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Cerca de dois mil produtos aguardam registro no Ministério da Saúde brasileiro, número quase 10 vezes maior do que o disponível no mercado atualmente. Além disso, muitas pessoas procuram chás e compostos naturais para tratar os mais diferentes males. Mas os especialistas alertam que: "O uso inadequado das plantas pode acarretar danos à saúde".

Entre os males que podem ser combatidos com a ajuda da natureza estão a pressão alta, queimaduras, cortes na pele, gripe, tosse e prisão de ventre. Muitos defensores das plantas medicinais também pregam seu uso para tratar doenças como câncer e diabetes, mas até agora não existe comprovação científica dos resultados. O ideal é sempre manter o acompanhamento médico e evitar a automedicação.

O capim-cidró, por exemplo, é um bom tranqüilizante, mas pode fazer mal para quem sofre de pressão baixa. O uso de plantas mais cáusticas como losna deve ser bem-orientado para evitar irritação de olhos e mucosas, por exemplo.

PRECAUÇÕES

Ao comprar um medicamento fitoterápico, ou seja, à base de plantas, desconfie de produtos que prometem curas milagrosas ou de uma infinidade de doenças. Tudo indica que são fraudes. Avalie se a embalagem está em boas condições, sem amassados ou partes rompidas.

Verifique o número de inscrição do medicamento no Ministério da Saúde. Muitos fitoterápicos se auto-intitulam "isentos de registro" junto ao Ministério da Saúde, sem na verdade ter direito a esse privilégio. Sempre prefira os devidamente registrados.

Todo medicamento deve ter o nome de um farmacêutico responsável e uma bula com a identificação do produto, informações ao paciente em linguagem leiga, informações técnicas do medicamento e dizeres legais como endereço da empresa e CGC.

Ao fazer uso de plantas medicinais: jamais abandone o tratamento da medicina convencional. Utilize as plantas como complementação, mantendo seu médico informado.

Não espere curas milagrosas e não faça experiências por conta própria. Somente use plantas que conhece bem. Se não é familiarizado com a tradição popular do uso dessas substâncias, procure um especialista na área, biólogo, botânico, farmacêutico ou agrônomo para esclarecimentos.

Não colete plantas em locais onde se usa agrotóxico, à beira de rio poluído ou junto a estradas (os gases do cano de descarga podem impregnar os vegetais). Evite utilizar misturas de plantas medicinais. Nem sempre o modo de preparo para todas é o mesmo.

Durante a gravidez, somente use plantas medicinais sob orientação médica para evitar riscos à gestante e ao feto.

PLANTAS TÓXICAS

Pessoas com pouca experiência em identificação e manipulação de plantas devem buscar aconselhamento especializado antes de consumir qualquer substância.

Assim como os próprios vegetais com propriedades medicinais podem trazer algum problema se utilizados incorretamente, o leigo corre o risco de fazer uso de uma planta tóxica. Nesse caso, existe até perigo de vida.
Mesmo quem não aplica a fitoterapia deve conhecer as plantas que tem na sua casa ou ao redor dela para prevenir acidentes. Se houver alguma espécie tóxica, ela deve ser mantida em local seguro.

Em caso de haver crianças no ambiente, o melhor pode ser até substituir a folhagens perigosas por outras menos agressivas. Quem quer usar plantas medicinais deve ter muito cuidado para não se confundir e acabar usando uma planta tóxica.

Algumas espécies comuns no Estado podem até levar à morte, como a mandioca-brava, a mamona e o pinhão-de-purga. A coroa-de-Cristo, muito comum em jardins, causa lesões na pele e nas mucosas em caso de contato com sua seiva esbranquiçada. Plantas com seiva branca e espessa geralmente são cáusticas e podem provocar irritação, mas não existem testes visuais seguros para indicar se uma planta é ou não venenosa.

PERIGO VERDE

Aprenda a identificar algumas plantas de alta toxicidade mais comuns:

  • Maria-mole ou flor-das-almas: a ingestão provoca dor abdominal, náuseas e vômitos. Causa também alterações no fígado, icterícia (amarelão) e lesões na pele.
  • Trombeteira, saia branca ou cartucheira: tem veneno nas folhas e nas flores. Pode causar vômitos, rubor da face, boca seca, agitação, alterações visuais e de comportamento.
  • Espirradeira: todas as partes da planta são perigosas. A ingestão causa dor e queimação na boca, salivação, náuseas, vômitos intensos, cólicas abdominais, diarréia e tonturas.
  • Coroa-de-Cristo: contato com a seiva pode causar lesão na pele, nas mucosas, inchaço de lábios e língua, queimação e coceira. Nos olhos, provoca irritação, lacrimejamento, inchaço das pálpebras e dificuldades de visão. A ingestão pode causar náuseas, vômitos e diarréia.
  • Cinamomo: veneno amargo presente nos frutos. A ingestão pode provocar aumento de salivação, náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarréia severa.
  • Mandioca-brava: a ingestão da raiz responde pela maioria dos envenenamentos. Causa náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia, dificuldade para respirar, sonolência e tonturas. Pode levar à morte.
  • Mamona: veneno está nas sementes. Pode provocar náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarréia com sangue. O contato causa queimação na garganta e irritação na pele. Pode levar à morte.
  • Chapéu-de-napoleão: todas as partes da planta são perigosas. Veneno provoca alterações cardíacas e neurológicas, queimação na boca, salivação, náuseas, vômitos intensos, cólicas abdominais, diarréia e tonturas.
  • Copo-de-leite: veneno está nas folhas e talos. Ingestão e contato podem causar irritação em lábios e língua, inchaço, salivação abundante, dificuldade para engolir e asfixia. Contato com olhos pode gerar irritação e lesão da córnea.
  • Comigo-ninguém-pode: veneno está nas folhas e talos. Ingestão e contato podem causar irritação na boca, salivação e asfixia. Nos olhos, pode provocar lesões na córnea e irritação.
  • Pinhão-de-purga: veneno está na semente do fruto, semelhante a uma ameixa. Ingestão provoca dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia com sangue. Envenenamento grave, pode levar à morte.


Fonte: Centro de Informação Toxicológica

Dra. Daniela F. Mazzer
Farmacêutica Bioquímica - CRF 26.360
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