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APLICAÇÃO MANUAL DE TINTAS POR PULVERIZAÇÃO CONVENCIONAL
A Figura 1 ilustra o equipamento mínimo para aplicação manual de tintas por pulverização
convencional para os dois tipos de alimentação: sucção (caneca) e pressão (tanque).
Este equipamento consiste da pistola JGA 502 e de uma caneca de sucção ou de um tanque de pressão,
além das mangueiras de ar e de fluido, e do filtro de ar com manômetro.
A pistola mencionada é fabricada pela De Vilbiss e destina-se a uso geral exceto materiais corrosivos
e abrasivos. Ela inclui peças complementares (capa, bico e agulha) que são escolhidas conforme o
tipo de alimentação a ser usado. A Tabela 1 abaixo contém as características gerais para cada uso.
Tabela 1 - Principais conjuntos de capa-bico-agulha e características.
Conforme a tabela acima, observamos que o número do conjunto está relacionado diretamente ao consumo (vazão) de ar e de fluido (tinta).O consumo de ar normalmente é expresso em pés cúbicos por minuto (em inglês, cfm = cubic feet minute), mas incluímos os valores também em litros por minuto para comparação com o consumo de tinta. Enquanto o consumo de tinta situa-se entre 0,05 e 1,2 litros, o consumo de ar fica aproximadamente entre 300 e 500 litros para pressão de ar de 50 lbf/pol2 (libras-força por polegada quadrada, ou em inglês, psi = pounds square inch). Além das diferenças quantitativas vistas acima, é importante ter em mente que a qualidade do acabamento, especialmente as tintas de efeito metálico e/ou perolizado, aumenta também de acordo com o número do conjunto empregado. Assim, enquanto que nas oficinas comuns de pintura de autos se usa o conjunto 30 EX, nas montadoras apenas o 797 FF é usado. InícioFatores que influenciam no resultado 1. Pressão de ar de pulverização :A tinta é misturada com ar de forma que quanto maior a pressão do ar, maior a pulverização, nebulização ou atomização da tinta. Geralmente trabalha-se com 100 lbf/pol2 (7 kgf/cm2) nas montadoras e 50 lbf/pol2 (3,5 kgf/cm2) nas oficinas, e com valores intermediários nas indústrias em geral. Situações de variação na pressão (para a mesma vazão de tinta):
Obs.: No sistema de sucção (caneca), quanto maior a pressão do ar, maior o consumo de tinta (vazão), já que a tinta é "arrastada" ou "puxada". Na alimentação por pressão a vazão de tinta é independente da pressão do ar de pulverização, e só depende da pressão dentro do tanque. Início2. Vazão de tinta :É o consumo de tinta em unidades de volume por tempo, que varia de 50 a 1200 ml/min dependendo do bico de fluido empregado, ou seja, de suas dimensões, que estão entre 0,1 a 0,3 cm no sistema de sucção e 0,05 a 0,2 cm no sistema de pressão . Situações de variação na vazão (para a mesma pressão de pulverização):
No sistema de sucção (caneca) a situação é inversa, já que quanto maior a vazão, maior a pressão do ar, e portanto maior a nebulização (mistura mais rica em ar).
O Gráfico 1 ilustra o comportamento típico para o sistema de sucção. A vazão aumenta com a pressão até atingir um máximo de 350-400 ml/min por volta de 70-80 psi, e a partir daí passa a diminuir. É interessante notar que encontraremos vários pares de pontos com a mesma vazão mas para pressões diferentes (uma acima de 80 psi e outra abaixo). Nestes casos o consumo de ar será diferente causando resultados diferentes no acabamento de metálicos/perolizados. Caso se feche a válvula de ajuste de vazão, teremos curvas semelhantes e abaixo da ilustrada. As diferenças serão pequenas para aberturas entre 2 e 5 voltas, mas as vazões cairão cerca de 50% para 1 volta de abertura da válvula de ajuste de vazão. Recomenda-se trabalhar com esta válvula totalmente aberta para não haver desgaste da agulha e do bico.
O Gráfico 2 ilustra o comportamento típico para o sistema de pressão. Neste caso a vazão depende diretamente da pressão sobre a tinta dentro do tanque, e é independente da pressão do ar de pulverização. Convém lembrar que seja observada a pressão máxima recomendada para o tanque utilizado. Início 3. Amplitude do leque (spray) :A forma e as dimensões do leque devem ser compatíveis com as do objeto a ser pintado para economia de material e de movimentos. A forma normal do leque é circular com a válvula de ajuste do ar fechada, e alongada e estreita com a válvula aberta. A amplitude varia de 15 a 40 cm (à distância padrão de 23 cm) dependendo da capa de ar empregada. Situações de variação na amplitude do leque:
Defeitos comuns na forma projetada do leque:
4. Distância pistola-objeto :Recomenda-se um valor fixo entre 20 e 25 cm. Situações de variação na distância pistola-objeto:
A distância deve ser mantida constante, sem arqueamento (abano ou movimento em arco) para diminuir cansaço e irregularidade (não-uniformidade) da camada depositada. Para tanto, deve-se manter o pulso (punho) flexível. Ver Figura abaixo.
5. Posição da pistola em relação ao objeto :Deve ser mantida sempre perpendicular para que a distância percorrida pela tinta não seja aumentada, ainda que a distância pistola-objeto seja a mesma. Quando não se mantém essa perpendicularidade, temos o "efeito zebra", ou seja, faixas com diferentes camadas e portanto manchas por excesso e por falta de tinta. 6. Velocidade de passada: Geralmente situa-se entre 0,3 e 0,5 m/s. Situações de variação da velocidade:
7. Intervalo de tempo entre demãos: A secagem por evaporação de solventes depende da temperatura ambiente. Se acelerarmos a secagem passando-se um jato de ar sobre o objeto pintado, os intervalos poderão ser menores. Neste caso, contudo, pode haver ocorrência de "blushing", do qual falaremos mais adiante. Situações de variação do intervalo entre demãos:
8. Número de demãos: Depende da cobertura úmida da tinta, isto é, da espessura de camada líquida necessária para haver cobertura óptica. A cobertura úmida depende do teor de sólidos em volume da tinta e da sua cobertura seca . A cobertura seca, no entanto, é independente dos sólidos da tinta ou de sua diluição ou viscosidade, já que se refere ao filme seco. A cobertura seca é uma propriedade intrínseca da tinta, depende dos pigmentos usados, de sua quantidade, e também da quantidade de veículo não volátil na tinta. Situações de variação no número de demãos:
9. Viscosidade da tinta (diluição) :É importante que a tinta esteja exatamente na viscosidade recomendada para aplicação. Dessa forma será mantido o teor de sólidos (em volume) de aplicação, e portanto a cobertura úmida da tinta. Situação de variação na viscosidade:
A temperatura tem uma grande influência na viscosidade de uma tinta.
O Gráfico 3 ilustra um exemplo em que a viscosidade varia cerca
de 1 segundo no copo Ford #4 a cada 2°C.
Isto deve ser levado em conta no momento da preparação da tinta, antes de sua aplicação.
Digamos que uma determinada tinta deva ser aplicada à viscosidade de 17 seg. Ford #4 a 25°C.
Em tempos de calor, acima de 30°C, essa tinta deverá ser aplicada a menos de 15 seg, por exemplo.
Do contrário, no frio, abaixo de 15°C, a viscosidade deverá estar acima de 20 seg. Dessa forma
não haverá mudança no sólidos, nem na cobertura.
10. Qualidade do diluente :Os diluentes geralmente são misturas de solventes escolhidos tendo em vista a estabilidade da tinta, antes, durante e após a aplicação. As duas propriedades mais importantes são: Taxa de evaporação : é a velocidade com que o solvente evapora à temperatura ambiente. Situações:
Faixa de destilação : é a faixa de temperatura na qual o solvente ferve. Se tivermos um único e puro solvente, a temperatura será constante e denominada "ponto de ebulição". Quanto mais alta a faixa de destilação, mais "pesado" é o solvente. Situações:
Normalmente os solventes rápidos à temperatura ambiente (taxa de evaporação alta) também são leves (faixa de destilação baixa). O mesmo se dá com o inverso. Não vale a pena muitas vezes trocar um thinner por outro mais barato, já que poderemos encontrar tais diferenças como resultado. Início
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