GRÉCIA ANTIGA
(Berço da Filosofia)


CONTEÚDO:    

    INTRODUÇÃO

    Desde a própria Antiguidade confrontam-se duas linhas de interpretação: a dos “orientalistas”, que reivindicam para as antigas civilizações orientais a criação de uma sabedoria que os gregos teriam depois apenas herdado e desenvolvido; e a dos “ocidentalistas”, que viam na Grécia o berço da filosofia e da ciência teórica. Interessante é observar que os próprios gregos dos séc. V e IV a.C., como Platão e Heródoto, estavam ciosos da originalidade de sua civilização no campo científico-filosófico, embora reconhecessem que noutros setores, particularmente na arte e na religião, os helenos tinham assimilado elementos orientais. Nos gregos do período alexandrino ou helenístico, porém, desaparece essa pretensão de absoluta originalidade, e altera-se a visão que os próprios gregos têm de sua cultura devido à perda da liberdade política e a inclusão da Grécia nos amplos impérios macedônio e romano. A grande maioria dos historiadores tende hoje a admitir que as conquistas esparsas e assistemáticas da ciência empírica e pragmática dos orientais só começa a tomar corpo teórico com os gregos.

    Grécia e Roma constituem as civilizações da Antiguidade Ocidental. Uma das características mais importantes das sociedades grega e romana é que elas se organizavam tendo como base o trabalho escravo. Toda produção agrícola e artesanal – além das demais atividades econômicas e dos serviços domésticos – estava a cargo de escravos, diferentemente do que ocorria nas civilizações orientais.

    Grécia Antiga é o termo geralmente usado para descrever, em seu período clássico antigo, o mundo grego e áreas próximas (como Chipre, Turquia, Sicília, sul da Itália e costa do Mar Egeu, além de assentamentos gregos no litoral de outros países). Não existe uma data fixa ou sequer acordo quanto ao período em que se iniciou e terminou o período denominado “Grécia Antiga”. O uso comum situa toda história grega anterior ao Império Romano como pertencente a esse período. Alguns escritores incluem o período minóico e o período micênico (entre 1600 a.C. e 1100 a.C.) dentro da Grécia Antiga, enquanto que outros argumentam que essas civilizações eram tão diferentes das culturas gregas posteriores que, mesmo falando grego, devem ser classificadas à parte.

    Tradicionalmente, o período da Grécia Antiga abrange desde o ano dos primeiros Jogos Olímpicos em 776 a.C. (alguns historiadores estendem o começo para o ano de 1000 a.C.) até à morte de Alexandre Magno em 323 a.C. O período seguinte naquela região da Europa é o do Helenismo.

    Estas datas são convenções dos historiadores e alguns autores chegam mesmo a considerar a Grécia Antiga como um período presente até ao advento do Cristianismo, no terceiro século da era cristã.

    Na Antiguidade, o lugar que hoje chamamos de Grécia era conhecido por Hélade; os gregos se autodenominavam helenos (todos que falavam grego, mesmo que não vivessem na Grécia Continental). A denominação “Grécia” provém da palavra latina graeci, sendo-lhes atribuída pelos romanos. Era este o nome de um dos povos que habitavam a Hélade. A denominação acabou se generalizando e chegando até os dias atuais.

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    GEOGRAFIA

    A civilização grega surgiu e se desenvolveu na península Balcânica, que se projeta da Europa, no Mediterrâneo oriental. A partir do II milênio a.C., essa península foi habitada por povos indo-europeus, vindos talvez da Ásia Central e divididos em quatro grandes grupos: aqueus, eólios, jônios e dórios. Embora o território inicial dos gregos tenha sido a península Balcânica, o antigo mundo grego abrangeu também cidades fundadas na Ásia Menor, no norte da África, no sul da península Itálica e no sul da península Ibérica. Fragmentada em pequenas unidades, em conseqüência do relevo, que dificulta agrupamentos regionais e inclui na comunicação. O Peloponeso é separado do continente pelo canal de Corinto e em suas regiões mais úmidas desenvolve-se a agricultura, com destaque para a vinha e a oliva.

    A península Balcânica caracteriza-se por um relevo montanhoso, através do qual correm pequenos rios em várias direções, formando vales estreitos e planícies pouco extensas. Esse tipo de relevo reduz as áreas cultiváveis, que se limitam a 1/5 do território da península. Além disso, as montanhas dificultam a comunicação terrestre entre as regiões da Grécia, que por isso ficaram isoladas umas das outras. Cerca de 80% da Grécia é território montanhoso ou, pelo menos, acidentado. A maior parte do país é seca e rochosa. Só 28% da terra é arável. O lendário monte Olimpo (Macedônia) é o ponto mais alto da Grécia, atingindo 2 917 m acima do nível do mar; aí, segundo a mitologia, situava-se a morada dos deuses.

    O clima da Grécia, como o de todo o sul da Europa, é do tipo mediterrâneo, com invernos rigorosos e chuvosos, verões quentes e secos. Esse tipo de clima também dificultou a agricultura, que se limitava, na Grécia Antiga, ao cultivo da vinha, da oliveira e da figueira. Somente nas planícies era possível cultivar trigo e outros cereais. Em compensação, o litoral da península é muito recortado e, por isso, possui bons portos naturais, oferecendo ótimas condições para a navegação e o comércio. Além disso, a península Balcânica está próxima da ilha de Creta, da Ásia Menor e do Egito, o que facilitou o contato comercial entre gregos e as grandes civilizações orientais antigas.

    BACIA DO MEDITERRÂNEO – O mapa apresenta as terras banhadas pelo mar Mediterrâneo, no qual se projetam três penínsulas: a península Ibérica, a península Itálica e a península Balcânica (Uma península, do latim paene (quase) e insula (ilha), é uma formação geográfica consistindo de uma extensão de terra de uma região maior que é cercada de água por quase todos os lados, com exceção do pedaço de terra que a liga com a região maior, chamado istmo).

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    OS PERÍODOS PRINCIPAIS DO PENSAMENTO GREGO

  1. No primeiro período (Naturalista ou Pré-Socrático), o interesse filosófico é levado, naturalmente, para o mundo exterior, material, e aí é procurado o princípio metafísico das coisas. Abrange os séculos VI e V a.C., surgindo e florescendo fora da Grécia propriamente dita, nas prósperas colônias gregas da Ásia Menor, do Egeu (Jônia) e da Itália meridional, da Sicília. A Escola Jônica é também a primeira do período naturalista. Essa escola floresceu precisamente em Mileto, colônia grega do litoral da Ásia Menor, durante todo o VI século, até a destruição da cidade pelos persas em 494 a.C., prolongando-se porém ainda pelo V século. É considerado fundador da escola jônica Tales de Mileto, que viveu provavelmente entre 624-23 e 546-45 a.C.


  2. No século V a.C., com o progresso econômico e político, a preocupação dos filósofos voltou-se para o homem. Sócrates, Platão e Aristóteles foram os pensadores que mais se destacaram nesse período. Sócrates costumava fazer perguntas aos seus discípulos e os conduzia à análise de suas respostas até que eles encontrassem a verdade. Através da crise sofista e da crítica socrática, que puseram em foco os valores humanos e espirituais, determina-se a idade áurea da filosofia grega, o segundo período, denominado Período Sistemático (ou Antropológico): porquanto, nesse período, se concretizam os máximos sistemas do pensamento de Platão e de Aristóteles, em que culmina o pensamento grego.


  3. Depois de Aristóteles, o interesse filosófico do pensamento grego é voltado para o problema moral – cuja solução pressupõe logicamente a solução dos problemas metafísicos: daí ser chamado Período Ético o terceiro período.


  4. A quarta – e última - etapa é denominado Período Religioso, em que domina o Neoplatonismo e, neste, a figura de Plotino. Com o neoplatonismo finda, mesmo oficialmente, o pensamento grego – mais ou menos no tempo da queda do império romano, após doze séculos de vida – mandando Justiniano, imperador do Oriente, fechar a escola neoplatônica de Atenas (529 d.C.). entretanto, os valorese eternos descobertos por esta tradição filosófica não podiam perecer: serão eles conservados e valorizados no pensamento cristão, bem como os grandes valores práticos, jurídicos, descobertos pela civilização romana.
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    OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS

    Os filósofos Pré-Socráticos são, como sugere o nome, os filósofos anteriores a Sócrates. Essa divisão acontece devido ao objeto da filosofia destes filósofos e da novidade introduzida por Sócrates.

    Os jônios foram os primeiros filósofos gregos; surgiram nas florescentes colônias gregas do litoral da Ásia Menor (Jônia) e, em seguida, da Itália meridional (Magna Grécia); para aí se descolocu o centro da vida intelectual grega, depois que os persas subjugaram a Jônia (545 a.C.) e destruíram Mileto (494 a.C.) Jônios foram também os atenienses, os mais dotados dos jônios. Após as guerras contra os persas, no tempo de Péricles (429 a.C.), Atenas tornou-se o centro espiritual, a capital intelectual e moral da Grécia – bem como o centro político democrático do império marítimo e comercial grego.

    Os filósofos reuniam-se ao ar livre com grupos de jovens, conduzindo discussões sobre os mais variados assuntos: os fenômenos da natureza, os números e os cálculos, as vantagens e as desvantagens da democracia, o bem e o mal, o certo e o errado, os mitos, o sentido da vida humana e muitos outros temas.

    O período pré-socrático foi dominado, em grande parte, pela investigação da Natureza, que tinha um sentido cosmológico: a busca de um princípio primordial para todas as coisas existentes. Seguiu-se a este período uma nova fase filosófica, caracterizada pelo interesse no próprio homem e nas relações do homem com a sociedade. Esta nova fase filosófica foi dominada pelos sofistas.

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    OS SOFISTAS

    No século V a.C., também apareceram os chamados sofistas, que perambulavam de cidade em cidade, recebendo em troca de seus ensinamentos o pagamento de uma pequena quantia. Desenvolveram uma admirável capacidade de falar, argumentar e convencer seus ouvintes, pondo em dúvida idéias estabelecidas e consagradas como verdades indiscutíveis. Platão caracteriza a designação de “sofista” como um impostor, caçador interessado em jovens ricos, comerciante didático e atleta em combate verbalístico ou erístico, purificador de opiniões, mas também malabarista de argumentos, mais verossímeis do que verdadeiros, mais sedutores do que plausíveis.

    Os sofistas eram professores viajantes que, por determinado preço, vendiam ensinamentos práticos de Filosofia. Sempre levando em consideração os interesses dos alunos pagantes, davam aulas de eloqüência e de habilidade mental, ensinando conhecimentos úteis para o sucessor dos negócios públicos e privados. As lições dos sofistas não tinham como objetivo o estabelecimento de uma verdade única, mas, sim, o desenvolvimento do poder de argumentação, da habilidade oratória, do conhecimento das doutrinas divergentes; enfim, todo um jogo de raciocínios que seria utilizado na arte de convencer as pessoas, driblando as teses dos adversários.

    Os sofistas são os primeiros a romperem com a busca pré-socrática por uma unidade originária iniciada com Tales de Mileto e finalizada em Demócrito de Abdera (que embora tenha falecido pouco tempo depois de Sócrates, tem seu pensamento inserido dentro da filosofia pré-socrática). A principal doutrina sofística consiste, em uma visão relativa de mundo (o que os contrapõe a Sócrates que, sem negar a existência de coisas relativas buscava verdades universais e necessárias). A principal doutrina sofística pode ser expressa pela máxima de Protágoras de Abdera: "O homem é a medida de todas as coisas". Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade. Estas visões contrastantes com a de Sócrates (que foi adotada também por Platão e Aristóteles, bem como sua "luta" anti-sofista) somada ao fato de serem estrangeiros - o que lhes conferia um menor grau de credibilidade entre os atenienses - contribuiu para que seu pensamento fosse subvalorizado até tempos recentes.

    Temporalmente, os Sofistas são anteriores a Sócrates, pois já havia sofistas antes de Sócrates, contemporâneos a ele e posteriores. Mas o pensamento deles situa-se em uma categoria própria em certas vezes, e relacionados a Sócrates noutras vezes. Isso porque o pensamento de ambos (sofistas e Sócrates) chega a tocar-se muitas vezes; suas diferenças consistem em questões de conduta (os sofistas cobravam por seu ensinamento, por exemplo) e algumas posições (os sofistas eram, no mais das vezes, relativistas, por exemplo). Mas ambos representam uma certa ruptura com os pré-socráticos, que são também chamados de filósofos da physis. São chamados "da physis" porque suas investigações giravam sempre em torno do mundo material, físico; embora não poucas vezes o arché fosse algo não-físico, como os números, para os pitagóricos, ou o a-peiron (uma "coisa" incriada e sem um começo), para Anaximandro.

    Embora tenham sofrido severas críticas dos filósofos, os sofistas tiveram um papel importante na história do pensamento grego. É preciso lembrar que o momento histórico vivido pela civilização grega favoreceu o desenvolvimento dos sofistas. Era uma época de lutas políticas e intenso conflito de opiniões nas assembléias democráticas, e, por isso, os cidadãos mais ambiciosos sentiam necessidade de aprender a arte de argumentar em público para, manipulando as assembléias, fazerem prevalecer seus interesses individuais e de classe.

    A palavra sofista vem do grego sophia (sabedoria) e significa “sábio”. Os pensadores que criticavam os métodos dos sofistas preferiam autodenominar-se filósofos, “amigos da sabedoria”, para marcar sua diferença em relação aos outros. Eles consideravam os sofistas falsos, e, por isso, a palavra sofisma tornou-se sinônimo de raciocínio enganoso e falso.

    NOTA: Etimologicamente, o termo sofista significa sábio. Entretanto, com o decorrer do tempo, ganhou o sentido de impostor, devido, sobretudo, às críticas de Platão.

    Um sofisma em Filosofia é um raciocínio aparentemente válido, mas inconclusivo, pois é contrário às suas próprias leis. Também são considerados sofismas os raciocínios que partem de premissas verdadeiras ou verossímeis, mas que são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentado-a sob esquemas que parecem seguir as regras da lógica. Atualmente, no uso freqüente e do senso comum, sofisma é qualquer raciocínio caviloso ou falso, mas que se apresenta com coerência e que tem por objetivo induzir outros indivíduos ao erro mediante ações de má-fé.

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    PÓLIS: A CIDADE-ESTADO GREGA

    Desde o século VIII a.C., formaram-se pela Grécia Antiga diversas cidades independentes. Em razão disso, cada uma delas desenvolveu seu próprio sistema de governo, suas leis, seu calendário, suas moedas. Essas cidades eram chamadas de pólis, palavra grega que costuma ser traduzida por cidade-Estado (os gregos as denominavam pólis).

    Existiam muitas diferenças entre as cidades gregas; essas cidades nunca chegaram a constituir um Estado unificado. No máximo, em toda a região da Grécia, existiram curtas alianças com objetivos bem definidos, como enfrentar inimigos externos comuns ou para se fortalecer no comércio. A maioria das cidades-estado tivessem seus sistemas econômicos parecidos, com a exceção de Esparta.

    As Cidades-Estado eram governadas pro um rei, que desempenhava, ao mesmo tempo, as funções de chefe político e religioso e de juiz. Um grupo de patriarcas formava o conselho, que auxiliava o rei. Os homens adultos, membros da ghené, reuniam-se periodicamente numa assembléia, na qual participavam das decisões mais importantes para a vida da cidade.

    Com o passar do tempo, e com a divisão das terras das comunidades, os grandes proprietários dominaram o conselho de patriarcas, e foram também assumindo os poderes do rei, que acabou ficando apenas com a função de principal sacerdote. Assim, o governo passou a ser uma aristocracia, isto é, um governo dominado por uma minoria de tradicionais proprietários de terras. Mas esse domínio da aristocracia não agradava aos novos proprietários de terra que tinham se tornado ricos com o cultivo de vinhas e oliveiras. Também estavam descontentes pequenos proprietários empobrecidos e ameaçados de escravidão por dívidas. Assim, no decorrer dos séculos VII a.C. e VI a.C., explodiram revoltas contra a aristocracia. Seus líderes foram chamados tiranos, nome que significa aquele que toma o poder pela força.

    Entretanto, a tirania não durou muito tempo nas cidades-Estados gregas. Depois de duas ou três gerações, houve novas mudanças na forma de governo: algumas cidades voltaram a ter governos aristocráticos, enquanto outras desenvolveram a democracia, no séc. V a.C. esse século é conhecido como o Período Clássico da história grega.

    Os gregos tinham conflitos e diferenças entre si, mas, por outro lado, muitos elementos culturais comuns os integravam. Falavam a mesma língua (apesar dos diferentes dialetos e sotaques) e tinham base religiosa comum, que se manifestava na crença nos mesmos deuses.

    A área urbana freqüentemente se estabelecia em torno de uma colina fortificada denominada acrópole (do grego, akrós = alta; pólis = cidade). Nessa área concentrava-se o centro comercial e manufatureira. Ali, muitos artesãos e operários produziam tecidos, roupas, sandálias, armas, ferramentas, artigos em cerâmica e vidro etc. Na área rural a população dedicava-se às atividades agropastoris: cultivo de oliveiras, videiras, trigo, cevada e criação de rebanhos de cabras, ovelhas, porcos e cavalos. Este agrupamento visava atingir e manter uma completa autonomia política e social para com as outras poleis gregas, embora existisse muito comércio e divisão de trabalho entre as cidade gregas, Atenas por exemplo, importava 80% de seus alimentos, incluindo 100% de seus cereais e exportava azeite, chumbo, prata, bronze, cerâmica e vinho.

    Nas cidades havia numerosas construções públicas. As principais eram: o Odéon, consagrado aos exercícios de música; os teatros, onde se representavam tragédias e comédias; os ginásios, que, de início, eram usados como lugares de treinamento e, depois, passaram a ser os lugares onde os filósofos davam suas lições ao ar livre; os estádios, onde se efetuavam as corridas a pé e outros exercícios; e os templos, onde eram cultuados os deuses. Em geral, as cidades-Estado da Grécia possuíam as seguintes características: a acrópole, uma espécie de centro religioso construído na parte mais alta da cidade e que por isso servia muitas vezes como lugar de defesa; a agora, praça central, onde se realizavam as Assembléias; e o asti, mercado de troca. Nas proximidades desse centro existiam pequenas comunidades que podiam ter características agrárias ou não.

    A maioria das Cidades-Estado gregas eram pequenas, com populações de aproximadamente 20 mil habitantes ou menos na sua área urbana. Mas as principais cidades eram bem maiores, no século IV a.C., essas cidades eram Atenas, com estimados 170 mil habitantes em sua área urbana, Siracusa, com aproximadamente 150 mil habitantes, e Corinto, com mais de 100 mil habitantes. Esparta tinha apenas 40 mil habitantes em sua área urbana, sendo uma Cidade-Estado pouco urbanizada em relação às outras. Acredita-se que existiram por volta de 160 cidades-Estado na Grécia. Dentre elas, as principais foram Atenas, Esparta, Tebas, Mégara, Corinto, Argos e Mileto. As duas principais cidades da Grécia Antiga foram Esparta, fundada pelos dórios no Peloponeso, e Atenas, construída pelos jônios na Ática. Com características totalmente opostas, essas duas cidades se tornaram grandes rivais.

    Com o aumento populacional, surgiu a necessidade de ocupar espaços fora da península. Por isso, entre os séculos VIII e VI a.C., houve intensa emigração para outras regiões, fundando-se inúmeras colônias gregas no litoral do Mediterrâneo. Os gregos fundaram, entre outras colônias, Bizâncio, Odessa, Siracusa, Tarento, Nápole, Nice, Nicósia e Síbaris. As colônias do sul da península Itálica formavam a região denominada Magna Grécia.

    Na região do Peloponeso, desenvolveu-se a cidade de Esparta, centro de dominação dórica, onde se criou uma sociedade inteiramente voltada para a guerra. Os dórios, quando chegaram à Grécia, introduziram o uso do ferro. Com ele, fabrica-se ferramentas melhores, e, assim, a produção agrícola aumentou. Em conseqüência, a população passou a dispor de mais alimentos e o seu tempo de vida se prolongou. Isso favoreceu o aumento populacional na Grécia.

    Esparta organizava-se como uma fortaleza sitiada em território inimigo. O espartano era, antes de mais nada, um soldado mobilizado permanentemente para a guerra. Ali todo cidadão do sexo masculino tinha de passar grande parte de sua vida a serviço do exército. Esparta possuía uma temível potência militar com a melhor infantaria do mundo grego.

    Atenas era a maior e mais rica cidade da Grécia Antiga durante os séculos V e IV a.C. Localizada no península da Ática, próxima ao porto do Pireu, Atenas estava voltada para o mar Egeu e aberta às influências externas. Era uma cidade de navegadores, agricultores, filósofos, poetas e artistas. Foi lá que, pela primeira vez na história, se criou um governo democrático, em que os cidadãos, em conjunto, tomavam decisões sobre a vida política da cidade. O centro político, religioso e cultural de Atenas era a acrópole, localizada no alto de uma colina, de onde se avistava toda a cidade. Lá estava um grande templo, o Partenon, construído no séc. V a.C. pelo arquiteto Ictino e dedicado à deusa Palas Atena, protetora da cidade. Dentro do templo, foi erguida uma estátua da deusa, com cerca de 12 m de altura, feita em ouro e marfim – obra de Fídias, um famoso escultor grego. Além do Partenon, existiam vários outros templos na acrópole.

    Ruínas do Paternon, Atenas. A construção foi projetada pelos arquitetos Calícrates e Ictinos de Mileto. Dedicado à deusa protetora da cidade, Athenea Párthenos. Suas linhas arquitetônicas serviram de inspiração para a construção de muitos outros edifícios em todo o mundo. A estátua da deusa Atena desapareceu. Mais tarde, o templo foi transformado em igreja cristã e, posteriormente, em mesquita muçulmana. No século XIX, servia como depósito de pólvora e explodiu quando foi atingido por uma bomba durante uma guerra.



Representação da arquitetura da época áurea do Paternon.

    Em Atenas, não demonstrar interesse pelos assuntos públicos e pelos negócios da cidade era uma atitude condenada. Os gregos chamavam de “cidadão particular” aquele que apenas se interessava pelos próprios assuntos e não se preocupava com aquilo que dizia respeito à cidade.

    Em Atenas, o comércio tomou grande impulso. Com ele, surgiu uma classe de comerciantes que não tinham terras, mas dinheiro suficiente para se impor socialmente. Assim patrocinavam os Jogos Olímpicos, realizados em Olímpia (reunindo atletas de todo o mundo grego) e promoviam festivais de música, poesia, dança, canto, teatro e sacrifícios religiosos. O maior deles foi o Panatenaicos, em Atenas.

    A implantação da democracia em Atenas foi um processo longo. Desde o séc. VI a.C., Atenas vinha sendo dominada pelos comerciantes. Foi tomando forma com o tempo um novo tipo de governo, no qual todos os cidadãos tinham os mesmos direitos em relação à política. Deu-se isso na época de Sólon, legislador que governou a cidade por 10 anos, a partir de 594 a.C. Ele aboliu a escravidão por dívida e instituiu um novo sistema judiciário. Essa forma, concluída por Clístenes, estabeleceu a igualdade entre os cidadãos atenienses, em termos políticos. Surgiu assim a Democracia.

    As lutas entre as Cidades-Estado eram freqüentes, principalmente porque elas se baseavam em estruturas políticas e sociais diferentes. A divisão política permaneceu mesmo durante as invasões persas, variando a participação de cada uma delas na luta. Atenas destacou-se então e conseguiu agrupar sob a sua direção numerosas cidades, com o nome de Confederação de Delos. Essa confederação mantinha a autonomia das cidades, mas logo transformou-se num verdadeiro império. O dinheiro arrecadado era transferido para Atenas, que viveu então o século de Péricles. Durante esse período construiu-se o Partenon e viveram escultores (Fídias), dramaturgos (Ésquilo, Sófocles) e filósofos (Sócrates, Platão), cujas obras são admiradas até hoje.

    Para conquistar a hegemonia política e econômica, Esparta organizou a Liga do Peloponeso. Ao seu domínio (de curta duração) seguiu-se uma longa luta que provocou o enfraquecimento de todas as cidades. Foi o início da decadência, de que se aproveitaram os macedônios, em 338 a.C., para conquistar toda a região. Mas a civilização desenvolvida pela Grécia Antiga ainda hoje exerce influência na cultura ocidental, e a partir dela propiciou-se a formação intelectual, política e artística da civilização moderna.

    A sociedade espartana era fortemente estratificada, sem qualquer possibilidade de mobilidade entre os três grupos existentes: os Espartanos [pertenciam a este grupo todos os que fossem filhos de pai e mãe espartanos, sendo os únicos que possuíam direitos políticos (governo da cidade), constituindo o corpo dos cidadãos], os Periecos [eram os habitantes das cidades da periferia (que descendiam dos povos conquistados pelos esparciatas) que estavam integradas no estado espartano e ao qual pagavam impostos] e os Hilotas [eram os servos, que pertencendo ao estado espartano, trabalhavam os klêroi, entregando metade das colheitas ao Espartano e sendo duramente explorados].

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    A EDUCAÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA

    Em Atenas, apesar de as mulheres também serem educadas para as tarefas de mãe e esposa, a educação era tratada de outra forma, pois até mesmo nas classes mais pobres da sociedade ateniense encontravam-se homens alfabetizados. Eles eram instruídos para cuidarem, não só da mente, como também do corpo, o que lhes dava vantagem na hora da guerra, pois eram tão bons guerreiros quanto estrategistas.

    As meninas eram educadas apenas para as tarefas domésticas e casavam-se por volta dos 15 anos, com um homem escolhido pelo pai. Os meninos, ao contrário, eram educados para ser cidadãos; precisavam adquirir um corpo sadio (porque também seriam soldados) e uma mente ágil, com bom raciocínio. A vida escolar começava aos 6 anos e as atividades incluíam a ginástica, a leitura, o cálculo, a poesia, o drama, a história e a ciência. Os meninos eram entregues aos cuidados de um pedagogo, geralmente um escravo ou servo a que os atenienses confiavam as crianças. O aperfeiçoamento intelectual do jovem, uma das preocupações da educação ateniense, refletir-se-ia na vida cultural da cidade, favorecendo, por exemplo, o desenvolvimento da filosofia. Dava-se muita importância também para a arte de falar bem e de convencer – a oratória. A educação ateniense tinha por objetivo a formação completa do cidadão (física, intelectual e artística).

    Enquanto os homens freqüentavam muito a rua, as mulheres permaneciam no gineceu, parte da casa que lhes era reservada. As que pertenciam à camada pobre trabalhavam, tanto na cidade como no campo. Os homens não precisavam trabalhar, pois todo o trabalho era feito por escravos.

    A educação desenvolvida em Esparta e Atenas constitui dois modelos educativos diferentes. Em Esparta, desejava-se um indivíduo obediente às leis e pronto para servir militarmente à cidade. Ser guerreiro, valente, destemido eram qualidades desejadas. Por isso, os jovens eram educados como se estivessem em um campo de batalha.

    Em Esparta, a perspectiva militar orientava a formação de cidadãos-guerreiros, defensores do Estado. Já em Atenas, predominava um tipo de formação mais livre e aberta, que, de modo mais amplo, valorizava o indivíduo e suas capacidades. Desde o nascimento e até à morte, o espartano pertencia ao estado. Os recém-nascidos eram examinados por um conselho de anciãos que ordenava eliminar os que fossem portadores de deficiência física ou mental ou não fossem suficientemente robustos. A partir dos 7 anos, os pais (cidadãos) não mais comandavam a educação dos filhos. As crianças eram entregues à orientação do Estado, que tinha professores especializados para esse fim. Uma vez por ano, os meninos eram chicoteados em público, diante do altar de Ártemi (deusa grega vingativa, a quem se ofereciam muitos sacrifícios). Essa cerimônia constituía uma espécie de concurso público de resistência à dor física.

    Na adolescência, os jovens eram encarregados dos serviços de segurança na cidade. Qualquer cidadão adulto podia vigiá-los e puni-los. Com 20 anos, o jovem espartano entrava no exército. Mas só aos 30 anos de idade adquiria plenos direitos políticos, podendo, então, participar da Assembléia dos Cidadãos (Ápela).

    As mulheres espartanas recebiam educação quase igual à dos homens, participando dos torneios e atividades esportivas. O objetivo era dotá-las de um corpo forte e saudável para gerar filhos sadios e vigorosos. Consistia na prática do exercício físico ao ar livre, com a música e a dança relegadas para um segundo plano.

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    IGRÉCIA, ORIGEM DA DEMOCRACIA

    A democracia grega era direta e todos os cidadãos opinavam sobre assuntos públicos. No Brasil, a democracia é representativa, isto é, cada cidadão elege seus representantes. Na democracia, pescadores, comerciantes, joalheiros, oleiros e proprietários encontravam-se em pé de igualdade na Assembléia (reunião dos cidadãos para tomar decisões sobre os assuntos da cidade). Tinham também igual direito de voto nas discussões, mas não podiam falar quando queriam: os mais velhos expressavam-se primeiro e, depois, os mais jovens.

    Mas é importante destacar que na Grécia a democracia não era para todos, pois nem todos os habitantes da cidade eram tidos como cidadãos. Podiam participar da vida pública apenas aristocratas, comerciantes, artesãos e pequenos proprietários. Mulheres, escravos, estrangeiros, entre outros, não eram considerados cidadãos e não podiam participar das discussões públicas nem se tornar governantes. Estavam excluídos, ao todo, cerca de 90% da população. Apesar desse limite, a grande importância do sistema de governo adotado pelos gregos está em seu princípio: a igualdade entre parte da população e um governo que se impunha não pelo uso da força, mas pelas idéias.

    A lei do ostracismo dava ao cidadão o direito de indicar, em eleição, os nomes dos políticos perigosos à cidade. Os que fossem apontados pela maioria eram exilados por 10 anos.

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    ESCARVIDÃO

    O trabalho manual era encarado com desprezo pelos cidadãos, que o viam como um fator de diminuição dos talentos intelectuais.

    Na Grécia antiga, os escravos tinham origens diversas. Podiam ser escravos por nascimento, por condenação devido a crime ou dívida ou prisioneiros de guerra.


    Na aparência, quase nada distinguia um escravo de uma pessoa livre, a não ser os cabelos mais curtos que os escravos eram obrigados a usar. Mas, na realidade, os gregos consideravam o escravo uma ferramenta vida, uma propriedade de seu senhor. Não tinham direitos. Às vezes tinham permissão para estabelecerem-se por conta própria numa pequena oficina ou tenda de comércio, em troca pagavam uma quantia ao seu senhor.

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    ARQUITETURA

    Um dos símbolos de maior sucesso artístico da Grécia é a sua requintada arquitetura, principalmente as elegantes colunas de pedra e os frontões triangulares, esculpidos em três “estilos” de arquitetura desenvolvida por eles entre 600 a.C. e 300 a.C. A utilização de colunas de pedra é uma das características marcantes da arquitetura grega, sendo responsável pelo aspecto monumental das construções.

    O estilo dórico é o mais velho e simples, com fortes colunas e frontões cobertos com esculturas que, naquela época, poderiam ter sido pintadas de azul ou vermelho para criar impacto. O melhor exemplo existente de um templo dórico é o Partenon (438d.C.) na Acrópole de Atenas.

    O estilo jônico floresceu aproximadamente na mesma época nas cidades ricas da Ásia Menor. É mais suave e mais decorativo, com finas colunas que apresentam espirais no final do capitel. O estilo atingiu o seu ponto máximo no – agora perdido - Templo de Artemisa, em Éfeso, uma das Sete Maravilhas do Mundo. Hoje em dia, podemos ver exemplos da arquitetura jônica no Templo de Atenas na Acrópole.

    Em 400 a.C. surgiu uma nova e mais elaborada versão da arquitetura jônica: o estilo coríntio. Apresenta intrincadas folhas de acanto esculpidas no topo das colunas, significando influências do estilo vindas do Oriente Médio. A grandiosidade do estilo coríntio o transformou no tipo de construção favorito da Roma Imperial. Corinto construiu a sua riqueza com manufaturas e comércio marítimo. Era bem conhecida através do mundo antigo como um centro de luxo e lugar de entretenimento dos ricos, que vinham em grandes quantidades procurando as prostitutas sagradas do Templo de Afrodite.

    A principal manifestação da arquitetura foram os templos gregos. A característica mais evidente dos templos gregos é a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos. O templo era construído sobre uma base de três degraus.

    Os edifícios públicos também têm importância arquitetônica e refletem as transformações políticas vividas pelas principais cidades gregas, como Atenas.
Os principais monumentos da arquitetura grega:

  1. Teatros, que eram construídos em lugares abertos (encosta). Um exemplo típico é o Teatro de Epidauro, construído, no séc. IV a.C., ao ar livre, composto por 55 degraus divididos em duas ordens e calculados de acordo com uma inclinação perfeita. Chegava a acomodar cerca de 14.000 espectadores e tornou-se famoso por sua acústica perfeita.


  2. Teatro de arena

  3. Ginásios, edifícios destinados à cultura física.

  4. Praças - Ágora onde os gregos se reuniam para discutir os mais variados assuntos, entre eles; filosofia.
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    HABITAÇÃO

    As casas eram construídas com uma mistura de pedregulho e terra cozida, as paredes eram tão frágeis que os ladrões eram chamados de “arrombadores de paredes”, pois eles simplesmente escavavam uma passagem nesa para entrar na casa. Nas pequenas janelas não havia vidros e, on inverno, elas eram fechadas com madeira. As cozinhas eram raras e os alimentos eram preparados ao ar livre. Na Grécia antiga não havia residências luxuosas. Mesmo um grande general vivia numa casa simples, igual à de seus vizinhos. Os homens ricos não eram respeitados pela ostentação, mas pelo que davam aos deuses e à cidade para custear os festivais públicos. As casas ficavam dispersas, sem nenhum alinhamento, at´ras dos templos e de outros monumentos. As ruas eram estreitas e sinuosas. As condições de higiene eram precárias; quase não havia esgotos e todo o lixo era jogado nas ruas para ser apanhado pelos cães.

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    PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

    A arte grega era livre, além de humanista e idealista, porque glorificava o homem, apresentando-o na sua forma mais perfeita.

    A arte grega volta-se para o gozo da vida presente. Contemplando a natureza, o artista se empolga pela vida e tenta, através da arte, exprimir suas manifestações. Na sua constante busca da perfeição, o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que predominam o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal. Eles têm como características: o racionalismo; amor pela beleza; interesse pelo homem, essa pequena criatura que é “a medida de todas as coisas”; e a democracia.


    ESCULTURA

    Na Grécia Antiga, a escultura alcançou um extraordinário desenvolvimento, sendo considerada a arte mais importante. As primeiras esculturas, anteriores ao século V a.C., revelam influência da escultura egípcia, não se manifestando qualquer preocupação com a idéia de movimento. Entretanto, no séc. V a.C., os artistas abandonaram esse modelo rígido e começaram a criar figuras em que procuravam dar a idéia de movimento. E, cada vez mais, tentaram atingir um ideal de perfeição e de beleza humanas.

    A estatuária grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. Na escultura, o antropomorfismo - esculturas de formas humanas - foi insuperável. As estátuas adquiriram, além do equilíbrio e perfeição das formas, o movimento. As esculturas gregas eram feitas de bronze ou de mármore, tinham uma função decorativa ou serviam para culto religioso. A escultura devia representar uma ideal de harmonia, equilíbrio e racionalidade. Os gregos davam uma grande importância à figura humana, à representação do nu e à escala humana nas estátuas. As estátuas tinham rigor técnico, correctas noções de anatomia e regras geométricas (ou seja, representavam a figura humana à proporção da realidade).


    A escultura representava os deuses de forma harmoniosa e equilibrada.


    PINTURA

    A pintura grega encontra-se na arte cerâmica. Os vasos gregos são também conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à função para que eram destinados. As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da mitologia grega.


    LITERATURA

Os poemas de Homero (a Ilíada e a Odisséia) são também a principal fonte histórica. A Ilíada narra a guerra travada pelos gregos contra Tróia (Ílion), na Ásia Menor. A Odisséia conta as aventuras de Ulisses (Odysseus) em seu regresso da Guerra de Tróia, para se reunir à mulher e ao filho na ilha natal de Ítaca.

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    ALIMENTAÇÃO

    A alimentação – ao se levantar, os gregos comiam pão embebido em vinho diluído com água; no almoço, comiam pão com queijo de cabra ou azeitona e figos; o jantar consistia de uma sopa de cevada e pão de cevada. Às vezes, comiam também legumes preparados em azeite de oliva e algumas aves caçadas no campo. Os gregos comiam muito pão, e para adoçar a comida ou bebida utilizavam o mel. Nas famílias mais ricas, o jantar era quase igual, mas o pão era de trigo e, às vezes, havia também peixe, lingüiça, queijo com mel e nozes, bolos e frutas secas. Carne só em ocasiões especiais e depois de rituais. A principal bebida era o vinho, que eles não bebiam puro; preferiam misturá-lo com água e, antes de bebê-lo, costumavam algumas gotas no chão como oferenda aos deuses.

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    VESTUÁRIO

    As roupas usadas pelos gregos eram simples. À parte a qualidade dos tecidos, todos se vestiam da mesma maneira, com roupas fáceis de pôr e tirar. Cabia às mulheres a tarefa de tecer o pano para fazer as roupas, tanto nas famílias ricas quanto nas pobres. Eram elas que fiavam, tingiam e teciam a lã: a peça que saia do tear estava pronta para ser usada; não era preciso cortar nem costurar. Os camponeses usavam uma veste curta, feita de pele de animais.

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    RELIGIÃO

    Os gregos eram politeístas e imaginavam seus deuses com aparência humana e dotados de sentimentos, emoções, qualidades e defeitos. O que os diferenciava dos homens era seu tamanho – imensamente maior -, a imortalidade e a eterna juventude.

    Quando precisavam tomar uma decisão importante, os gregos preocupavam os oráculos, isto é, os conselhos dos deuses.

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    O LEGADO DA GRÉCIA ANTIGA

    A Grécia Antiga é considerada pela maioria dos estudiosos como a base da cultura da Civilização Ocidental. A cultura grega exerceu poderosa influência sobre o Império Romano, que se encarregou de repassá-la a diversas partes da Europa.

    Conceitos como cidadania e democracia são de origem grega, ou pelo menos de pleno desenvolvimento na mão dos gregos.

    A principal característica da cultura grega foi o humanismo. Isso quer dizer que os gregos admiravam e valorizavam as realizações humanas, o que se revela nas obras de arte, no pensamento, na religião e mesmo na política.

    Nas ciências, os gregos contribuíram para o desenvolvimento da matemática, com Tales e Pitágoras, e da medicina, com Hipócrates de Cós, que descobriu que as doenças têm causas naturais. Na história, destacaram-se Tucílides e Xenofonte, que registraram fatos importantes da vida dos gregos e de outros povos.


    JOGOS OLÍMPICOS

    A excelência na forma física era apreciada ao extremo na Grécia Antiga.

    Um exemplo de atividade cultural comum entre os gregos foram os Jogos Olímpicos.

    A partir de 776 a.C., de quatro em quatro anos, os gregos das mais diversas cidades reuniam-se no sudoeste da Grécia, onde localizava-se um santuário chamado “Olímpia”, para a realização de um festival de competições. Esse festival ficou conhecido como Jogos Olímpicos ou Olimpíadas, realizados de 4 em 4 anos. As competições, que duravam 5 dias, às vezes chegavam a ser violentas, a ponto de ocorrerem mortes. Se um atleta desobedecesse às regras disciplinares, era severamente punido. Os vencedores, principalmente durante o séc. V a.C., eram vistos pelo povo como heróis.

    Os jogos olímpicos eram realizados em honra a Zeus (o mais importante deus grego) e incluíam provas de diversas modalidades esportivas: corridas, saltos, arremesso de disco, lutas corporais. Além do esporte havia também competições musicais e poéticas.

    Os Jogos Olímpicos eram anunciados por todo o mundo grego dez meses antes de sua realização. Os gregos atribuíam tamanha importância a essas competições, que chegavam a interromper guerras entre cidades (trégua sagrada) para não prejudicar a realização dos jogos. Pessoas dos lugares mais distantes viajavam para Olímpia a fim de assistir aos jogos. Havia, entretanto, proibição à participação das mulheres, seja como esportistas, seja como espectadoras. Conta-se o caso de uma mulher que, vestida com roupas masculinas, disfarçou-se de treinador para entrar no ginásio e ver seu filho lutar. O filho venceu a prova e a mãe, comemorando a vitória, deixou cair seu disfarce. Descobriram que era mulher. Apesar disso, foi perdoada em consideração a seu pai, irmãos e filho, que eram campeões olímpicos.

    Corridas de cavalo, lançamentos de discos, corridas de bigas, saltos, lutas, corridas a pé foram alguns dos esportes praticados durante cerca de 12 séculos, até o ano de 394, quando os Jogos foram extintos pelo imperador romanoTeodósico I, que era cristão, e mandou fechar o templo de Zeus, em Olímpia, provavelmente para combater cultos não-cristãos.

    Os atletas que participavam das competições eram respeitados pelos gregos em geral. O prêmio para os vencedores era uma coroa, feita com ramos de oliveira. Receber esse prêmio era uma glória para o atleta. As cidades recepcionavam os vitoriosos com festas e homenagens. Os Jogos Olímpicos eram tão importantes para os gregos que, durante sua ocorrência, as guerras cessavam. Além disso, os gregos contavam o tempo pela Olimpíada. A primeira Olimpíada realizou-se em 776 a.C., data considerada o ano 1 da Grécia Antiga.

    Conta-se que, nos primeiros jogos, um atleta perdeu a sua túnica, e constatou-se que tratava-se de uma mulher. A partir daí decidiu-se que todos os atletas deveriam participar nus. É desse episódio que se originou a palavra “ginásio”, do grego gymnos (desnudo).

    Quinze séculos depois, um amante do esporte, o educador francês Pierre de Fredy, o barão de Coubertin (1836-1937), empreendeu esforços para restaurar os Jogos Olímpicos. Sua "causa" obteve simpatia e adesão internacionais. Em 1896, foram realizados em Atenas os primeiros Jogos Olímpicos da época contemporânea. As atuais Olimpíadas, também realizadas de quatro em quatro anos, reunindo atletas de diversos países do mundo, procuram preservar o ideal de unir os povos por meio do esporte.

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    CONCLUSÃO

    Os hábitos, a literatura, os conceitos estéticos e a filosofia romperam as fronteiras do mundo grego e influenciaram romanos, persas, egípcios, etc. Com isso, a cultura grega se tornaria mais duradoura do que o poder de suas cidades.

 

 

 

 

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