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1º
Semestre de 2006
Mantenha-se sempre
informado sobre os encontros realizados, as atividades, as leituras a serem
efetuadas e as avaliações do semestre. Para tanto, acesse
esta página. Nela, você encontrará uma síntese
de cada reunião de trabalho.
Entrevista:
Steven Pinker é um
dos mais respeitados nomes da ciência cognitiva e dos etudos da linguagem
aplicados à neurociência . Seus ensaios tem grande aceitação
na comunidade acadêmica e também no público em geral.
Em Tábula Rasa, Pinker enfrenta o debate "natureza versus
criação".
O autor ataca três
dogmas fortemente arraigados na cultura ocidental:
a) a idéia de que
a mente de um recém nascido é uma "tábula rasa" a
ser preenchida pelos pais e pela sociedade;
b) a concepção
de que o homem em seu estado primitivo é um bom selvagem; e
c) a crença de que
a alma imaterial dotada de livre arbítrio é a única
responsável pelas ações do indivíduo.
O autor descreve a evolução
histórica dessas três idéias, originadas respectivamente
das concepções de Johhn Locke, de Rousseau e da religião.
Pinker demonstra como elas se estabeleceram de forma inquestionável
até comporem uma espécie de "doutrina oficial", que hoje
influencia não só a criação dos filhos, mas
também a vida política.
Pinker recorre a autores
como Darwin, Kant, Shakespeare e até a personagens dos quadrinhos
como Calvin e Haroldo, para defender a idéia de uma natureza humana
alicerçada na biologia. Segundo essa concepção, o
ser humano nasce equipado com um conjunto de informações
genéticas que direciona o seu desenvolvimento. Em cada indivíduo,
a natureza humana, regida pela biologia, sofre influências da cultura
e da sociedade - e é da interação de ambas que resultam
personalidade e comportamento.
Confira
o que ele disse sobre o livro:
Steven Pinker - O livro é
muito mais sobre explorar as implicações morais, políticas
e sociais dessa descoberta. Muitas pessoas ficam irritadas com essa idéia
e até para alguns cientistas esse não é um conceito
do qual eles se lembram com freqüência. Muitas pesquisas em
psicologia, por exemplo, ignoram o fato de que os genes afetam a personalidade.
Pesquisas que relacionam a forma como os pais tratam uma criança
e o que elas se tornam depois. Nelas, uma criança que foi espancada
por seus pais irá criar um adulto mais violento. Eles assumem que
a relação de 'correlação' é uma relação
'causal' e concluem automaticamente que foi o comportamento dos pais que
moldou a criança. Eles não chegam nem a testar a possibilidade
de que pode haver genes que predispõem as pessoas para a violência.
Como pais dão para seus filhos genes e um ambiente, essa 'correlação'
pode estar simplesmente dizendo que pessoas violentas espancam seus filhos
e estes filhos, que herdam os genes violentos, são também
violentos.
Por
que é difícil aceitar o fato de que a natureza humana é,
parcialmente, biológica?
Pinker - Há pelo menos
quatro razões. Primeiro, há a teoria da diferença,
que é a tábula rasa. Ela diz que todos devemos ser iguais,
pois zero igual a zero. Se algumas pessoas tivessem algo diferente escrito
na tábula, elas seriam diferentes. A teoria é que isso justificaria
a discriminação e opressão, que isso poderia ser usado
para justificar a discriminação de mulheres ou grupos étnicos
com base na idéia de que elas são psicologicamente diferentes
por causa de seus genes. Muitos estudiosos acham que as diferenças
entre mulheres são socialmente construídas ou que as diferenças
entre as pessoas são o da forma como eles são tratados pelo
mundo. As diferenças entre os sexos certamente não vêm
somente da socialização ou cultura, mas isso ainda é
negado por muitos acadêmicos. Há muitos que ainda acreditam
que todas as diferenças entre os sexos vêm da forma como se
educa meninos e meninas. A segun-da teoria é de que todos os traços
indesejáveis nos seres humanos são inatos, (egoísmo,
agressividade) e que qualquer tentativa de mudá-los seria uma perda
de tempo. A terceira teoria é a do determinismo, na qual todo o
comportamento deve ser atribuído aos genes (ninguém seria
responsável por seus atos. Não poderíamos punir as
pessoas por seus comportamentos, pois eles vêm dos genes). A quarta
é a teoria do niilismo. A teoria de que tudo que temos de mais sagrado
- amor, beleza, moral - é somentte pedaço de genes tentando
se transmitir para a próxima geração.
Então
não somos intrinsecamente bons?
Pinker - O bom selvagem é
um mito. Todos os estudos quantitativos existentes mostram que o homicídio
existia antes das sociedades organizadas por leis e que a taxa de violência
nessas sociedades mais antigas é bem maior do que as das sociedades
industriais modernas. Apesar da idéia muito divulgada de que os
caçadores coletores viviam em paz e harmonia e que a violência
é uma criação das instituições modernas.
E, também, há estudos que mostram que homens, especialmente,
têm fantasias homicidas. Algumas vezes eles pensam matar pessoas
de que não gostam.
A
violência faz parte da natureza humana?
Pinker - Os pensamentos violentos,
sim, mas o que vamos fazer com eles depende do ambiente em que estamos.
E
a idéia de que temos algo dentro de nós, que comanda o nosso
cérebro, as nossas ações?
Pinker - Todas as emoções
e pensamentos podem ser relacionados a uma atividade fisiológica
do cérebro e não há nenhuma razão para acreditar
que seja necessário uma substância extra chamada alma, para
gerar
os comportamentos que temos.
E
qual o papel do acaso na nossa vida?
Pinker - Muita da variação
de inteligência e personalidade existente entre nós não
pode ser atribuída nem a genes nem ao ambiente. Se você olhar
gêmeos idênticos que foram criados na mesma família,
mesmo local, mesma cultura, mesma casa, você verá que eles
são muitos mais parecidos do que outros pares de pessoas, mas eles
estão longe de ser idênticos. As similaridades entre suas
personalidades e inteligências talvez seja de 50% em média.
As diferenças não podem vir dos genes, pois eles têm
genes iguais, e também não pode vir diretamente do ambiente,
pois tiveram os mesmos pais, vizinhos, casa. Essas diferenças vêm
do acaso, e têm influência naquilo que somos. Acasos como um
bebê que cai de cabeça no chão, um vírus que
ele pega, um pensamento que deixe uma impressão permanente. Esses
fatores podem ter uma influência tão grande quanto os genes
no que somos, uma influência muito maior do que os pais exercem numa
pessoa.
Boa
parte do que somos é, então, produto do acaso?
Pinker - Ao menos boa parte
daquilo que nos faz diferentes uns dos outros em uma mesma cultura é
o acaso.
Conteúdo
do "quadro" projetado:
Interesse : variações
sintáticas/ estrutura : sintaxe
Unidade
Problema : A linguagem não
se deixa apreender através de uma única língua
Os trabalhos dentro dessa
perspectiva são realizados a partir de uma única língua:
a do pesquisador (inglês, francês, outras)
Arriscado (generalizações
– da língua às línguas; das línguas à
linguagem)
Resposta sintática
à diversidade das línguas:
Existência de princípios
(inatos, universais. Regras fixas independentes das diferenças interlingüísticas)
e de parâmetros (finitos, reduzidos, variam de uma língua
para outra) que explicam a variação interlingüística
As regras da GU são
apresentadas de forma unificada e simplificada: Programa MINIMALISTA
“existência de uma
única língua, de um único sistema computacional e
de um único léxico”
A diversidade seria uma
aparência
Língua (natural)
= linguagem formal
Objetivo: tratamento automático
as línguas
Perspectiva modularista:
postula a existência de um módulo específico para a
linguagem, autônomo em relação a outras atividades
cognitivas
Linguagem e pensamento:
dois módulos diferentes, lugares de cálculos distintos
“O pensamento é uma
função mental totalmente distinta da linguagem podendo operar
na ausência da linguagem”
“Embora a linguagem expresse
o pensamento, o pensamento constitui um fenômeno cerebral independente”
“A linguagem é o veículo
que permite exteriorizar o pensamento, mas ela não é o pensamento”
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