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Lendas da Mitologia
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Os Dentes do Dragão

 

A moça corre pelos campos verdejantes, parando de vez em quando para colher flores. Despreocupada, ri e brinca, sem desconfiar de que bem perto dali alguém a vigia, de pé numa carruagem, oculto no arvoredo. É Hades, o deus dos mortos e dos mundos subterrâneos.

Agenor, soberano do país de Canaã, considerava-se o melhor dos reis e o mais feliz dos pais. Orgulhava-se da saúde e da bravura de seus cinco filhos e, sobretudo, adorava sua única filha, a princesa Europa.

A verdade é que a beleza da moça deslumbrava todos os mortais. Até mesmo Zeus, o rei dos deuses, a notara.

Decidido a seduzi-la, ele transforma-se num touro branco e mistura-se ao rebanho de Agenor, que sempre pastava na praia de Tiro. Ao fazer seu passeio diário a beira-mar, Europa, escoltada por seu séquito, sente-se atraída pelo ar tranqüilo e majestoso do animal. Aproximando-se, ela estende-lhe a mão e começa a acariciá-lo, surpresa por encontrar um touro tão meigo e dócil, quando geralmente são todos tão perigosos. Ganhando confiança, passa a brincar com ele e até faz guirlandas de flores para prender em seus chifres. Como o touro deixa Europa fazer o que quer, a princesa, audaciosamente, monta-lhe nas costas. Ele continua calmo, andando pela praia.

De repente, o animal começa a galopar e, espirrando água por todos os lados, joga-se no mar e atravessa as ondas com vigor e rapidez. Aterrorizada, Europa agarra-se ao chifre direito, ainda segurando com a outra mão uma coroa de flores. Ela mal tem tempo de lançar um último olhar a sua terra natal. Zeus carrega-a para a ilha de Creta.

No palácio de Agenor, todos ficam consternados. Louco de dor com o rapto de Europa, o rei manda chamar os filhos e ordena:

– Partam imediatamente! Encontrem Europa! Que nenhum de vocês apareça diante de mim sem sua irmã...

Sem saber onde iniciar a procura, os cinco irmãos saem pelo mar. Um deles, Cadmo, resolve explorar as diversas ilhas que cercam a Grécia. Mas não tem êxito. Então, decide ir a Delfos, onde fica o mais famoso oráculo de toda a Hélade. Depois de se purificar, aproxima-se da pítia, a sacerdotisa de Apolo, deus do Sol. Lendo o futuro, ela diz a Cadmo:

– Não adianta ir atrás de Europa, pois você nunca a encontrará. Procure uma vaca que tenha em cada flanco uma mancha em forma de lua cheia. Siga-a e, onde ela parar funde uma cidade.

Pensativo, Cadmo sai de Delfos com sua escolta. No caminho, encontra uma novilha que corresponde à descrição dada pela pítia. Então, compra-a de uns camponeses. Deixando-a andar a esmo, segue-a até a Beócia, onde, exausta, cai no chão. Nesse lugar exato, Cadmo ergue uma estátua de Atena. Em seguida, manda seus homens buscar água.

Ora, ali perto, junto a uma gruta sombria, existe uma fonte consagrada a Ares, o deus da guerra. Os companheiros de Cadmo precipitam-se para a água, sem nem desconfiar de que na caverna mora um temível dragão. Quando mal começam a encher os odres, o monstro surge, silvando horrivelmente. Paralisados de pavor, os homens não conseguem fugir e são mortos.

Cadmo, dando pela falta de seus homens, resolve partir à procura deles. Coberto com uma pele de leão e armado com uma lança e um dardo, embrenha-se na floresta. Perto da fonte, depara com um espetáculo pavoroso: o monstro está adormecido em cima dos corpos dos fiéis companheiros de Cadmo. Louco de raiva, o herói arranca do chão um imenso bloco de pedra e lança-o com força sobre a cabeça do dragão. Furioso, o réptil tenta levantar-se e defender-se, mas Cadmo é mais ligeiro e liquida-o com seu dardo.

Enquanto o jovem contempla os restos do monstro, Atena lhe aparece e diz:

– Filho de Agenor, arranque os dentes desse dragão. Depois, trace um sulco na terra e os semeie.

Cadmo atende à ordem da deusa. Assim que acaba de semear o último dente, vê com espanto a terra tremer e abrir-se em vários lugares. Do solo brotam elmos e, em seguida, faces que encimam torsos vestidos em couraças. Num instante, o local todo fervilha, com uma multidão de homens em armas. Cadmo pega uma grande rocha e lança-a contra os guerreiros.

O pânico toma conta deles. Com gritos agudos, no meio do barulho das espadas que se chocam, eles jogam-se uns contra os outros. Do massacre, saem vivos cinco homens, que, após discutir entre si, propõem seus serviços a Cadmo. Com esses cinco nascidos da Terra, o herói constrói Tebas.

A cidade fica cada vez mais poderosa, e nela Cadmo reina com justiça. Civiliza os gregos, fazendo que descubram o alfabeto. Protegido pelos deuses, casa-se com Harmônia, filha de Ares e de Afrodite.

A festa de casamento é magnífica, e os doze grandes deuses do Olimpo comparecem, dando presentes suntuosos aos noivos.

mens chamam inverno.

 
 
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 - Professor Valter Cruz - Civilizações by Verô 2003/2007-


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