![]() |
| Poema | |
| Fala aí Bandeira! |
MANUEL BANMANUEL BANDEIRADEIR![]() (1886-1968)
POÉTICAEstou farto do lirismo
comedido Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas. Estou farto do lirismo namorador De resto não é lirismo Quero antes o lirismo dos loucos - Não quero saber do lirismo que não é libertação. A (1886-1968) -------------------------------------------------------------------------------- POÉTICA Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas. Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo. De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare. - Não quero saber do lirismo que não é libertação. |
Todos os direitos desta página estão reservados para © Daniel Ferreira da Silva |
|