Soneto
I
"Apre! não metas todo... Eu mais não
posso..."
Assim Márcia formosa me dizia;
- Não sou bárbaro (à moça eu respondia)
Brandamente verás como te coço:
"Ai! por Deus, não mais, que é grande! e grosso!
Quem resistir ao seu falar podia
Meigamente o coninho lhe batia;
Ela diz "Ah meu bem! meu peito é vosso!"
O rebolar do cu (ah!) não te esqueça
Como es bela, meu bem! (então lhe digo)
Ela em suspiros mil a ardência expressa:
Faz por te unir muito ao meu umbigo;
Assim, assim... menina, mais depressa!...
Eu me venho... ai ai Jesus!... vem-te comigo!
Soneto II
"Mas se o pai acordar!... (Márcia dizia
A mim que à meia noite a trombicava)
"Hoje não... (continua, mas deixava
Levantar o saiote, e não queria!)
Sempre em pé a dizer: "Então, avia...
Sesso à parede, a porra me aguentava:
Uma coisa notei, que me arreitava,
Era o calçado pé, que então rangia:
Vim-me, e assentado num degrau da escada,
Dando alimpa ao caralho, e mais à greta
Nos preparámos para mais porrada:
Por variar, nas mãos meti-lhe a teta;
Tosse o pai, foge a filha... Oh vida errada!
Lá me ficou em meio uma punheta!
Soneto III
Num capote embrulhado, ao pé de Armia,
Que tinha perto a mãe o chá fazendo,
Na linda mão lhe fui (oh céus) metendo
O meu caralho, que de amor fervia:
Entre o susto, entre o pejo a moça ardia;
E eu solapado os beiços remoendo,
Pela fisga da saia a mão crescendo,
A chama sacana lhe fazia:
Entra a vir-se a menina... Ah! que vergonha!
"Que tens? - lhe diz a mãe sobressaltada:
Não pode ela encobrir na mão langonha:
Sufocada ficou, a mãe corada:
Finda a partida, e mais do que medonha
A noite começou da bofetada.
Soneto IV
Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombra subtis pachacho estreito:
De louro pêlo em círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branca crica, nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito:
A voraz porra as guelras encrespando
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrados:
Como é inda boçal, perde os sentidos:
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.
Soneto V
Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia noite na janela:
Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de neve os dois pimpolhos:
Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.
Soneto VI
Vem cá, minha Marília, tão roliça,
Co'as bochechas da cor do meu caralho,
Que eu quero ver se os beiços embaralho
Co'esses teus, onde amor a ardência atiça:
Que abrimentos de boca! Tens preguiça?
Hospeda-me entre as pernas este malho
Que eu te ponho já tesa como um alho
Ora chega-te a mim, leva esta piça...
Ora mexe... que tal te sabe, amiga?
Então foges c'o sesso? É forte história!
Ele é bom de levar, não é viga.
"Eu grito!" (diz a moça merencória).
Pois grita, que espetada nesta espiga
Com porrais salvas cantarei vitória.
Soneto VII
Dormia em sono solto a minha amada,
Quando eu pé ante pé no quarto entrava:
E ao ver a linda moça, que arreitava,
Sinto a porra de gosto alvoraçada:
Ora do rosto eu vejo a nevada
Pudibunda bochecha, que encantava;
Outrora nas maminhas demorava
Sôfrega, ardente vista embasbacada:
Porém vendo sair dentre o vestido
Um lascivo pezinho torneado,
Bispo-lhe as pernas e fiquei perdido:
Vai senão quando, o meu caralho amado
Bem como Enéias acordava Dido,
Salta-lha ao pêlo, pra seguir seu fado.
Soneto VIII
Eram seis da manhã; eu acordava
Ao som de mão, que à porta me batia;
"Ora vejamos quem será"... dizia,
E assentado na cama me zangava.
Brando rugir de seda se escutava,
E sapato a ranger também se ouvia...
Salto fora da cama... Oh! que alegria
Não tive, olhando Armia que arreitava!
Temendo venha alguém, a porta fecho:
Co'um chupão lhe saudei a rósea boca,
E na rompente mama alegre mexo:
O caralho estouvado o cono aboca;
Bate a gostosa greta e rubro queixo,
E a matinas de amor a porra toca.
Soneto IX
Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia:
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:
Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde o Amor seu torno erguia;
Entretanto em desejos ela ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:
C'o dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho me embalava;
"Mais depressa" - lhe digo então morendo.
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.