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O CUPIM ARBÓREO NASUTITERMES spp É MAIS UMA AMEAÇA
NAS CIDADES DE TODO O BRASIL

Este texto foi escrito por Eurípedes M. Menezes, Elen de Lima Aguiar Menezes e Alim da Costa Bicalho na revista Vetores e Pragas, Ano II nº 6.

A partir do momento em que o homem deixou de ser nômade e se tornou sedentário sua interferência no ecossistema natural estável tornou-se uma realidade. Deste modo, a necessidade de se obter uma produção adequada de alimentos para uma população que se expande em progressão geométrica, é um fato. No entanto, sabe-se também que é preciso manter o ecossistema estável, saudável e sem poluição. Esta observação é verdadeira e tem se mostrado como um problema crucial do momento, tornando-se extremamente crítica para o futuro. Deste maneira, ao longo dos anos, o homem tem enfrentado este grande dilema, que se agrava cada vez mais.

Em vários países onde há fatura de alimentos, poucas são as pessoas que apreciam a sua vital importância na manutenção da saúde e na vida dos seres humanos. Hoje em dia, em torno de meio bilhão da população mundial é faminta e mal nutrida. A alta taxa de nascimento e o prolongamento da vida (através da medicina moderna) têm se tornado um problema, face à necessidade de aumento no suprimento de alimento. História mostra-nos com evidência a precária posição do homem em relação à fome e às doenças. Muitos desses problemas têm sido causados pelos insetos, que destroem as plantações, alimentam-se de animais domésticos e transmitem diversos tipos de doenças. Todavia, é importante frisar que os insetos (entre eles, o cupim) já habitavam a terra, muito antes do homem aparecer. Através de fósseis, é possível demonstrar que o inseto surgiu há 410 milhões de anos. Quanto o primeiro hominídeo (criatura semelhante ao macaco que caminhava usando apenas dois membros) surgiu na África há 4 milhões de anos, os insetos já tinham evoluído e atingido suas diversidades atuais. Assim sendo, temos que admitir que o cupim está mais adaptado à vida terrestre do que o próprio homem!
Apesar de desempenharem um papel ecológico importante no processo da decomposição no ecossistema, os cupins são considerados, pelo homem, como um dos insetos mais destrutivos entre aqueles que atacam produtos de origem vegetal.

Cupim Arbóreo Nusitermes spp. (Isoptera: Termitidae>

A grande maioria das espécies pertencentes ao gênero Nasutitermes (termidade) é endêmica, principalmente na região neotropical. São essencialmene xilófagos e forrageiam o solo à procura de madeira morta, preferencialmente seca e em decomposição. As espécies que ocorrem na América do Sul nidificam em qualquer tipo de formação vegetal (matas, florestas, caatingas, parques, etc.). Muitas espécies constroem ninhos arbóreos, que estão sempre em comunicação com o solo, por meio de túneis que descem pelo tronco da árvore onde seu ninho foi construído. Às vezes são formadaos a uma altura considerável do solo. Este comportamento demonstra evidências de evolução e especialização. Poucas são as espécies deste gênero que nodificam somente no solo. No Panamá, bem como em nosso país, algumas espécies de Nasutitermes têm a tendência de construir ninhos vulgarmente denominados cabeça de nego em galhos de árvores, indicando ser este o principal local de formação da colônia, ainda que o casal real inicialmente nidifique no solo; mais tarde a colônia acaba transferindo-se para locais acima do nível do mesmo. Sabe-se pouco a respeito do comportamento e biologia das espécies pertencentes a este gênero. Atualmente, a praga-chave deste Ordem (Isoptera) é o cupim subterrâneo asiático, vulgarmente conhecido como cupim de concreto, Coptotermes havilandi (Rhinotermitidae). Segundo Araújo (1058) esta praga foi constatada pela primeira vez no Brasil em 1923. Portanto, trata-se de uma praga exótica. Atualmente, os grandes centros urbanos do país, principalmene aqueles localizados em áreas litorâneas, estão atualmente infestados por este cupim que ataca todo e qualquer tipo de material, seja de origem vegetal ou não! Todavia, pouco se tem feito para controlá-lo. A grande maioria das pessoas desconhece os prejuízos causados pelos cupins.
Ninguém se preocupa com o tratamento preventivo e, quando se dá conta de que a praga já está instalada em sua residência ou em seu local de trabalho, procura fazer um tratamento curativo, por conta própria, usando produtos indevidos inadequados (querosene, por exemplo) ao invés de consultar um técnico ou uma empresa especializada. É necessário que as pessoas tomem conhecimento de que o cupim é como o câncer, depois de instalado, a cura não é impossível, todavia, é muito difícil e complicada.
Os cupins nativos têm sido um problema para a agricultura e o reflorestamento. Entretanto, estão se adaptando às áreas urbanas, tanto é que cidades históricos como Ouro Preto, Vassouras, Bananal, etc., já estão altamente infestadas por Nasutitermes spp.
Os anos dedicados aos estudos com cupins têm nos mostrado que este gênero está cada vez mais adaptado aos grandes centros e, sem dúvida nenhuma, vem causando prejuízos significativos em diferentes construções. Embora tenhamos alertado, alguns anos atrás (1991), que o cupim seria a pior praga do próximo minênio, pouco se tem feito para evitar prejuízos maiores.
Assim sendo, os cupins do gênero Nasutitermes devem ser encarados como mais uma preocupação para o homem, o qual tem contribuído demasiadamente para o aumento das populações de colônias de espécies pertencentes a esse gênero. Com a invasão do habitat natural desse cupim, o ser humano diminui a fonte natural de seu alimento. Nesse sentido, em se tratando do gênero Nasutitermes, o conceito de praga está equivocadamente adotado.
Os estudos de Biologia até então descritos só foram possíveis devido a ser a sua criação e melhoramento genético realizados em laboratórios de Berlim, da Brasiléia e da Praga. Os estudos demonstraram que as espécies se desenvolviam em ninhos arbóreos e, assim, os laboratórios tiveram que sofrer modificações. Foram colocados acima do nível do solo dos termitários. Uma técnica extremamente importante, porque a colônia tende a construir extensivas galerias e os cupins necessitam de espaço suficiente para se locomoverem livremente. Todo cuidado é importante para prover aos cupins ambiente excepcional com acesso à reserva de água se for possível.
Quando as colônias estão muito bem desenvolvidas, a água que serve de barreira em volta do conteiner é ideal e permite que os cupins construam mais galerias.
Quando a colônia é muito grande, cerca de, pelo menos mil operárias, podem ser facilmente obtidas dentro de alguns minutos. As colônias de Nasutitermes spp. são enormes e as operárias são facilmente capturadas quando se faz um buraco na casca (cobertura) do ninho.
A princípio, é um cupim de fácil identificação ao nível de gênero, pois a casa dos soldados possui uma fontanela característica e perceptível a olho nu. Todavia, suas espécies são de difícil identificação. Alem de inúmeras características morfológicas que os diferenciam, trata-se de um gênero que possui um grande número de espécies e que podem ser identificadas somente por taxonomistas com larga experiência e de muita dedicação ao assunto. Aqueles que pretendem enviar material para ser identificado, devem ter grande paciência, pois exige um trabalho que demanda um certo tempo e boa apreciação pelos especialistas, uma vez que são poucos os taxônomos que tratam do assunto.
Suas castas são semelhantes às dos demais cupins, cujos indivíduos exercem diferentes funções. Fazem parte do ninho ou colônia:

a) - O rei e a rainha (casal reprodutor, sendo a rainha responsável pela procriação da colônia)
b) - Os ovos.
c) - As formas jovens (ninfas).
d) - Os soldados (indivíduos estéreis).
d) - Os indivíduos de substituição (formas neotênicas - machos e fêmeas).
f) - As operárias (indivíduos estéreis).

Periodicamente, as formas aladas (machos e fêmeas) executam revoadas o o objetivo de acasalamento e formação de novas colônias, portanto resultando na construção de novos ninhos.
Os túneis construídos são geralmente espessos, um forte indício de que a população da colônia é extremamente alta, espalhando-se comumente por todo o madeiramento atacado. Ao contrário de outras espécies subterrâneas, seus ninhos são fáceis de serem encontrados ao redor das construções.
Na cidade do Rio de Janeiro este cupim foi encontrado em patrimônio histórico. Rojas et. al. (1998) constataram o ataque de Nasutitermes spp. no Museu do Açude, pertencente à família Castro Maya. Sendo Peralta et. al. (1998) a cidade de Vassouras está infestada por este cupim. A infestação de Nasutitermes spp. era tão alta que levou dois abacateiros à morte, porque suas raízes foram completamente destruídas pelo cupim. Trata-se de um fato surpreendente já que é comum encontrar este gênero de cupins destruindo apenas madeira morta (preferencialmente seca e e decomposição) e não madeira viva.
No campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Ribeiro et. al. (1998) constataram que o prédio usado como alojamento para estudantes de pós-graduação teve o seu telhado totalmente destruído e derrubado por Nasutitermes.


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