O narrador e a narrativa

Vamos observar neste conto qual a função, a presença e a focalização adoptadas.

Quanto à presença:

Narrador participante/não participante?

Trata-se de um narrador participante, autodiegético, portanto escrito na 1ª pessoa, com carácter autobiográfico. Ele próprio é uma personagem fundamental para o desenvolvimento da acção, o protagonista da mesma.

Narrador omnisciente/observador?

O narrador é um observador dos factos, vivendo parte dos mesmos. Não sabe mais do que a sua própria participação lhe permite. Seguindo uma focalização interior,conta, evoca na primeira pessoa as coisas que sabe, a que assistiu, que lhe contaram ou que sofreu. Ignora, porém, o que ainda pode vir a acontecer, a razão por que aconteceu, qual a explicação para aquela tragédia.

Narrativa aberta/fechada?

Fechada, de certo modo, pois o narrador não nos deixa muitas aberturas por onde possam escapar -ele ou os outros. Determina o "fim" dos acontecimentos, o destino até à morte, desaparecimento, de algumas personagens.

Podemos, no entanto, interrogar-nos no final: Voltará um dia André Juliano? E o narrador, o que vai ser dele? "Só resto eu", diz ele, mas o que poderá ainda acontecer? E Antoninha das Dores, a sua amada?

A possível "abertura" estará em cada um de nós, na capacidade que tivermos de a inventar, ao ler um conto...

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