MISTÉRIOS DA VIDA

Capítulo 02 - A Penitenciária do Carandiru
esta época, se destacaram
nessa narração, apenas três nomes: Júlio, Joel e eu.
Joel convidou-me para acompanhá-lo à uma caça aos passarinhos em uma mata,
atrás da penitenciária do Carandiru. Um moleque nos acompanhou, mas não me
recordo quem era.
No local pôr onde passamos, havia um riacho muito poluído à nossa direita e,
à esquerda um mato alto de mais ou menos um metro e meio de altura e depois
desse mato existiam montanhas de entulho.
Fomos caminhando entre o riacho e o mato, até chegarmos no local onde existiam
muitas árvores carregadas dos coitados passarinhos, e, bem no meio desse
caminho, deparamo-nos com uma coisa muito estranha que nunca tínhamos visto em
nossa vida e acho que talvez, nunca ninguém teria tal imagem à sua frente como
essa que acabamos de ver. O mato à nossa esquerda estava queimado até o chão
e até as raízes, tudo isso, formava um círculo com um diâmetro de três
metros e rebaixado um metro à volta do círculo. Aquilo para nós era como se
um Disco Voador ou um aparelho qualquer de alta combustão tivesse aterrissado
no local, pois, aquela circunferência toda muito bem queimada e bem delineada,
como se tivesse sido feita com um compasso de fogo, não poderia ter sido feito
pôr coisa deste mundo.
Olhamos e analisamos o chão e encontramos uma pedras de diversos formatos:
Algumas eram pretas, que dava para escrever num chão de concreto ou em uma
parede, como se fosse giz ou carvão e as outras pedras eram cristalizadas, de
cor verde-escuro e em diversos formatos. O chão parecia úmido. Então peguei
um graveto e espetei-o na terra, saindo desse orifício que fiz, um pouco de líquido
preto e grosso, parecia até petróleo. Essas pedras que descrevi acima, coletei
algumas e as tenho em meu poder até hoje guardadas em minha casa.
Ao anoitecer chegamos na casa do Joel e começamos a comentar sobre o fato
ocorrido e, conversa vai, conversa vem e Joel foi lavar os pés para dormir,
enquanto isso chegou o Júlio.
No momento em que Joel estava enxugando os pés, percebi que a unha de um dos
seus dedos, tinha o formato da unha de um gavião, era redonda, grossa no começo
e formava um bico no final, então perguntei a ele, o porquê daquela unha, ele
não era pessoa de falar mentiras e o Júlio estava lá para confirmar a história.
Disse-me que o Júlio e ele estavam correndo atrás de um balão e o balão se
dirigia para o lado da penitenciária. Para se chegar lá, tinham que atravessar
da rua que estavam por uma outra rua estreita de paralelepípedo que passava pôr
dentro do posto de gasolina e saia na avenida em frente a Penitenciária do Carandiru.
Já era tarde da noite e esta pequena rua se mostrava escura como um breu.
Quando chegaram neste posto, ficaram de cabelos em pé e o corpo todo arrepiado,
no momento em que uma voz tenebrosa e microfônica, sabia-se lá de onde vinha
aquela voz terrificante que se fazia ouvir de repente, dizia e repetia várias
vezes:
— Não ultrapassem estes limites!
— Não ultrapassem estes limites ... !
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