a quantidade de precipitação. O consumo per capita de energia em Portugal situa-se entre o da Espanha e o do México, deixando no ar a ideia de que teremos de consumir muito mais energia para nos aproximarmos, em qualquer aspecto, do resto dos países europeus. Basta pensar no desconforto dos edifícios em que vivemos e na qualidade de vida proveniente de uma melhor climatização para se entender a ideia de que deve ser preciso consumir mais. Por outro lado, à luz do que dissemos antes, em Portugal o aumento do consumo per capita pode e deve ser minimizado, recorrendo a uma política de gestão da procura de energia, em especial em termos de consumos evitados. Neste particular os edifícios são um excelente exemplo: se os concebermos, construirmos e isolarmos melhor, e se soubermos tirar partido da disponibilidade do sol no inverno, evitando-o no verão, podemos em muitas circunstâncias não precisar de energia extra para o nosso conforto. Um outro exemplo será o planeamento urbano e o seu impacto sobre a necessidade de transportes e o consumo de energia nesse sector - talvez o de maior crescimento actualmente. O consumo de energia por unidade de Produto Interno Bruto tem vindo a aumentar em Portugal nos últimos anos, tendência contrária à da maioria dos países da União Europeia. Isto demonstra que há muito a fazer em matéria de utilização racional de energia. A inversão da tendência é difícil de conseguir, mas urge iniciá-la, pois é a própria competitividade da indústria portuguesa que está em jogo. Algumas concessões que os diversos governos europeus obtiveram nesta matéria - por exemplo, Portugal pode aumentar até 2005 o seu nível de emissões de dióxido de carbono em 40% - são vantajosas apenas na aparência, pois adiam o esforço que teremos de fazer no futuro, e não nos põem a explorar desde já procedimentos e gestão da procura, muitas vezes sem custos extra, que resolveriam o problema, em Portugal mais facilmente do que nos outros países, devido ao facto de estarmos atrasados em processos, mas não em conhecimentos e domínio da tecnologia.
As energias renováveis constituem o único recurso energético que nos é próprio. De algumas estamos abundantemente providos : energia solar e biomassa. Também temos, de uma maneira geral, boa tecnologia e engenharia. As oportunidades de actividade industrial e comercial, com impacto social e económico, que de podem vislumbrar são excelentes, uma vez que uma política energética virada para o desenvolvimento das energias renováveis comece a dar frutos. Um aspecto particularmente importante é o da possibilidade de criação e desenvolvimento de mercados externos para os equipamentos e para a engenharia portuguesa nestas áreas, desde que se desenvolva a penetração das energias renováveis nos países em vias de desenvolvimento, o que consideramos inevitável.
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Este site foi actualizado a 04-Jan-2002