99/03/17 O Setubalense
"Água" mal-cheirosa na Av. D. João II
Na Avenida D. João II, no passeio fronteiro ao Hospital de Setúbal, há vários dias que, como a foto mostra, se verifica o derrame de "água" de uma "tampa" de esgoto. O líquido, já que seria inapropriado chamar-lhe água, cheira mal que tresanda e incomoda os moradores e transeuntes, como se compreende. Tivemos oportunidade de sentir o "aroma" e daqui pedimos reparo para a situação.
Em Sarilhos Grandes
Esgotos inundam casas particulares
O desnível de várias habitações da freguesia de Sarilhos Grandes em relação à rede de esgotos e a não existência de sumidouros está na origem das inundações dessas casas sempre que chove, como aconteceu nos últimos dias.
A freguesia de Sarilhos Grandes está a braços com problemas na rede de esgotos, o que origina que, em pelo menos três locais e especialmente quando chove, as águas pluviais e residuais invadam as casas mais próximas dos pontos de ruptura.
O caso mais grave ocorre na zona da Broega, onde devido ao facto de a tampa do esgoto estar mais alta que o nível apropriado, o escoamento não ocorre e, com grande frequência, os esgotos correm a céu aberto e entram na casa de oito famílias provocando grandes incómodos, estragos consideráveis e perigo para a saúde pública.
António de Jesus, presidente da Junta de Freguesia, esclarece que esta situação data da instalação da rede de saneamento em Sarilhos Grandes, por isso há mais de vinte anos, "sem que nada se faça para a modificar". Como adiantou aquele responsável, já houve diversos contactos com os serviços técnicos da Câmara nesse sentido e parece existir concordância em que a solução passa por colocar aquela parte do esgoto numa zona mais baixa, nomeadamente a acompanhar a vala existente no local, para o que a proprietária do terreno em questão terá até já dado consentimento.
O presidente da Junta afirma que se "trata apenas de gastar um pouco mais de dinheiro e ter vontade de resolver os problemas das famílias afectadas", pontos que determina como essenciais para resolver outro problema neste âmbito.
Neste novo caso, na Rua da Escola, a não instalação de sumidouros para águas pluviais por ocasião da ligação à rede de esgotos, origina que, quando chove, a rua se transforme num autêntico rio, dificultando a mobilidade dos moradores idosdos, e as águas não tenham outro destino que não alagar as casas situadas num nível inferior, mais uma vez provocando estragos consideráveis.
As queixas sobre estes problemas "inundam" também a Junta de Freguesia que dá eco das mesmas à Câmara Municipal e António Jesus, apesar de admitir saber que estes assuntos não estão esquecidos, diz lamentar que nada se faça para os resolver.
Uma outra questão ligada com a mesma problemática teve, no entanto, uma solução recente, com a colocação de uma tampa estanque para evitar que as águas subam. Foi na Estrada Nacional nº11 onde, sempre que chovia se davam acidentes pelo levantamento das tampas de esgoto, motivado pela pressão excessiva.
Apesar de essa questão agora não se colocar, como conclui aquele autarca, "os esgotos do bairro novo continuam a ser demasiados volumosos para a canalização existente", o que leva a antever que, em caso de chuvadas fortes e consequente aumento do caudal, outros problemas venham a surgir.
99/03/19 O Setubalense
Concessionária dos SMS desdramatiza problema
"Águas do Sado" já previa roturas
As frequentes roturas na rede de água da cidade já estavam previstas pela "Águas do Sado". A empresa desdramatiza o problema e assume que a resolução passa pela renovação da rede que deverá estar concluída dentro de dois anos.
A ocorrência de roturas na rede de abastecimento de água da cidade de Setúbal foi prevista pela "Águas do Sado". A empresa assume mesmo que os custos da reparação das roturas "já estavam previstos" e era "expectáveis" do ponto de vista financeiro.
Na base desta previsão está o avançado estado de degradação de muitas das condutas que constituem e rede de água, e que continuam a ser a principal causa para o ritmo quase semanal das roturas.
Na última terça-feira, ao final da tarde na Rua José Groot Pombo houve mais uma rotura, de grandes dimensões, que chegou a provocar embaraços à circulação automóvel em toda a zona de Aranguês. Testemunhas oculares afirmam que a água atingiu o nível da grelha dos veículos automóveis.
O presidente da "Águas do Sado" não vai tão longe na avaliação desta rotura, mas assume que neste caso, como nos restantes existe uma maior visibilidade do problema desde que a empresa passou a gerir os Serviços Municipalizados de Setúbal (SMS). "O nosso contrato obriga a comunicar à Câmara todas as roturas onde a reparação não seja conseguida em menos de quatro horas", explica Ângelo Gromicho, que assume ainda outros factores para a maior visibilidade do problema: "temos a obrigação de contactar os órgãos de comunicação social, nomeadamente as rádios locais e também os bombeiros".
Ângelo Gromicho sublinha a "O Setubalense" que o volume de roturas não aumentou desde que a "Águas do Sado" assumiu a gestão dos SMS. "A forma como o processo é encarado é que é diferente", contrapõe.
Para já o problema das roturas de águas deverá manter-se nos próximos anos. Sendo a idade do sistema o principal problema, só quando a renovação dos principais adutores e das restantes condutas estiver concluída é que poderá haver algum tranquilidade.
Actualmente a empresa está a renovar a zona da Avenida Luísa Todi e muito em breve deverá avançar a segunda fase da Avenida Rodrigues Manito. "Estamos a fazer obra", explica. Ângelo Gromicho mostra-se avesso a avançar com uma data concreta, mas assume que no espaço de dois anos, se se mantiver o ritmo de obras actualmente em curso e forem lançadas a que estão programadas, então as roturas pela idade da rede diminuirão.
A renovação da rede é, diz Ângelo Gromicho, uma das razões porque as autarquias avançam para a concessão dos seus serviços municipalizados. "São investimentos muitos pesados e que as Câmaras têm dificuldades em fazer, por isso optam pelas concessões para fazer os tais investimentos, nomeadamente os de curto prazo", explica. A recente aprovação pela Assembleia Municipal de Cascais da concessão dos SMAS daquele concelho, "prova que este é o caminho a seguir para quem quer fazer investimentos".
A idade da rede não é no entanto o único problema que se depara à empresa e que está na origem de muitas roturas. Os restantes operadores que actuam no sub-solo, Portugal Telecom, SLE, SetGás, TVCabo Sado e algumas obras públicas e particulares estão na origem de muitas deficiências.
O concelho de Setúbal, refere Ângelo Gromicho, regista um elevado nível de construção cívil que traz problemas acrescidos à "Águas do Sado". Em Azeitão, explica, onde a rede é nova, há por vezes roturas provocadas sem razão pelos construtores e no Bairro da Liberdade já houve casos de mais de uma rotura feita pelo mesmo construtor.
Reparámos que na Rua Camilo Castelo Branco, a caixa de esgotos do prédio 118, localizada no quintal do prédio encontra-se entupida há mais de duas semanas, originando natural má vizinhança. Estas, já se socorreram dos serviços camarários, delegação de saúde e empresa "Águas do Sado", sem que o problema tenha sido solucionado.