A TARDE
Salvador, Bahia
Domingo, 23/03/2008
ESPAÇO DO LEITOR

Passe para deficiente

Um paciente surdo que anda normalmente deve ter direito ao passe livre em ônibus? Um portador de epilepsia em tratamento deve ser agraciado com passagem gratuita? Como médico, e tendo realizado diversas perícias para a Justiça Federal, entendo que o passe livre deveria somente ser permitido para portadores de deficiências físicas em membros inferiores com dificuldade de locomoção, porque somente nestes casos ilustra-se que a pessoa tem de fato uma dificuldade ou uma impossibilidade em ir e vir. A gratuidade no sistema de transporte coletivo responde por 38% do sistema, ou seja, de cada dez pessoas, quatro andam de graça, e é impossível administrar um sistema desta forma, estes recursos poderiam ser aplicados no próprio sistema, com a aquisição de veículos novos e na melhoria da qualidade do serviço como um todo. Entendo que a questão social do desemprego é gritante em nossa cidade, mas não é aceitável que o justo pague pelo pecador, nem que pessoas sãs entrem de graça em coletivos. E jamais um médico deve ter medo em atestar a verdade dos fatos, cabendo ao sistema a manutenção e a garantia de que o serviço de perícia possa ser feito sem prejuízo físico ou materiais. Se uma pessoa tem força suficiente para arremessar objetos ou tentar agredir um semelhante, desde quando ela pode ser deficiente?

Primeira carta do Dr. Sampaio, publicada pelo jornal A Tarde em 23 de março de 2008.
Carta de repúdio da COCAS, publicada pelo jornal A Tarde em 2 de abril de 2008.
Fax do Dr. Sampaio, enviado ao jornal A Tarde e à COCAS em 2 de abril de 2008.
Nota da ARCCA em repúdio à carta do Dr. Sampaio, publicada pelo jornal A Tarde em 10 de abril de 2008.
Nota pública de repúdio da COCAS, editada em 10 de abril de 2008.
Nota da AFAGA em repúdio à carta do Dr. Sampaio, enviada ao jornal A Tarde em 17 de abril de 2008.

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