Há 2.500 anos houve um glorioso despertar na Jônia. Repentinamente surgiram pessoas que acreditavam que tudo era feito de átomos; os seres humanos e os outros animais tinham surgido de formas mais simples, que as doenças não eram causadas por demônios ou deuses, que a Terra era somente um planeta girando em torno do Sol, e que as estrelas estavam muito longe.
A Jônia era uma região insular, e o isolamento, mesmo incompleto, gera a diversidade. Com muitas ilhas diferentes, havia uma variedade de sistemas políticos. A livre investigação tornou-se possível. A promoção da superstição não era considerada uma necessidade política. A escrita não era mais monopólio de sacerdotes e escribas. O poder político estava nas mãos dos negociantes, que promoveram ativamente a tecnologia, da qual dependia a sua prosperidade. A Jônia foi o local onde nasceu a ciência.
Região da Antiga Jônia, Grécia. Jônico era sinônimo de grego, e era uma das quatro etnias que formaram o povo grego — juntamente com os aqueus, os eólios e os dóricos.
Essa grande revolução do pensamento humano começou entre 600 e 4.000 a.C. A chave para a revolução foi o trabalho manual. Alguns dos brilhantes pensadores jônicos eram filhos de marinheiros, fazendeiros e tecelões. Estavam acostumados a labutar e a escolher, o que não acontecia com os sacerdotes e escribas de outras nações, os quais, criados na opulência, relutavam em sujar as mãos. A influência jônica e o método experimental espalharam-se pela Grécia, Itália e Sicília.
A Escola Jônica compreende os jônios antigos e os jônios posteriores ou juniores. A Escola Jônica, é também a primeira do Período Naturalista, preocupando-se os seus expoentes com achar a substância única, a causa, o princípio do mundo natural vário, múltiplo e mutável. Essa escola floresceu precisamente em Mileto, colônia grega do litoral da Ásia Menor, durante todo o VI século, até a destruição da cidade pelos persas no ano de 494 a.C., prolongando-se porém ainda pelo V século. Os jônicos julgaram encontrar a substância última das coisas em uma matéria única; e pensaram que nessa matéria fosse imanente uma força ativa, de cuja ação derivariam precisamente a variedade, a multiplicidade, a sucessão dos fenômenos na matéria una. Daí ser chamada esta doutrina hilozoísmo (matéria animada).
Os jônios antigos consideram o Universo do ponto de vista estático, procurando determinar o elemento primordial, a matéria primitiva de que são compostos todos os seres. Os mais conhecidos são: Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto. Os jônios posteriores distinguem-se dos antigos não só por virem cronologicamente depois, senão principalmente por imprimirem outra orientação aos estudos cosmológicos, encarando o Universo no seu aspecto dinâmico, e procurando resolver o problema do movimento e da transformação dos corpos. Os mais conhecidos são: Heráclito de Éfeso, Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômenas.
O primeiro cientista jônico foi Tales, de Mileto, cidade da Ásia, separada da ilha de Samos por um estreito canal. Viajou ao Egito, sendo versado no conhecimento da Babilônia. Sabia como medir a altura de uma pirâmide pelo comprimento da sombra e pelo ângulo formado pelo Sol com o horizonte.

Tales de Mileto

Mapa
mostrando as principais cidades Gregas na Antiguidade.
Anaximandro de Mileto era amigo e colega de Tales, um dos primeiros, que se tem conhecimento, a fazer experiências. Examinando o movimento de uma sombra lançada por uma vareta vertical, determinou com precisão a duração do ano e das estações. Foi a primeira pessoa na Grécia a fazer um relógio de sol, um mapa do mundo conhecido e um globo celeste que mostrava os traços das constelações. Acreditava que o Sol, a Lua e as estrelas eram feitos de fogo visto através de buracos que se moviam na abóbada do céu, provavelmente uma idéia bem mais antiga. Sustentou a opinião admirável de que a Terra não era suspensa ou sustentada nos céus, mas, para ele, era o centro do universo, uma vez sendo eqüidistante de todos os pontos da “esfera celeste” não havia força capaz de movê-la. Anaximandro argumentava que somos tão despreparados ao nascer, que se os primeiros bebês fossem colocados no mundo e deixados a sós, talvez morressem de imediato. Partindo daí, concluía que os seres humanos surgiram de outros animais com recém-nascidos mais capazes. Propôs a geração espontânea da vida na lama, os primeiros animais tendo sido peixes cobertos por espinhos. Alguns descendentes desses peixes abandonaram eventualmente a água e dirigiram-se para a terra seca, onde evoluíram em outros animais por transmutação de um tipo para outro. Acreditou em um número infinito de mundos, todos habitados e sujeitos a ciclos de dissolução e regeneração.

Anaximandro de Mileto

Relógio Solar, invenção (ou aperfeiçoamento) de Anaximandro.
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A Ordem Jônica é uma das ordens arquitetônicas clássicas; tem antecedentes na arquitetura dos assírios, hititas e de outros povos da Ásia Menor. Espalhou-se no século V a.C. por muitas cidades-estado e pelas colônias gregas na Sicília. Em Atenas, foi resultar num estilo característico, o ático-jônico.
Suas colunas possuem capitéis ornamentados com duas volutas, altura nove vezes maior que seu diâmetro, arquitrave ornamentada com frisos e base simples. O capitel jônico é parecido com o tipo de penteado feminino então em moda na época, existindo também certa semelhança entre a linha da coluna jônica e um traje de mulher, o quintão.
O Erecteion de Atenas, talvez o mais belo dos templos jônicos, levantando em honra de um lendário herói ateniense chamado Erecteu, terminou sua construção em 406 a.C., estando localizado sobre a Acrópole da cidade. No interior do templo, guardavam-se os mais sagrados objetos de arte. Na parte sul da construção há um pórtico, o das koré ou cariátides (donzelas, em grego), sustentado, não por colunas, mas por seis estátuas de moças com cestas à cabeça.
O Templo de Atenéia, "Nike Aptera", foi construído em 429 a.C. em homenagem a Atenéia vitoriosa. Dentro do templo de Atenéia, os atenienses colocaram a estátua da vitória alada, mas, por via das dúvidas, cortaram-lhe as asas, para que não saísse voando do templo. O templo foi erigido na Acrópole, permaneceu em bom estado até o século XVIII, quando os turcos otomanos - que haviam conquistado a Grécia - aproveitaram o local para armazenar pólvora, usando pedras do edifício para guarnecer o depósito.
Entre os mais importantes templos jônicos do período citam-se os de Éfeso e Samos, ambos dípteros, ou seja, dotados de dupla colunata.
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