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| Golpe Militar de 1964 |
| O GOLPE MILITAR DE 1964 Foi ao amanhecer do primeiro dia de abril de 1964. Na v�spera o Presidente Jo�o Goulart viajara para o Rio ignorando que o pa�s j� estava mergulhado na crise que poria fim ao seu governo. Logo cedo, no Pal�cio Laranjeiras, onde passou a noite, recebeu de seus assessores imediatos a informa��o de que unidades revoltadas do Ex�rcito estavam marchando rumo ao Rio de Janeiro para dep�-lo. Com o passar das horas, contudo, as not�cias tornavam-se mais alarmantes: um contingente do Primeiro Ex�rcito, sediado no Rio, fora enviado para interceptar a coluna dos revoltosos que se aproximava; mas o comandante legalista e seus subordinados se aliaram aos rebeldes quando as duas colunas se encontraram. No Rio os fuzileiros navais, de prontid�o, s� aguardavam a ordem para agir contra Carlos Lacerda, governador do ex-Estado da Guanabara (hoje o grande Rio) e talvez o mais exaltado advers�rio de Goulart. Quando mais alta era a tens�o no Arsenal da Marinha, um tanque subitamente partiu, sem autoriza��o, para o Pal�cio Guanabara, de onde Carlos Lacerda liderava a resist�ncia civil. � chegada do tanque, sua guarni��o aderiu � revolta e foi saudada com j�bilo pelo governador e seus auxiliares. As fileiras das tropas legalistas diminu�am a cada momento. Mas a destitui��o de Goulart foi antes de tudo uma opera��o militar. As for�as civis contr�rias ao seu governo n�o puderam impedir a sua guinada nacionalista radical, no m�ximo poderiam ter fomentado uma confronta��o crescente em �reas sens�veis como a reforma agr�ria e a milit�ncia sindical. Evidentemente, uma guerra civil disfar�ada j� estava acontecendo, com grupos paramilitares anticomunistas de S�o Paulo (MAC, CCC) intimidando lideres estudantis de esquerda, e propriet�rios de terra pagando pistoleiros para executarem os organizadores da massa camponesa. Ainda assim, isto n�o teria derrubado um governo com os poderes que Goulart estava consolidando. Ali�s, foi a relativa fraqueza das for�as civis advers�rias do Presidente que levaram oficiais de alto n�vel a concluir que somente sua interven��o podia salvar o Brasil de uma prolongada guerra civil. N�o podemos deixar de levar em conta a interfer�ncia americana que n�o estava nem um pouco satisfeita com a pol�tica econ�mica do governo Jango: lei de remessa de lucros, desapropria��o de empresas estrangeiras, como fez o governador do Rio Grande do Sul anteriormente, encampando a empresa de telefonia americana ITT. Os americanos estavam t�o envolvidos no golpe que chegaram a organizar a opera��o Brother Sam que enviou navios com combust�veis e suprimentos para o caso de uma guerra civil prolongada. N�o podemos, tamb�m, desconsiderar a guerra fria. |
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