Capítulo
I Capítulo
III
Capítulo
II
A economia
de Catu fundada em pequenas propriedades, resultado de uma divisão
fundiária conseqüente de direitos de herança, que a cada ano diminuía
a relação área/proprietário, associada a baixa qualidade da terra
empobrecia e cada vez mais obrigava o rurícola a migrar para a séde
do município ou para outras cidades afim de se tornarem caixeiros,
artífices, prestadores de serviço, gerando uma sociedade de baixa
renda.
O comércio composto na década de 30 por grandes casas: Pereira &
Mata (sociedade formada por Oscar Pereira de Souza e José Alberto
Mata), sucessores de José Visco, aquele mesmo que foi proprietário
de uma grande gleba de terras em Brotas até hoje chamada de Pepino
(apelido do sr. Visco, italiano de nascimento, radicado em Catu)
Elias Medeiros, Pedro Seixas, Oscar Vieira de Araújo e outros, diminuiu
de tamanho para se ajustar a demanda.
A indústria ficou reduzida a padaria Ideal e ao alambique Canadá,
ambos de Oscarzinho, e a serraria, resfriadora de leite, fábrica
de requeijão e de fubá de milho da família Olivieri, herdeira do
complexo industrial implantado a margem esquerda do rio Catu pelo
Cel. Santos, Lourenço Santos Olivieri, na Faz. Santa Maria, de sua
propriedade, movido por uma usina hidro-elétrica cuja sobra de energia
era usada para iluminar as ruas e casas da cidade. A exportação
de fumo em folhas, principal atividade econômica local, com o evento
da guerra contra o eixo Alemanha/Itália/Japão fechou.
Nivelada por baixo a economia gerou uma sociedade pobre mas organizada,
alegre, feliz.
Herdeiro cultural de portugueses e de "ferozes" pataxós e tupiniquins
que embora guerreiros gostavam de viver, o catuense com certeza
tirou partido deste legado.
As festas religiosas eram celebradas festivamente incluído o seu
lado profano, o micareta (carnaval fora de época) a prática de esportes,
principalmente futebol davam o ar da graça daquele povo.
Apesar da harmonia entre os munícipes percebiam-se três estratos
sociais: os trabalhadores braçais, carregadores, fumageiros, ferroviários
e rodoviários (conservação da ferrovia e da rodovia), industriários,
formavam uma sociedade bipolar: Cordão Carnavalesco Florisbela,
liderado por Arlindão, eminente figura da nossa cultura carente
de reconhecimento e valorização, que também organizava e mantinha
os ternos de rei e os bumba-meu-boi ("Boi, boi, nós queda -talvez
de quedar, derrubar, deitar- levanta janeiro -nome do boi- e vamos
vadiar") e o Esporte Clube Vera Cruz, time de futebol fundado e
mantido por Oscarzinho para justificados fins.
O segundo estrato era formado por artífices, alfaiates, barbeiros,
comerciários, servidores municipais, músicos, em torno do Abafabanca,
bloco carnavalesco criado por Antonio da Luz Pinto, outro abnegado;
barbeiro de profissão, músico, compositor, regente da banda de música,
que muito fez pela sua terra.
Graças aos esforços de Pinto o Abafabanca se transformou em Clube
Social União e Progresso, com sede própria na rua da Estação, onde
recebeu grandes artistas nacionais, Luiz Gonzaga, um deles e estaduais,
como Osmar no início da sua carreira solando "Brasileirinho" com
o seu bandolim sem par.
Nos últimos cinco anos da década de 40 surgiu o terceiro estrato.
Dele nos ocuparemos no próximo capítulo.
Para o mês tem mais.....
Luiz
Carlos.
01
de março de 2007