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Acima estão várias brocas que atacam nossos imóveis, inclusive uma linfa.
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BROCAS DE MADEIRA
Nem só cupins vivem em nossos móveis |
| Este texto foi escrito por A. T. Lelis (*) Revista Vetores & Praga - Ano I - Nº 01 2º trimestre de 1998 |
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Dentre os insetos xilófagos, dois grupos são os principais responsáveis pelos danos causados às madeiras, nas mais diferentes situações onde essa matéria-prima é utilizada. Esses dois grupos são os Cupins e as Brocas de Madeira. Os prejuízos causados por esses insetos são, em grande parte, desconhecidos. Estima-se valores despendidos no seu combate mas são desconhecidos os prejuízos advindos da perda das madeiras atacadas e os custos resultantes da sua reposição. O conhecimento da biologia desses insetos é base fundamental na adoção de medidas preventivas e curativas. Seus hábitos de vida, reprodução, exigências quanto à temperatura e umidade são alguns dos fatores que determinam procedimentos a serem adotados no seu controle.
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Sob a denominação de brocas de madeira encontra-se um grupo de insetos composto por milhares de espécies, na sua maioria xilófagas. Esses insetos são frequentemente confundidos com os cupins, especialmente os cupins de madeira seca, por também expelirem resíduos das peças atacadas. Entretanto, as brocas de madeira diferem dos cupins em vários aspectos, dos quais ressaltaremos três. Brocas de madeira e cupins são dois grupos taxonomicamente distintos. As brocas, cujos adultos são os besouros, pertencem à ordem dos Coleópteros, enquanto os cupins, cujos adultos são conhecidos por sirirís ou aleluias, pertecem à ordem dos Isópteros. Diferentemente dos cupins, as brocas de madeira não são insetos sociais. Uma madeira atacada por brocas pode conter dezenas ou centenas de indivíduos, entretanto cada um vive independentemente dos outros. O desenvolvimento pós-embrionário, período que vai desde a eclosão dos ovos até o indivíduo adulto, é também diferente entre esses dois grupos de insetos. O desenvolvimento pós-embrionário nas brocas de madeira compreende quatro estágios: ovo, larva, pupa e adulto. A metamorfose, ou seja, a transformação da larva, inseto imaturo, em adulto, dá-se em uma fase específica do desenvolvimento, denominada de pupa e, no caso desses insetos, é uma transformação total, originando um adulto completamente diferente do estágio larval. Os insetos com esse tipo de metamorfose são chamados Homometábolos. Nos cupins, insetos Hemimetábolos, a metamorfose é gradual, transformando o inseto pouco a pouco ao longo do seu desenvolvimento. O adulto guarda algumas semelhanças da fase imatura, diferindo dela principalmente pela presença de asas, de olhos compostos e por uma maior esclerotinização da cutícula. O ataque por brocas de madeira se inicia quando a fêmea adulta deposita seus ovos na madeira. Desses ovos ecolodem as larvas que irão se alimentar daquele substrato até atingirem o estágio de pupa quando, então, se transformam em adulto. A fase larval é a mais longa da vida do inseto e a principal responsável pelos danos causados à madeira. Uma vez transformados em adultos, e essa transformação dá-se, regra geral, próximo à superfície, os insetos perfuram a madeira e saem para o meio exterior. Fora da madeira, machos e fêmeas se encontram, se acasalam, e as fêmeas voltam a depositar seus ovos ou na mesma peça de madeira ou em outra. A época em que os adultos saem da madeira é quando, mais facilmente, percebemos o ataque. Observa-se um orifício em torno do qual, ou nas suas proximidades, encontramos acumulada uma serragem, também denominada de resíduo ou pó de broca, e que é resultante da escavação feita pelo adulto para sair da madeira. A madeira é a fonte de alimento para a maioria das brocas, sobretudo o amido contido nesse substrato. Além da quantidade e qualidade dos nutrientes presentes na madeira, o desenvolvimento desses insetos é também influenciado por outros fatores, entre os quais, principalmente a temperatura e a umidade, em maior ou menor grau dependendo da espécie. Desde a árvore viva até a madeira em uso, diferentes grupos de brocas atacam a madeira nas diferentes fases do seu beneficiamento. Assim, a despeito da enorme variedade de espécies, podemos, de uma maneira prática, agrupar as brocas em quatro grandes grupos conforme seus hábitos, os quais estão estreitamente relacionados com o teor de umidade da madeira e portanto com as fases do beneficiamento desse material. Essa classificação considera o hábito mais frequente dentro de cada grupo, não devendo ser esquecido, portanto, que há exceções. BROCAS QUE ATACAM A ÁRVORE VIVA Esse grupo está representado particularmente por brocas da família Cerambycidae. A espécie Hilotrupes bajulus é, entretanto, uma broca de madeira seca e constitui-se em sério problema nos países do hemisfério norte. No Brasil esta espécie é encontrada nos estados do sul. BROCAS QUE ATACAM A ÁRVORE RECÉM-ABATIDA Nesta etapa do beneficiamento, a madeira contém ainda um elevado teor de umidade e alguns grupos de brocas são particularmente atraídos pelas substâncias químicas liberadas pela madeira. São representantes típicos dessas brocas as famílias Scolytidae e Platypodidae. Em muitas espécies desse grupo, os adultos, ao depositarem os ovos na madeira, inolucam um fungo que servirá como principal alimento para as larvas. Muitas espécies atacam árvores vivas e a infectam com um tipo de fungo que é letal para a planta. Essas brocas causam grandes prejuízos em florestas plantadas. BROCAS QUE INFESTAM A MADEIRA DURANTE A SECAGEM
Nesta etapa a madeira apresenta teores médios de umidade e o principal grupo de brocas que a infestam nessa fase são os representantes da família Bostrychidae. BROCAS QUE ATACAM MADEIRAS SECAS A madeira seca, apresentando teores de umidade abaixo de 30%, é a condição da maioria das madeiras em uso pelo homem. Insetos das famílias Anobiidae e Lyctidae são as principais brocas que atacam a madeira nesses condições. Como pretendemos enfatizar o problema de brocas de madeira em mobiliário, é sobre esses dois grupos de brocas que a seguir, trataremos com mais detalhes. ANOBÍDEOS
Os besouros da família Anobiidae apresentam hábitos alimentares variados, podendo atacar sementes e caules de várias plantas, produtos manufaturados de origem vegetal ou animal, madeira, livros, etc. LICTÍDEOS
Diferentemente dos anobídeos, a família Lyctadae é essencialmente xilófaga. O amido, principal fonte de alimento desses insetos, é encontrado principalmente na região de alburno de madeiras do grupo dos angiospermas. Madeiras ricas em amido, é o caso da virola, são preferidas pelos lictídeos. Dentre as brocas de madeira, os lictídeos são os que toleram os mais baixos teores de umidade, tendo sio registrado sua presença em madeiras com 7% de umidade.
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