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FILOSOFIA
 
 
 

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   "Filosofar � dar sentido � experi�ncia."

 


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O que � Filosofia?


Conhecendo a Gr�cia Antiga


Os Primeiros Fil�sofos: Os J�nicos

Tales de Mileto

Seneca

 

 


  
    A Filosofia originou-se da inquieta��o gerada pela curiosidade humana em compreender e questionar os valores e as interpreta��es comumente aceitas sobre a sua pr�pria realidade. Tem seu ber�o na Antiga Gr�cia, promovendo assim a passagem do "saber m�tico" ao "pensamento racional", sem, entretanto, romper bruscamente com todos os conhecimentos do passado. Assim, a passagem do mito � raz�o "significa precisamente que j� havia, de um lado, uma l�gica do mito e que, de outro lado, na realidade filos�fica ainda est� inclu�do o poder do lend�rio". Modernamente a Filosofia � uma disciplina, ou uma �rea de estudos, que envolve a investiga��o, an�lise, discuss�o, forma��o e reflex�o de id�ias (ou vis�es de mundo) a um n�vel geral, abstrato ou fundamental.

    A Filosofia � representada pela letra grega Fi  (que encabe�a a nossa p�gina) e pela coruja.

   Entre os povos que desenvolveram escritas fon�ticas ou ideogram�ticas, as principais tradi��es filos�ficas s�o a filosofia hindu, a filosofia chinesa e a filosofia ocidental (� prov�vel que povos que n�o desenvolveram tais tipos de escrita tamb�m tivessem algum tipo de tradi��o filos�fica).

   Quando afirmamos que a Filosofia nasceu na Gr�cia, devemos tornar esta afirma��o mais precisa. Afinal, nunca houve, na Antiguidade, um Estado grego unificado. O que chamamos de Gr�cia nada mais � que o conjunto de muitas Cidades-Estados (polis) gregas, independentes umas das outras, muitas vezes rivais e com marcantes desn�veis culturais e econ�micos. No vasto mundo grego, a Filosofia teve como ber�o a cidade de Mileto, situada na J�nia, no litoral ocidental da �sia Menor.

  
Localizando a Gr�cia

  
    A partir do s�c. VI a.C. a situa��o hist�rica da Gr�cia permitiu o surgimento de uma nova maneira de propor e solucionar problemas, depois difundida por toda a cultura ocidental. Libertando-se das formas tradicionais de explica��o da realidade - at� ent�o baseadas em cren�as religiosas e apresentadas atrav�s de mitos - , os gregos passaram a utilizar a raz�o para descobrir as causas dos fen�menos. E come�aram a construir teorias, que tendiam a abarcar todos os tipos de indaga��es - desde as relativas � origem e ao funcionamento do Universo, � natureza do homem e a seu papel dentro do cosmo, at� �s mais diversas atividades humanas (conhecimento, conduta moral, a��o pol�tica, linguagem, arte, etc.).

   A palavra "filosofia" resulta da uni�o de outras duas palavras: "philia", que significa "amizade", "amor fraterno" (n�o no sentido er�tico) e respeito entre os iguais e "sophia", que significa "sabedoria", "conhecimento". De "sophia" decorre a palavra "sophos", que significa "s�bio", "instru�do". Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Assim, o "fil�sofo" seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber. A tradi��o atribui ao fil�sofo Pit�goras de Samos (que viveu no s�culo V antes de Cristo) a cria��o da palavra.

   Perguntado, pelo pr�ncipe Leonte, qual era a natureza da sua "sabedoria", Pit�goras respondera: sou, apenas, um fil�sofo. Com essa resposta, ele desejava esclarecer que n�o tinha a posse da sabedoria. Humildemente, assumia a posi��o de ser um "amante do saber", algu�m que procura a sabedoria, que busca alcan�ar a verdade.

   Com o decorrer do tempo, entretanto, a palavra filosofia foi perdendo esse seu significado etimol�gico. Na pr�pria Gr�cia Antiga, o termo filosofia passou a designar n�o apenas o amor ou a procura pela sabedoria, mas um tipo especial de sabedoria. Que ela que nasce do uso met�dico da raz�o, da investiga��o racional em busca do conhecimento.

   O saber filos�fico passou a designar, na Gr�cia Antiga, a totalidade do conhecimento racional desenvolvido pelo homem. Abrangia, portanto, os mais diversos tipos de conhecimentos, que se estendiam pela Matem�tica, Astronomia, F�sica, Biologia, L�gica, �tica, etc. Enfim, todo o conjunto dos conhecimentos racionais integrava o universo do saber filos�fico. � Filosofia interessava conhecer toda a realidade sem dividi-la em objetos espec�ficos de estudo.

   Na hist�ria ocidental, esse significado amplo e universalista do saber filos�fico manteve-se, de modo geral, no decorre da Idade M�dia. Poucas �reas separaram-se da Filosofia, como a Teologia, por exemplo, que se desenvolveu enquanto estudo espec�fico a respeito de Deus.

   Durante a Idade Moderna, entretanto, o vasto campo da Filosofia entrou num processo de redu��o, na medida em que a realidade a ser conhecida passou a ser dividida, recortada, despertando estudos especializados. Gradativamente, conquistaram autonomia muitas ci�ncias particulares, que se desprenderam do tronco comum do abrangente saber filos�fico.

   Didaticamente, a Filosofia divide-se em:   

  • L�gica: trata da preserva��o da verdade e dos modos de se evitar a infer�ncia e racioc�nio inv�lidos.
  • Metaf�sica ou ontologia: trata da realidade, do ser e do nada.
  • Epistemologia ou teoria do conhecimento: trata da cren�a, da justifica��o e do conhecimento.
  • �tica: trata do certo e do errado, do bem e do mal.
  • Filosofia da Arte ou Est�tica: trata do belo.

  

    A filosofia ocidental tem uma longa hist�ria. Ela costuma ser dividida em quatro grandes eras:

  

  • Filosofia antiga - inicia por volta do s�culo VI a.C. e vai at� a queda de Roma, incluindo fil�sofos como Plat�o.
  • Filosofia medieval - aproximadamente at� o final do s�culo XV e Renascen�a.
  • Filosofia moderna - per�odo p�s-medieval at� o in�cio do s�culo XX.
  • Filosofia contempor�nea - engloba a filosofia do s�culo XX at� os dias de hoje.

  


  

       OS PR�-SOCR�TICOS

   De acordo com a tradi��o hist�rica, a fase inaugural da Filosofia grega � conhecida como per�odo pr�-socr�tico. Este per�odo abrange o conjunto das reflex�es filos�ficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) at� S�crates 9468-399 a.C.). Caracterizada por m�ltiplas influ�ncias culturais e por um rico com�rcio, a cidade de Mileto abrigou os tr�s primeiros pensadores da hist�ria ocidental a quem atribu�mos a denomina��o fil�sofos. S�o eles: Tales, Anaximandro e Anax�menes. A preocupa��o comum desses primeiros fil�sofos era descobrir, com base na raz�o e n�o na mitologia, o princ�pio substancial (a arch�, em grego) existente em todos os seres materiais. Isto �, pretendiam encontrar a "mat�ria-prima" de que s�o feitas todas as coisas. Esse "arch�" era os n�meros, para os pitag�ricos, ou o a-peiron (uma "coisa" incriada e sem um come�o), para Anaximandro.

   Ao apresentarem explica��es fundamentadas em princ�pios para o comportamento da natureza, os pr�-socr�ticos chegam ao que pode ser considerado uma importante diferen�a em rela��o ao pensamento m�tico.

   A primeira tend�ncia propriamente filos�fica na hist�ria do pensamento grego � representada pela assim chamada "Escola J�nica", assim chamada por ter florescido nas col�nias j�nicas da �sia Menor. Essa escola floresceu precisamente em Mileto, col�nia grega do litoral da �sia Menor, durante todo o VI s�culo, at� a destrui��o da cidade pelos persas no ano de 494 a.C., prolongando-se por�m ainda pelo V s�culo, redividida em Escola J�nica Antiga (Tales, Anaximandro e Anax�menes) e Escola J�nica Nova (Her�clito, Emp�docles, Anax�goras). Os antigos j�nios se ocuparam apenas do elemento primordial da constitui��o de todas as coisas, sem muito se preocuparem com as causas das transforma��es: para Tales o elemento primitivo era a �gua, que disse ser divina, para Anaximandro era o indefinido, para Anax�menes era o ar. Os da Escola J�nica Nova desenvolveram o problema das causas que operam as transforma��es no elemento primitivo; estas causas j� n�o seriam de �ndole teol�gica, � maneira como o mundo era explicado pelos mitos.

   Os gregos j�nicos estavam em contato com a P�rsia e com a �ndia. � a primeira escola do per�odo naturalista, preocupando-se os seus expoentes com achar a subst�ncia �nica, a causa, o princ�pio do mundo natural m�ltiplo e mut�vel. � considerado fundador da Escola J�nica Tales de Mileto, que viveu provavelmente entre 624 e 546 a.C. Tales n�o deixou nada escrito.

  

 

 


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