O autor

Pequena bio-bibliografia de Manuel da Fonseca

Vida 

Nasce em Santiago do Cacém, em 15 de Outubro de 1911 e morre em Lisboa em 11 de Março de 1993. .

Desde criança, interessa-se pela leitura e pela escrita. Completa a instrução primária em Santiago do Cacém e continua os estudos em Lisboa, frequentando mais tarde a Escola de Belas Artes. Volta sempre de férias ao seu Alentejo, a Santiago do Cacém. A aldeia, o "largo" da aldeia alentejana, volta sempre como na poesia que transcrevemos:

Aldeia

Nove casas,

duas ruas,

ao meio das ruas

um largo,

ao meio do largo

um poço de água fria.

T udo isto tão parado

e o céu tão baixo

que quando alguém grita para longe

um nome familiar

se assustam pombos bravos

e acordam ecos de descampado.

Os seus primeiros empregos são no campo do comércio. Aprecia o desporto dedicando-se ao toureio, florete e espada e boxe. Em 1925 publica os primeiros versos num semanário de província.

Colabora em várias revistas literárias como: Pensamento, Vértice, Sol Nascente e Seara Nova.

Torna-se um dos representantes mais importantes do movimento literário neo-realista. que escolhe uma literatura "empenhada", de crítica social, preferindo a narração crua e directa dos acontecimentos A propósito desse movimento, transcrevemos um extracto tirado da última entrevista concedida a um semanário de Lisboa:

A última entrevista :

- O Manuel da Fonseca é considerado um precursor do neo-realismo em Portugal. Há um tempo atrás afirmou que não era tanto assim, neo-realismo era uma palavra que nem lhe passava pela ideia...
MANUEL DA FONSECA - E assim é! Sinto-me mal em relação a isso. Eu nem sequer disse que era neo-realista. Foram os críticos que acharam que eu era neo-realista, eu não disse nada. No fundo, era um indivíduo que lá tinha a minha ideia sobre o que seria - isso era antes uma palavra para defesa da vida e à defesa da Censura. Foi uma palavra que o Joaquim Namorado arranjou para fugir à Censura.

. - Se tivesse de lhe dar um nome, qual seria?

M.F. - Talvez dissesse antes uma literatura de realismo dialéctico, mas não sei.

Obra

Autor de poesias, romances, contos, a maior parte incidindo sobre a realidade do Alentejo. Citamos alguns títulos:

Rosa dos Ventos, (poemas), 1940

Planície (poemas), 1942

Aldeia Nova (contos), 1942

Cerromaior (romance), 1943

O Fogo e as Cinzas (contos), 1951

Seara de Vento (romance), 1958

Tempo de Solidão ( contos), 1973

Crónicas Algarvias (contos), 1986

Fotografias

Santiago do Cacém Manuel da Fonseca Manuel da Fonseca Capa de um romance

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