O haicai
é um poema de cinco, sete e cinco sílabas. Em sua elaboração,
os haicaístas procuram revelar, de maneira sutil, uma das estações
do ano. Abaixo, transcrevemos a tradução de um haicai de
Matsuo Bashô, o mais importante mestre do gênero de
Poesia.
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"Bamboo"
Akemi
Takaki, Japão |
Mar na escuridão
O marreco emite um grito
Vagamente branco.
Bashô |
I
O espelho onde a rosa
Se mirava o vento apagou:
Orvalho desfeito.
II
Do velho machado
Fincado no solo, a cabo
Já esplende as folhas.
III
Libélula rubra:
Narciso se contemplando
No espelho do rio.
IV
Cigarra está muda.
Olhando o casco vazio
Seu canto me alcança.
V
Céu. Nuvem de patos.
E em mim, uma branca paz
Digna e sesta.
VI
Viajante a buscar
Luas, montanhas e lagos.
Seria eu tão feliz!
VII
Cerejeira amiga
Esta talvez seja minha
Última visita.
VIII
O vento de outono
Me levou muito cabelo,
Os brancos ficaram.
IX
É lua de outono.
Mais branco que o branco estão
Meus cabelos poucos.
X
Que noite invernal!
Crepita a velha lareira.
Por que ainda tremo? |
XI
Na noite de inverno
O cantar do grilo apagou
Minha solidão.
XII
O vento outonal
Traz ao meu quarto o som
De um caqui tombando.
XIII
Lua em plena prenhez.
A planície dormita
Sem sombras, sem medo.
XIV
Velho monge passou
A noite admirando a lua
A nadar no rio.
XV
Levei a noite toda
Ouvindo o canto do grilo.
Como acordei feliz!
XVI
Nas árvores, galhos
No chão folhas amarelas
Rolando, rolando.
XVII
O límpido lírio
Alumbra da umbrosa água:
Término das trevas.
XVIII
Na gota de orvalho,
Sobre a pétala de rosa,
O espelho da abelha.
XIX
No vaso vazio
A rosa que murchou ainda
Recende seu aroma. |
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