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Peso Espec�fico
Quem n�o se lembra da seguinte
"pegadinha" dos tempos de col�gio? O que pesa mais: 1
kg de ferro ou 1 kg de corti�a? Claro que ambos pesam igual
(t�m a mesma massa ), mas h� uma diferen�a em volume, n�o? A
pergunta deveria ser reformulada para: O que tem mais volume: 1
kg de ferro ou 1 kg de corti�a? Claro que a corti�a tem mais
volume nesse caso. Dizemos que o peso espec�fico do ferro
� maior que o da corti�a. O peso espec�fico p � a rela��o
ou quociente entre a massa (peso) m e o volume v:
p = m / v
Pela formula acima dizemos que o peso
espec�fico � diretamente proporcional � massa (peso) e
inversamente proporcional ao volume.
Assim, para um mesmo volume, quanto maior for a
massa (peso), maior ser� o peso espec�fico e, claro,
para massas (pesos) menores teremos menores pesos espec�ficos.
Por outro lado, para uma mesma massa (mesmo
peso), quanto maior for o volume, menor ser� o peso
espec�fico e, claro, para volumes menores teremos maiores pesos
espec�ficos.
O peso espec�fico tamb�m � conhecido por
densidade (ou densidade absoluta) e � normalmente expresso em
gramas por cent�metro c�bico, g/cm3, em gramas por mililitro,
g/ml, ou quilogramas por litro, kg/l.
Imagine 1 kg de ferro e 1 kg de corti�a
deixados sobre a �gua � o que vai acontecer? A �gua tem
densidade aproximada de 1 g/ml. O ferro tem densidade alta, cerca
de 8 g/ml, e assim 1 kg de ferro ocupa 125 ml, isto �, desloca
125 ml de �gua. A corti�a tem densidade baixa, cerca de 0,3
g/ml, e assim 1 kg de corti�a ocupa 3,333 l, isto �, desloca
3,333 l de �gua. Como vemos, j� que o ferro � aproximadamente
26 vezes mais denso que a corti�a, o ferro desloca 26 vezes
menos �gua que a corti�a, e portanto o empuxo sobre 1 kg de
corti�a � 26 vezes maior que sobre 1 kg de ferro. Aqui temos
pesos iguais, mas empuxos (26 vezes) diferentes. O que acontece?
E se fossem 1 litro de ferro e 1 litro de
corti�a? Os volumes ocupados pelos corpos de ferro e de
corti�a, e, claro, os volumes deslocados de �gua seriam
exatamente os mesmos, ou seja, 1 litro. Por isso os empuxos
seriam iguais. Mas e os pesos? Um corpo de ferro com 1 litro pesa
8 kg enquanto que um corpo de corti�a com 1 litro pesa 300
gramas. Aqui temos empuxos iguais, mas pesos (26 vezes)
diferentes O que acontece?
Em ambas as situa��es o ferro afunda e a
corti�a flutua na �gua.
Como podemos concluir, o conceito de peso
espec�fico � muito importante.
A seguir vamos ilustrar seu emprego e
import�ncia nas tintas.
Antes, por�m, vamos lembrar o conceito de teor
de n�o vol�teis (%NV).
Uma tinta geralmente tem duas partes: a parte
n�o vol�til, s�lida, que resulta ap�s a secagem (evapora��o
dos solventes), que constitui o filme seco; e a parte vol�til,
l�quida, normalmente constitu�da pelos solventes, que reduzem a
viscosidade da tinta e a mant�m �mida ou "molhada"
dentro da embalagem fechada e imediatamente ap�s sua
aplica��o. Assim falamos em teor de n�o vol�teis, %NV, ou
teor de vol�teis, %V. Ambos podem ser expressos em termos de
massa (peso) ou de volume.
Usualmente quando falamos em s�lidos de uma
tinta, estamos nos referindo ao seu teor ou porcentagem em massa
(peso) de n�o vol�teis. Por exemplo, se ouvirmos que uma
determinada tinta tem 40% de s�lidos, provavelmente estar�o
querendo dizer que em 100 kg dessa tinta h� 40 kg de material
n�o vol�til (s�lido) e portanto 60 kg de material vol�til
(solventes). Assim, seus s�lidos (n�o vol�teis) � de 40% em
peso enquanto que seus vol�teis � de 60% em peso. Ou ainda,
%NV=40 e %V=60.
Observar que quando dizemos "s�lido"
n�o estamos nos referindo propriamente ao estado f�sico, mas
sim � sua caracter�stica de n�o volatilidade. Os
plastificantes, por exemplo, s�o aditivos normalmente l�quidos
(em termos de estado f�sico), mas s�o n�o vol�teis o
suficiente para permanecer no filme durante e ap�s a secagem da
tinta nas temperaturas usuais (entre temperaturas ambiente e de
at� 160 � C por exemplo). Por isso s�o considerados
"s�lidos".
Mas nas considera��es sobre forma��o de
filme e rendimento o conceito de (teor ou porcentagem de)
s�lidos (n�o vol�teis) em volume � mais importante e
significativo.
Vamos supor que vamos preparar tintas com os
componentes listados na tabela a seguir:
| � |
p
|
%NV
|
p(NV)
|
resina
|
1,07
|
60
|
1,2
|
pigmento1
|
5,6
|
100
|
5,6
|
pigmento2
|
1,4
|
100
|
1,4
|
solvente
|
0,87
|
0
|
-
|
Normalmente os pigmentos s�o os itens com o
maior peso espec�fico em uma tinta. Para termos uma id�ia de
sua influ�ncia preparamos tintas com o mesmo s�lidos em peso
(%NVm) e variamos a quantidade de pigmento (provas I e II, e III
e IV) e tamb�m a qualidade de pigmento, no que se refere ao seu
peso espec�fico (provas I e III, e II e IV). Veja a tabela
abaixo:
| � |
I
|
II
|
III
|
IV
|
resina
|
16,65
|
66,65
|
16,65
|
66,65
|
pigmento1
|
40
|
10
|
0
|
0
|
pigmento2
|
0
|
0
|
40
|
10
|
solvente
|
43,35
|
23,35
|
43,35
|
23,35
|
TOTAL:
|
100
|
100
|
100
|
100
|
| � |
� |
� |
� |
� |
p
|
1,38
|
1,1
|
1,06
|
1,04
|
%NVv ou %Sv
|
21,3
|
38,6
|
39,3
|
42
|
rendimento,
m2/l
|
8,4
|
15,2
|
15,5
|
16,6
|
O pigmento1 tem peso espec�fico de 5,6 g/cm3 e
foi usado nas provas I e II. Observe que ao diminuirmos a
quantidade desse pigmento, temos uma diminui��o no peso
espec�fico da tinta, que passa de 1,38 g/cm3 para 1,10 g/cm3.
O pigmento2 tem peso espec�fico de 1,4 g/cm3 e
foi usado nas provas III e IV. Observe que ao diminuirmos a
quantidade desse pigmento, temos da mesma forma uma diminui��o
no peso espec�fico da tinta, passando de 1,06 para 1,04. Note
ainda que tivemos uma diminui��o menos acentuada, devido ao
fato do peso espec�fico desse pigmento ser menor (1,4 g/cm3),
mais pr�ximo ao peso espec�fico da resina e do solvente.
Quando mantemos a quantidade de pigmento, mas
trocamos o de peso espec�fico maior pelo de menor tamb�m temos
obviamente uma diminui��o no peso espec�fico da tinta. Quando
passamos da prova I para a prova III, o peso espec�fico da tinta
cai de 1,38 para 1,06. E quando passamos da prova II para a IV, o
peso espec�fico cai de 1,10 para 1,04. Note ainda que nesse
�ltimo caso tivemos uma diminui��o menos acentuada, devido ao
fato da quantidade de pigmento ser menor nessas provas (10%).
Caso o custo de mat�ria-prima fosse de 1 US$
para todos os itens, o custo da tinta por volume seria
numericamente igual ao seu peso espec�fico, ou seja a prova I
custaria US$ 1,38/litro, a prova II US$ 1,10/litro e assim por
diante. No Brasil normalmente se compra a mat�ria-prima por peso
e se vende a tinta por volume. Assim, nesse exemplo todas as 4
provas custariam US$ 1,00/kg mas teriam diferentes pre�os por
litro. Caso f�ssemos vender a tinta por US$ 2,00/l, adivinhe
qual prova nos daria mais lucro... Claro que a prova IV, de menor
peso espec�fico, tendo o menor custo por litro, nos daria o
maior lucro.
Por outro lado, essa vantagem n�o seria apenas
para quem vende a tinta, mas tamb�m para quem a compra. Observe
que quanto menor o peso espec�fico da prova, maior seu s�lidos
em volume (%NVv, ou %Sv), resultando em maior rendimento
portanto.
Conhecer o peso espec�fico tamb�m � �til
quando, na prepara��o de uma tinta para aplica��o, sabemos a
rela��o de mistura, que pode ser uma cat�lise, uma ativa��o
ou uma dilui��o por exemplo, em peso e queremos convert�-la
para volume, ou vice-versa.
Assim, se uma tinta bicomponente tem cat�lise
em peso de 25% (ou 4:1) e queremos saber qual seria essa
cat�lise em volume, temos que conhecer os pesos espec�ficos da
tinta e do catalisador. Veja porque:
cat�lise em peso =: mc / mt = 0,25 , onde mc
� massa do catalisador e mt � a massa da tinta
mas como p = m / v , temos que m = p * v
assim, cat�lise em peso = mc / mt = (pc * vc)
/ (pt * vt) = 0,25
e cat�lise em volume = vc / vt
ent�o, cat�lise em volume = vc / vt = (mc *
pt) / (mt * pc) = (mc / mt) * (pt / pc)
e como mc / mt = 0,25,
cat�lise em volume = vc / vt = 0,25 * (pt /
pc),
isto �, a cat�lise em volume � obtida
multiplicando-se a cat�lise em peso pela raz�o dos pesos
espec�ficos da tinta e do catalisador. F�cil, n�o? Se voc�
entendeu, basta usar o mesmo racioc�nio para o caso inverso, que
� achar a cat�lise em peso quando temos a cat�lise em volume.
De qualquer forma sempre vamos necessitar dos pesos espec�ficos
dos itens a serem misturados.
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