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Os 10 mandamentos da segurança de vôo Esta pesquisa foi elaborada pela Japan Airlines, baseado em estudos do Flight Safety Department, órgão japonês que trata da segurança de vôo. Ela foi apresentada no 48º International Air Safety Seminar, realizado em novembro de 1995, em Washington, Estados Unidos. Foram analisadas 118 ocorrências, entre acidentes, incidentes e situações de risco, que as empresas aéreas japonesas experimentaram nos últimos 35 anos, em termos de tendência e natureza das ocorrências. Este trabalho possibilitou ao órgão extrair dez fundamentos básicos de segurança de vôo, pertinentes aos fatores humanos e operacionais que mais têm contribuído para os acidentes e incidentes aeronáuticos. Estes princípios foram o ponto de partida para que as empresas aéreas desenvolvessem campanhas e seus próprios programas de prevenção de acidentes. Os dez itens aqui relacionados obviamente não abrangem todos os possíveis fatores contribuintes, mas foram identificados como os mais comuns. Procurou-se principalmente o desenvolvimento de um planejamento estratégico, uma vez que esses princípios são universalmente reconhecidos como fundamentais. 1. Manter-se calmo é manter o vôo seguro. 2. A rotina operacional é o ABC da padronização. 3. Fique frio. Nada de pressa ou correria. 4. O homem sábio não dá chance ao perigo. 5. Monitore os instrumentos e o espaço aáreo. 6. Quando em dúvida, comunique-se alto e claramente. 7. A falha de um é uma lição para outros. 8. A fixação leva a uma visão limitada. 9. Mesmo um bom piloto comete erros. 10.Os "check lists" são os alicerces da segurança de vôo.
MEMÓRIA É o processo ou ato do conhecimento pelo qual são registrados sob forma de representações e imagens mêmicas, os dados e informações que o indivíduo detém acerca de objetos, fatos, fenômenos e experiências, por ele percebido ou vivenciado anteriormente. Através de evocação voluntária ou involuntária, os conteúdos registrados na memória podem ser reproduzidos. Entretanto, geralmente não são reproduções precisas, outrossim, são imagens ou representações mentais que conservam alguns elementos do objeto originalmente percebido. Não sendo, portanto, as impressões fixadas na memória por efeito da percepção de sensações elementares, idênticas às da percepção original. Associação com outro acidente: È comum acontecer que numa situação atual o piloto visualize traços ou características semelhantes de uma situação já experienciada e que levou a um acidente. Isto pode trazer pânico, pode trazer ansiedade, pode atrapalhar a operação e é preciso que a pessoa consiga manifestar esta situação, colocá-la para fora, numa espécie de catarse, para que não fique associando novamente e sofra os mesmos prejuízos que aconteceram. Esquecimento: O lapso de esquecimento, e mesmos outros lapsos são fatais na aviação. Uma leitura errada de instrumentos ou o esquecimento de uma associação que deve ser feita no check list, por exemplo, traz conseqüências que viram acidentes. Esquecer de conferir o trem baixado, o combustível, a rota, etc, são aspectos comuns em acidentes e incidentes. Hábitos adquiridos: Quando se aprende algo isto fica como impregnando nossas ações, nós vamos agir conforme o aprendido. Ocorre que durante o desenvolvimento do aviador, muitas coisas vão ser aprendidas e vão ser superpostos alguns conhecimentos, que nem sempre são complementares. Um procedimento em determinada área, para pouso, não segue o mesmo padrão em outra área. Então, quando vamos alterar os procedimentos, é preciso fazer um estudo anterior, um planejamento adequado, para nos familiarizarmos com a nova situação. Assim também se dá quando vamos conhecer um novo instrumento, um novo avião, etc., uma nova companhia. È preciso um período de adaptação e uma conscientização dos novos padrões e que se discrimine bem dos padrões anteriores. Enfatizar as diferenças e torná-las claras para não comprometer a operação atual. Inibição retroativa: efeito da experiência subseqüente sobre o que outrora foi aprendido, levando a velação deste conhecimento. Embora os padrões mudem, o conceito básico de voar permanece sempre o mesmo e é importante que um piloto não esqueça que aprendeu anteriormente, mas discrimine o que é diferente agora, nesta nova situação, neste novo aeródromo, neste novo instrumento, neste novo padrão da companhia.
EDUCAÇÃO Engloba todos os processos pelos quais uma pessoa adquire uma compreensão de mundo, bem como aptidões, conhecimentos, atitudes e habilidades para lidar com seus problemas. Deficiência na instrução teórica ou prática: O fazer aeronáutico, bem como qualquer outro tipo de atividade, depende de um eficaz sistema de instrução, no qual o aprendiz passe por um processo de aquisição teórica, de familiarização, assimilação e acomodação das matérias básicas do ensino aeronáutico e passe este aprendizado teórico a uma prática que complementará e, evidentemente, será tão importante quanto o aprendizado teórico. Esta prática no simulador e em vôo deve servir de base para um aperfeiçoamento constante dos aspectos teóricos. Eventualmente em um dado processo um aluno não foi bem, não venceu a etapa. È preciso que volte a esta etapa e só avance com consistência, pois do contrário, em dado momento este aprendizado poderá ser fundamental e determinante para uma conduta equivocada, uma operação errada, a não saída de uma emergência, por exemplo. Vale lembrar que todos os esforços devem ser feitos para que a aprendizagem chegue ao ponto ótimo e nisto está a responsabilidade do instrutor, como elemento transmissor que influencia diretamente neste processo, tanto para a sua eficácia quanto para a ineficácia. Nem sempre os problemas apresentados são de natureza do aluno, mas em muitos casos é o instrutor que por problemas pedagógicos, relacionais ou desconhecimento não levou o processo a bom termo. * Descontinuidade no treinamento: Qualquer processo de
aprendizado deve seguir um tempo lógico, que familiarize o aprendiz,
permita a absorção do conhecimento, a assimilação
e a acomodação destes novos aprendizados e sem dúvida
que a descontinuidade influi negativamente, na medida em que se torne
necessário retomar sempre estes processos e nem sempre com o mesmo
instrutor, o que leva a um desconhecimento sobre o processo de ensino
de um aluno. Não se sabe em que estágio este ficou e nem
tampouco se o aprendizado anterior pode ser aproveitado nesta nova introdução.
Pode ser necessário retornar a fases anteriores, pois o aluno demonstrou
esquecimento, ou inconsistência.
COMUNICAÇÃO Processo no qual um comunicador organiza uma idéia ou fato de forma racional e coerente através de um conjunto sistemático de símbolos ou códigos, de modo que possa ser apresentado em forma de mensagem e seleciona os meios apropriados, para que seus propósitos possam ser expressos a um receptor. Este capta a mensagem e decodifica. * Deficiente comunicação com a torre: O
processo de comunicação em aviação é
tão vital quanto o motor do avião para uma decolagem. Existem
padrões de comunicação via rádio e além
da parte formal, existe a comunicação propriamente dita
que em muitos casos é mal entendida levando a lapsos de linguagem,
erros na escuta, erros na fala do piloto, erros na fala do controlador,
equívocos que podem trazer conseqüências quanto à
altitude, coordenadas, pista, etc., na hora de uma decolagem, na hora
dos procedimentos para pouso, enfim, dentro de um circuito de comunicação.
Assim, prestar atenção à comunicação
é tão importante quanto decolar, quanto pousar. È
através deste mecanismo que muitas situações de perigo
foram contornadas e outras foram levadas ao acidente. Filtragem: Em algumas circunstâncias aquilo que tem que ser dito é duro, forte, pode causar mal estar. O que acontece é que se precisa ser dito, então não há como evitá-lo. Ocorre, entretanto que há formas de se colocar uma crítica principalmente, e momento também. Assim, deve-se evitar as filtragens da informação, pois elas trazem mais mal entendidos, por serem deturpações ou incompletudes da informação correta e muitas vezes acabam sendo prejudiciais. Além disto, a informação tem que ser mais direta, quanto menos pessoas estiverem no circuito para passar uma informação a alguém, mais clara ela será. Vejam o ditado quem conta um conto, aumenta um ponto. E a estória do telefone sem fio é exemplos disto. Linguagem intergrupal: È o caso na aviação, cujo grupo desenvolveu uma linguagem específica. Os internautas são outro grupo e assim por diante. Ocorre que devemos ter cuidados com isto, pois pode gerar mal entendidos e se em vôo, pode trazer conseqüências sérias. Portanto interrogue-se se a sua linguagem, do seu grupo, é uma linguagem universal, que está sendo bem entendida pelas pessoas que não pertencem aquele grupo e que de alguma forma tem que passar alguma informação para vocês. Lembrem-se que nem todos que trabalham para a aviação são pilotos ou entendem a comunicação do grupo. Diferença de status: Impedimento ou distorção da comunicação devido a diferenças de status, que podem parecer ameaçadoras a alguém que esteja em um nível hierárquico mais baixo. A aviação como outras profissões produz efeitos, entre os quais está esta questão do status do comandante. Isto traz evidentemente dificuldades quando não se percebe a diferença entre o que é autoridade e o que é o autoritarismo decorrente de um engano a partir dos poderes legais de uma posição que se ocupa. Um cargo de autoridade não autoriza alguém a ser tirano, a realizar tudo de forma absolutista, sem entender que sua condição é de coordenador e fiscalizador, mas não de um monarca absoluto, um ditador. Muitos pilotos se equivocam aí, torcem a condição de serem comandantes e não raro, humilham seus subordinados. È um erro que pode e já trouxe muitos acidentes aeronáuticos, por interferir na comunicação de cabine, no trabalho de equipe e conseqüentemente na proficiência. Um comandante, por outro lado, precisa exercer seu comando e atribuições, porém, existem formas muito adequadas e jamais estas formas implicaram uma redução em seu poder, em sua legitimidade como comandante. È preciso entender bem o que significa assumir uma função de chefia, de comando. Este problema, como vimos traz conseqüências aos canais de comunicação e acarretam acidentes aeronáuticos. Pressão do tempo: Desinformação por carência de tempo, de alguém que deveria estar no circuito de comunicação, no canal formal de comunicação. Em empresas pequenas é comum haver pressões, às vezes do proprietário, para que se decole. Nunca deixe que alguém interfira no processo, pois estranhos ao vôo não compreendem a importância de ter determinadas informações para que a missão possa ser concluída com segurança. Algumas vezes, o processo pode atrasar por falta de informações necessárias. È preferível atrasar. Muitos acidentes aconteceram porque o piloto forçou a barra, estressado por terceiros. Sobrecarga de comunicação: Impossibilidade de absorver ou responder a toda as mensagens recebidas, sendo a maioria delas isoladas, sem ser decodificadas. Há situações que implicam esta característica e nelas torna-se indispensável colocar critérios de importância e não deixar que a confusão tome conta, principalmente durante o vôo. Faça tudo sempre com calma e dê hierarquia de importância aos fatos!
GERÊNCIA Adota-se o conceito de gerência no seu sentido mais amplo, englobando os conceitos de presidir, dirigir, chefiar, administrar, organizar, controlar, supervisionar e correlatos; sendo, portanto o termo utilizado elasticamente podendo significar presidente, diretor, coordenador, chefe ou até mesmo o primeiro piloto. Encerra em seu enunciado o ato, presente em várias funções, de lidar diretamente com pessoas, através do qual alguém é responsável pela condução da atividade humana gerenciando uma equipa. Seu objetivo de trabalho é os recursos humanos. Entre outros problemas vamos encontrar na área de gerência os seguintes aspectos, potenciais para influírem nos acidentes aeronáuticos: * Pressão psicológica: Da parte da chefia
ou superiores hierárquicos. Da parte da organização,
de suas regras e formas habituais, do clima organizacional. Em função
também do clima psicossocial, como por exemplo, nas situações
econômicas antagônicas, que influenciam as empresas aéreas
a demitirem pessoal.
FONTE BIBLIOGRÁFICA: 1) Araújo, Luiz M. RELATÓRIOS DO FATOR HUMANO DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES. DE 1989 A 1997 REALIZADOS NA REGIÃO SUL- SERAC V - CENIPA 2) Aviação em Foco. Org. Instituto de Ciências aeronáuticas. Porto Alegre, 1997. 3) Definições operacionais proposta pelo Instituto de Psicologia da aeronáutica - IPA 4) Digest - Fatores Humanos - Publicação da Organização Internacional de Aviação Civil - ICAO 5) EARL L. WIENER e DAVID C. NAGEL, HUMAN FACTORS IN AVIATION: 6) Green, G. Roger, et alli., 1996. Human Factors for pilots. Avebury Aviation, England. 7) Hawkins, Frank H., 1987. Human Factors in Flight. Avebury Aviaton, England. 8) Patt, Hugo O. L. e Moia, Inês P. , 1989. Síndromes de desadaptacion secundaria al vuelo. Sociedad interamericana de psicologia aeronautica, Buenos Aires. 9) Brauner, Christian.1994. Communicating in aviation. Swiss Reinsurance Company, Zurich. 10) Ruegger, Beat. 1990. Human error in the cockpit. Swiis Reinsurance Company, Zurich. 11) Ott, Charles, 1997. Safety management in the cockpit. Swiis Reinsurance Company, Zurich.
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