
Mestrado em Lingüística
Dissertações Defendidas
ANA PAULA GONÇAVES
"ASPECTOS MORFOSSINTÁTICOS RELATIVOS AO USO DOS PRONOMES NA VARIEDADE MINEIRA DO PORTUGUÊS DO BRASIL: O PRESENTE COMPROVA O PASSADO"
Partimos, neste trabalho, da hipótese geral de que o uso dos pronomes na fala da variante mineira do Português do Brasil (PB) não é uniforme, havendo, pois variação em seu uso, e que a estrutura transformacional que leva a determinadas variantes não-padrão e não previstas pelas normas das Gramáticas Tradicionais (GTs) não são inovadoras, já que repetem a diacronia da língua, motivo pelo qual se torna possível analisar o passado por dados colhidos e analisados no presente.
Para comprovar tal hipótese, nos baseamos na teoria de LABOV (1996) em que o presente explica o passado, através de dados colhidos e analisados no presente, em tempo aparente, e também na pesquisa sociolingüística variacionista que vem sendo desenvolvida por ZÁGARI e apresentada em congressos, principalmente na área fonético-fonológica e lexical, e também na morfossintática, cujos resultados serão publicados no III volume do Esboço de um Atlas Lingüístico de Minas Gerais (EALEMIG). Trabalhamos com dados obtidos desta pesquisa, cuja metodologia utilizada foi a gravação em áudio e posterior transcrição de questionários, dentre outros, morfossintáticos aplicados a três regiões mineiras, escolhidas por nós por representarem os três falares de Minas, quais sejam, o mineiro, o paulista e o baiano, denominados por ZÁGARI (1998).
Primeiramente, traçamos um panorama geral acerca do quadro do sistema nominal do latim, situando o emprego que os pronomes obtiveram na passagem do latim clássico para o vulgar. E, de posse dos dados comprobatórios da variação no sistema pronominal da variedade mineira do PB, listamos algumas semelhanças nos mecanismos da mudança operada no passado e das variações que estão a ocorrer no presente, evidenciando a semelhança entre os mecanismos que se operam hoje e se operaram ontem, e, por conseguinte, que através de dados obtidos no presente se pode vir a comprovar e/ou explicar os do passado.
BEGMA TAVARES BARBOSA
"REPARO TEXTUAL E IDENTIDADE COMUNICATIVA: UM ESTUDO SÓCIO- COGNITIVO DO DISCURSO CONVERSACIONAL"
Este estudo procurou investigar o reparo na fala enquanto operação determinada pelas pressões do contexto interativo.
Para análise desse fenômeno escolhemos um evento comunicativo no qual os trabalhos da face constituem ações lingüísticas particularmente relevantes, voltadas para a minimização da assimetria caracterizadora do encontro.
A análise das estratégias de (re)formulação da fala permitiu-nos associar algumas categorias de reparo a fenômenos como a perda da palavra ou o controle do discurso.
DALCYLENE DUTRA LAZARINI
"DO DEBATE À PRODUÇÃO ESCRITA ARGUMENTATIVA: UM ENFOQUE ENUNCIATIVO-DISCURSIVO"
A presente dissertação pretende mostrar como ocorre a construção da argumentação oral e escrita em sala de aula. Este trabalho tem como principais parâmetros teóricos a Teoria da Enunciação desenvolvida por Bakhtin (1953/1994) e a proposta de tipologização de gêneros textuais de Dolz e Schneuwly (1996), enfatizando a capacidade de argumentar na transmissão e construção de saberes diversos.
Objetivamos estudar e analisar o processo de produção discursiva argumentativa de produções escolares, mediado pelo professor e pelos gêneros do discurso, sob perspectiva sócio-enunciativo-discursiva bakhtiniana.
Para tal estudo, discutimos criticamente os principais conceitos relacionados à argumentação, a fim de destacarmos os marcadores lingüístico-discursivos que serviram de facilitadores na construção dos movimentos argumentativos (sustentação/justificação, refutação e negociação).
A análise da construção argumentativa dos gêneros (debate oral, carta de solicitação e de opinião) demonstra o entendimento da continuidade dialógica e polifônica que perpassa a construção dos enunciados orais aos escritos, pois, é nesse processo que se dá a complexificação dos gêneros.
DINOLÉIA RIBEIRO GUIMARÃES
"ESTRATÉGIAS DE REPRESENTAÇÃO TEMPORAL EM NARRATIVAS ESCRITAS DE 1ª A 4ª SÉRIE- IMPLICAÇÕES COGNITIVAS"
O trabalho investiga, num estudo longitudinal, os recursos utilizados por alunos de 1ª e 4ª série, para representarem o tempo e a seqüenciação dos textos narrativos escritos em sala de aula. O estudo se limita às estratégias de representação temporal e seqüencializadoras do texto, que são: os seqüencializadores temporais e, aí, então e depois; as expressões lexicais e sintagmáticas (nominais e preposicionais); as construções finitas e não - finitas.
ELAINE PONTES MIRANDA
"OS INDÍCIOS COMO MARCAS IDEOLÓGICAS EM TEXTOS DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL"
Na pesquisa, observam-se os indícios em uma perspectiva sócio-construtivista como marcas estilísticas importantes, por revelarem aspectos ideológicos e por apresentarem, como singulares, os textos produzidos.
Teoricamente, discutem-se alguns conceitos como "discurso, ideologia, signo, dialogia, polifonia e vozes"; e, como modelo de análise, adota-se o paradigma indiciário para demonstrar como, em contato com diferentes esferas sociais, os alunos são capazes de transformar em idéias próprias, as idéias alheias.
ELDA APARECIDA M. DA FONSECA
"CONSTRUÇÕES FINITAS TEMPORAIS, STATUS INFORMACIONAL E ORDENAÇÃO LINEAR: UMA ABORDAGEM COGNITIVA"
O objeto deste trabalho é o estudo da ordenação linear das construções finitas temporais iniciadas por "quando", em textos narrativos, em relação às cláusulas principais. O objetivo foi identificar os aspectos que orientam a ordenação linear de construções prototipicamente temporais nesse gênero de texto, explicando-os pelo enfoque do discurso e da cognição. O suporte teórico usado foi a teoria dos Espaços Mentais, de Fauconnier, e o trabalho de Chafe sobre discurso, consciência e tempo. As análises mostraram essas construções aparecendo preferencialmente em posição pré-cláusula principal, o que evidenciou sua função de construtor de espaço temporal para os eventos da principal, ao mesmo tempo em que atuou como importante elo coesivo no discurso, veiculando informações semi-ativas.
FERNANDA APARECIDA R. MEIRELES
"ENQUADRE E MAPEAMENTO: A CONTRAFACTUALIDADE SOB O ENFOQUE SÓCIO-COGNITIVO"
Nossa análise focalizou o problema da projeção sob a ótica sócio-cognitiva, abordando especificamente construções contrafactuais que, entre outras coisas, sofrem processos de enquadramento provocados pela presença de um texto verbal adjacente. Observamos ainda uma alternância entre o uso de formas verbais de Futuro do Pretérito e Imperfeito do Indicativo, a qual é sinalizadora de postura e distanciamento epistêmico. Ressaltamos, com isso, a concepção dramática de representação do significado e mostramos, também, que a construção do significado se dá sob bases neurobiológicas ativadas pela contextualização histórica do sujeito.
FERNANDA MOISÉS P. DOS SANTOS
"A CONSTRUÇÃO RELATIVA NA ESCRITA ESCOLAR"
Este trabalho propõe uma análise do processo de letramento de alunos entre a 1ª e 7º série do 1º grau, marcada por uma crescente complexidade sintática. Esta evolução traduz-se, entre outras marcas, por uma significativa alteração quantitativa e qualitativa das construções relativas nas produções escritas escolares.
LÚCIA HELENA FURTADO MOURA
"O PAPEL DO ENQUADRE COMUNICATIVO NA PRODUÇÃO DA ESCRITA ESCOLAR"
O presente trabalho estuda as escritas produzidas por alunos de 1ª série do segundo grau (Curso de Magistério) do Colégio de Aplicação João XXIII- UFJF nos meses de outubro e novembro/1995, nas aulas de Português e de Geografia, com o objetivo de analisar o tipo de sensibilidade dos alunos à moldura comunicativa adotada pelos professores.
As especificidades apresentadas nas instruções dos professores e nas resoluções dos alunos, deixam-nos perceber uma diferença de abordagem no ensino da escrita, com métodos e técnicas próprios para cada uma destas práticas pedagógicas.
Utilizamos como pressupostos teóricos os estudos de "frames"(enquadres) desenvolvidos por Fillmore, Tannen (1993) e Brown e Yule (1991).
LUCIANA TEIXEIRA
"A RELAÇÃO ORALIDADE ESCRITA: EVIDÊNCIAS DE QUE A CRIANÇA, EM FASE DE ALFABETIZAÇÃO NÃO SE UTILIZA APENAS DA PERCEPÇÃO FONÉTICA DA FALA PARA REPRESENTAR A ESCRITA"
No presente estudo, adotamos o princípio de que a relação entre os sons da fala e sua representação gráfica não se processa de forma direta. Nossa tese é a de que tal relação é mediada pela competência Lingüística do alfabetizado, sendo a base sobre a Qual é construído o conhecimento acerca da escrita.
Apontamos evidências, de que a criança de um modo geral, não só recorre à oralidade para fazer hipóteses sobre a escrita, mas também usa a escrita dinamicamente, a fim de elaborar propostas de representação que se constituirão, com o tempo, em representações canônicas da língua.
Com este trabalho, reafirmamos a importância das conhecimentos fonológicos para alfabetizadores e professores de língua portuguesa, a despeito dos equívocos e do pouco espaço dedicado a esse conteúdo nos manuais tradicionais.
LUCILENE HOTZ BRONZATO
"A ABORDAGEM SÓCIO-COGNITIVA DA CONSTRUÇÃO DE DESTRANSITIVIZAÇÃO: O ENQUADRE DA INTERDIÇÃO"
Se a produção do significado sentencial não é simplesmente o resultado da soma dos significados dos itens lexicais, é preciso identificar os fatores que estão envolvidos nessa tarefa. Nosso trabalho objetiva mostrar que diferentes domínios conceptuais interagem, mesclam-se e criam novos significados a partir de estratégias otimizadas. Entre esses diferentes domínios estão as Construções Gramaticais, que representam , na verdade, esquemas genéricos a serem especificados pelas entradas lexicais. Na análise de predicadores nuclearmente transitivos que são , em determinadas molduras comunicativas, destransitivizados, a contribuição das Construções no processamento do significado sentencial é notória, pois são elas que, ao mesclarem suas propriedades às dos itens, viabilizam o acesso a Modelo Cognitivo Idealizado de interdição, que disponibiliza específicas instruções pragmáticas capazes de orientar os usuários da língua sobre a adequação do seu discurso em relação à situação de interação da qual participa.
LUIZ FERNANDO MATOS ROCHA
"PROCESSOS COGNITIVOS DE MESCLAGEM NO DISCURSO REPORTADO: O CASO DO DISCURSO DIRETO EM TEXTOS JORNALÍSTICOS ESCRITOS"
Esta dissertação investiga casos de discurso direto coletados em corpus jornalístico, sob a ótica da Teoria dos Espaços Mentais (FAUCONNIER 1994, 1997), mais especificamente em relação ao Processo Cognitivo de Mesclagem (FAUCONNIER e TURNER 1996, 1997), adaptado por SALOMÃO (1999) para discurso reportado. Dessa forma, propõe-se um detalhamento da proposta de SALOMÃO na tentativa de especificar as construções cognitivas arquitetadas pelas expressões lingüísticas de discurso direto, sugerindo-se que os tipos de discurso reportado não são categorias estanques, mas pontos em uma escala de perspectivização. Argumenta-se que o discurso reportado constitui uma representação-da-repreentação a partir da mesclagem de Modelos Cognitivos Idealizados (MCIs), referentes ao discurso do redator (EGO 1) e do falante reportado (EGO 2). A proposta é que, em discurso direto, o espaço-mescla será sempre composto de EGO 1 e ENUNCIADO 2, embora o ENQUADRE apresente elementos de 1 e 2. A análise contrastiva do uso de discurso direto em matérias sobre esporte e política dos jornais "Folha de São Paulo" e "O Globo" demonstrou que o encaixe de discurso direto precedido de indireto sinaliza enquadre mais marcado da fala reportada do que o uso de discurso direto simples.
MARIA CRISTINA WEITZEL TAVELA
"A CONTRIBUIÇÃO DA SIGNIFICAÇÃO LEXICAL NA INTERPRETAÇÃO DA LEITURA"
Se considerarmos que o objetivo primeiro da linguagem é a comunicação, vale ressaltar que tal comunicação não se faz pela simples troca de idéias ou de significações prontas entre os envolvidos no processo. As significações não se encontram previamente estruturadas na mente das pessoas. Na verdade, elas são o resultado de um processo de construção. Dessa forma, os participantes de uma comunicação são construtores solidários do sentido, considerado o conceito de sentido como condição cognitiva que permite a representação intersubjetiva das situações "reais".
Assim, palavras ou expressões não significam, mas nos prontificam a construir significado através de específico trabalho de interpretação. O significado de uma sentença não está nas palavras que a constituem, pois estas, se tratadas em independência dos modelos cognitivos disponibilizáveis e dos processos e estratégias que a elas se aplicam, "querem dizer" absolutamente nada.
Portanto, todo leitor, e particularmente o aluno-leitor, será potencialmente capaz de desencadear estratégias compreensivas, aplicadas inclusive a expressões lexicais
MARILDA CLARETH B. DE OLIVEIRA
"A METÁFORA E A LEITURA DE POESIAS EM CONTEXTO ESCOLAR"
A leitura de poemas não constitui um processo mecânico de tradução de sentidos literais, denotativos ou referenciais em sentidos conotativos, emotivos ou poéticos no intuito de se obter efeitos estéticos ou retóricos. A interpretação de poesias, na escola ou em qualquer contexto, é um ato discursivo que pressupõe trabalho elaborativo, fundado em relações inferenciais e cognitivas, a partir da linguagem poética.
Enfocada como um fenômeno cognitivo, a metáfora requer elaboração conceptual e/ou imagética como uma das condições para a construção e da expressão de significados nem sempre acessíveis imediatamente aos seus usuários. Saber operar metáforas poéticas possibilita o acesso a estratégias cognitivas e metacognitivas imprescindíveis não só para a construção de sentidos de textos poéticos, mas para a formação de leitores críticos, autônomos, capazes de pensar, refletir, estabelecer as mais diversas hipóteses interpretativas como sujeitos de suas próprias experiências enquanto procede às mais variadas leituras.
MAYRA BARBOSA GUEDES
"ESPAÇOS MENTAIS, LEITURA E PRODUÇÃO DE RESUMOS"
Este estudo investiga a aplicação das estratégias de leitura, treinadas em um curso de Francês Instrumental, na tarefa de produção de resumo de um texto em Língua Materna (LM).
Contrapondo-se o desempenho de um grupo experimental (10 estudantes de Francês voltado para a comunicação nas quatro habilidades), verificou-se que os estudantes treinados para a leitura em Língua Estrangeira (LE) utilizaram as estratégias no sentido de captar a estrutura essencial do texto, definida nos termos da teoria dos espaços mentais. A partir dessa constatação, pode-se portanto afirmar que o treinamento em estratégias interfere positivamente na recuperação das pistas lingüísticas que promovem uma leitura mais eficaz.
PAULA MARTINS COSTA
"O PAPEL DAS ESTRATÉGIAS DISCURSIVO-INTERACIONAIS EM ACAREAÇÕES"
Este estudo tem como objeto as funções discursivo-interacionais das estratégias verbais utilizadas pelas partes envolvidas – reclamante/reclamado/mediador – em acareações no Procon, cujo objetivo é o de descrever e analisar as contribuições de fala, nessa interação triádica, focalizando as características estruturais e interacionais dos atos de fala, nessa situação de conflito, negociação e produção de acordos.
Dentre as características estruturais das acareações, focalizamos as repetições e as interrupções que estão a serviço das metas comunicativas que orientam as partes envolvidas. Por outro lado, selecionamos, nesse contexto, as estratégias de trabalho de face enquanto mecanismos interacionais que sinalizam as faces reivindicadas. Podemos verificar que há uma clara relações entre tipo de atividade, papel dos participantes e metas comunicativas.
PAULO HENRIQUE GOLIATH
"PONTO DE VISTA E REFERÊNCIAS NOMINAIS DEFINIDAS EM NARRATIVAS ESCRITAS"
Este trabalho assume uma perspectiva cognitivista na investigação das referências nominais definidas em Português. Argumenta-se que a noção de identificabilidade associada a tais referências é função do ponto de vista adotado pelo falante/redator. Admitindo-se que determinadas estratégias de adoção de ponto de vista são mais complexas do que outras, foram contrastadas redações de Ensino Fundamental e Médio. Os resultados demonstraram que, no Ensino Fundamental, privilegiam-se estratégias que adotam o ponto de vista do Espaço-Base, levando-se em conta o conhecimento compartilhado por redator e leitor. Já no Ensino Médio, aparecem também recursos expressivos que adotam apenas o ponto de vista do redator e estratégias de deslocamento de ponto de vista para espaços criados a partir da base.
REGINA CÉLIA M. S. BRODBECK
"A CONSTRUÇÃO DO PROCESSODE REFERENCIAÇÃO EM CONTEXTO DE APRENDIZAGEM DE LÍNGUA ESTRANGEIRA: UMA ABORDAGEM SÓCIO COGNITIVA"
Esse trabalho quer investigar as estratégias utilizadas por alunos de Língua Estrangeira no processo de construção e negociação da referenciação.
Postulando-se o processo de significação como atividade cognitiva e assumindo-se a sua vinculação com o contexto comunicativo dentro do qual ele se dá, a pesquisa observa que o processo de referencial é basicamente um processo de rotulação quando o enquadre interacional é o enquadre escolar clássico; e que ele é um processo de construção quando o enquadre interacional favorece e permite atuações racionais significativas dos interlocutores.
Entende-se então, que os alunos serão bastante competentes, em suas interações orais, nessas atividades de construção e negociação da referenciação sempre que a moldura interacional for organizada e orientada de modo a garantir o uso lingüístico como um uso cognitivo, intersubjetivo e comunicativo
ROSANA VIDAL
"A SEGMENTAÇÃO DA ESCRITA NO PROCESSO DA ALFABETIZAÇÀO"
Análise dos problemas de hipo e hiper-segmentação em narrativas de crianças em fase de letramento, de uma escola rural em Juiz de Fora. Os problemas de segmentação da escrita estão relacionados aos critérios morfológicos, sintáticos, semânticos, fonológicos e discursivos da língua.
As crianças utilizam critérios distintos para resolver localmente a utilização dos espaços em branco. Entretanto existe a tentativa de regularizar a escrita, o que torna possível analisar cada critério utilizado, dentro dos sintagmas da língua.
TEREZINHA MARIA BA. SANTOS
"A CONSTRUÇÃO DA REFERENCIA EM TEXTOS INFANTIS: UMA ABORDAGEM COGNITIVA"
Este trabalho apresenta um estudo longitudinal de redações escolares produzidas por alunos de 1ª a 3ª séries do colégio de Aplicação João XXIII, da UFJF, no período de 1991 a 1993, e se orienta por objetivos: analisar como a criança constrói o significado a partir da organização referencial do texto escrito, e investigar em que medida a escolha de recursos lingüísticos de expressão da referência para negociação de representações mentais se correlaciona com a consciência metacognitiva dos redatores. Para isto, tomamos como suporte teórico a teoria cognitivista da referência e significado em espaços mentais, introduzida por FAUCONNIER(1994), na taxonomia de informações dadas e novas no discurso discutida por PRINCE (1981), nas vinculações entre formas de expressão da referência a situações cognitivas informacionais diferenciadas propostas por BROWN e YULE (1983) e nos estudos de LAMBRECHT (1994) sobre graus de ativação e identificabilidade dos referentes mentais no discurso.
SANDRA APARECIDA DE FARIA
"ESCOLHA MODO-TEMPORAL NA TRADUÇÃO DE CONSTRUÇÕES CONDICIONAIS DO INGLÊS PARA O PORTUGUÊS: UMA ABORDAGEM SÓCIO-COGNITIVA"
O trabalho enfoca a tradução de construções condicionais do inglês para o português, a partir de uma perspectiva sócio- cognitivista. Os resultados demonstram que a seleção do presente do indicativo ou do futuro do subjuntivo em português evidencia processos cognitivos específicos de armação de espaços mentais.
SILVANIA MARIA DE O. MANSO
"A SÓCIO - CONSTRUÇÃO DA ESCRITA NAS SÉRIES INICIAIS DA ENSINO FUNDAMENTAL"
São objetos deste estudo o processo de autonomia do texto escrito e o papel da oralidade, das ilustrações e da interação dos pares envolvidos nesse processo de apropriação da linguagem pala criança, enquanto instrumentos mediadores.
A partir da teoria "sócio- histórica" fundamentada nos estudos de Vygotsky e Bakhtin, analisamos "qualitativamente" enunciados escritos produzidos por alunos de 1ª e 2ª séries do ensino básico, em atividades discursivos de produção de texto diversos.
Concluímos que a aprendizagem construção da escrita abrange todo um processo de apropriação/construção enunciativo - discursivo, mediado pela oralidade, e que gera uma nova função psicológica.
TEREZINHA CRISTINA C. DE RESENDE
"DA ABÓBORA À CARRUAGEM: A CONSTRUÇÃO DO LETRAMENTO"
O estudo parte da investigação do processo de construção do letramento e toma como referência a construção do discurso narrativo oral, mediado por práticas enunciativas de leitura e recontagem de histórias (contos maravilhosos e contos de fadas). Seu objetivo é a análise dos movimentos discursivos e dos recursos lingüísticos presentes nesse processo.
Dentro do enfoque da pesquisa qualitativa, toma como sujeitos duas meninas de 5 anos, de diferentes inserções culturais, levando em conta a história da constituição social do uso da leitura no contexto em que estão inseridas. Busca o referencial teórico e as categorias de análise, principalmente, na interlocução com dois autores russos: Mikail Bakhtin (1895-1975) e Lev Semenovich Vygotsky (1896-1935), visto que ambos vêem o sujeito como um ser que se constrói no social, na cultura e na história, por meio de sua interação com o outro.
A análise do processo de construção do letramento propiciou a observação da emergência do discurso narrativo monologizado, constituído através da polifonia, que traz as marcas da complexidade dialógica. Além disso, possibilitou entrever o amálgama dos gêneros primário e secundário envolvidos nesse processo.
MARIA TEREZINHA REIS PINHOLI
"A PRODUÇÃO ESCRITA NO ENSINO MÉDIO: um processo discursivo"
Nossa dissertação investiga e analisa textos produzidos por alunos da série final do Ensino Médio e os níveis de interlocução, conteúdo e forma dos produtos, resultados de propostas escolares tarefeiras, comparando-os com os produtos das propostas feitas por nós, em que procuramos implementar uma produção de textos que contemplasse gêneros textuais de domínio público que circulam na sociedade ( carta de solicitação, instrução/prescrição ) e um outro tipo de texto , específico dos exames vestibulares ( texto opinativo).
Para tanto, teoricamente, fomos buscar a abordagem sócio-histórica de Vygotsky ( 1934/1996 ) que trata o conhecimento humano como produto histórico e social ( a relação entre pensamento e palavra é dialética) , ligada à abordagem sócio-ideológica de Bakhtin ( 1929/1995) em que, pela sua Teoria da Enunciação, a linguagem é dialógico-enunciativa, constituída pelo fenômeno da interação verbal. Fundamentamo-nos, ainda, nos trabalhos de Dolz & Schneuwly ( 1996) para nosso embasamento teórico sobre os gêneros do discurso.
Seguimos uma metodologia de ordem "qualitativa" ao analisarmos os textos produzidos dentro da rotina escolar e os textos propostos por nós, ligados às exigências sociais. Nossa pesquisa teve como sujeitos alunos da 3a. série dos cursos do Ensino Médio – Científico , Técnico em Contabilidade e Magistério – de uma escola pública e uma escola particular, de dois municípios vizinhos, tendo em vista os produtos que essas escolas oferecem à comunidade.
Nossa análise aponta para a importância de se mudar as atividades privilegiadas na escola, de caráter formal, e que se mostraram ineficientes. Concluímos que é importante a concepção de escrita como processo enunciativo e discursivo, em que se privilegia o trabalho com os gêneros sociais ( de domínio público), incluindo nos currículos seu ensino progressivo, "em espiral" ( Dolz & Schneuwly,1996). Isto é, temos como implicações pedagógicas a necessidade de se rever as propostas de redação, não apenas como tarefas escolares, mas como processo interlocutivo real, baseadas em situações concretas e próximas da realidade/necessidade do aluno, que contemplem os gêneros textuais diversos que circulam nas diversas instituições sociais.