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1º Semestre de 2006

Mantenha-se sempre informado sobre os encontros realizados, as atividades, as leituras a serem efetuadas e as avaliações do semestre. Para tanto, acesse esta página. Nela, você encontrará uma síntese de cada reunião de trabalho.
 
23 de Junho

entrevista 

quadro


 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Caricatura de Steven Pinker

Entrevista:

Steven Pinker é um dos mais respeitados nomes da ciência cognitiva e dos etudos da linguagem aplicados à neurociência . Seus ensaios tem grande aceitação na comunidade acadêmica e também no público em geral. Em Tábula Rasa, Pinker enfrenta o debate "natureza versus criação". 
O autor ataca três dogmas fortemente arraigados na cultura ocidental: 
a) a idéia de que a mente de um recém nascido é uma "tábula rasa" a ser preenchida pelos pais e pela sociedade; 
b) a concepção de que o homem em seu estado primitivo é um bom selvagem; e 
c) a crença de que a alma imaterial dotada de livre arbítrio é a única responsável pelas ações do indivíduo. 
O autor descreve a evolução histórica dessas três idéias, originadas respectivamente das concepções de Johhn Locke, de Rousseau e da religião. Pinker demonstra como elas se estabeleceram de forma inquestionável até comporem uma espécie de "doutrina oficial", que hoje influencia não só a criação dos filhos, mas também a vida política.
Pinker recorre a autores como Darwin, Kant, Shakespeare e até a personagens dos quadrinhos como Calvin e Haroldo, para defender a idéia de uma natureza humana alicerçada na biologia. Segundo essa concepção, o ser humano nasce equipado com um conjunto de informações genéticas que direciona o seu desenvolvimento. Em cada indivíduo, a natureza humana, regida pela biologia, sofre influências da cultura e da sociedade - e é da interação de ambas que resultam personalidade e comportamento.

Confira o que ele disse sobre o livro:

Steven Pinker - O livro é muito mais sobre explorar as implicações morais, políticas e sociais dessa descoberta. Muitas pessoas ficam irritadas com essa idéia e até para alguns cientistas esse não é um conceito do qual eles se lembram com freqüência. Muitas pesquisas em psicologia, por exemplo, ignoram o fato de que os genes afetam a personalidade. Pesquisas que relacionam a forma como os pais tratam uma criança e o que elas se tornam depois. Nelas, uma criança que foi espancada por seus pais irá criar um adulto mais violento. Eles assumem que a relação de 'correlação' é uma relação 'causal' e concluem automaticamente que foi o comportamento dos pais que moldou a criança. Eles não chegam nem a testar a possibilidade de que pode haver genes que predispõem as pessoas para a violência. Como pais dão para seus filhos genes e um ambiente, essa 'correlação' pode estar simplesmente dizendo que pessoas violentas espancam seus filhos e estes filhos, que herdam os genes violentos, são também violentos.

Por que é difícil aceitar o fato de que a natureza humana é, parcialmente, biológica?

Pinker - Há pelo menos quatro razões. Primeiro, há a teoria da diferença, que é a tábula rasa. Ela diz que todos devemos ser iguais, pois zero igual a zero. Se algumas pessoas tivessem algo diferente escrito na tábula, elas seriam diferentes. A teoria é que isso justificaria a discriminação e opressão, que isso poderia ser usado para justificar a discriminação de mulheres ou grupos étnicos com base na idéia de que elas são psicologicamente diferentes por causa de seus genes. Muitos estudiosos acham que as diferenças entre mulheres são socialmente construídas ou que as diferenças entre as pessoas são o da forma como eles são tratados pelo mundo. As diferenças entre os sexos certamente não vêm somente da socialização ou cultura, mas isso ainda é negado por muitos acadêmicos. Há muitos que ainda acreditam que todas as diferenças entre os sexos vêm da forma como se educa meninos e meninas. A segun-da teoria é de que todos os traços indesejáveis nos seres humanos são inatos, (egoísmo, agressividade) e que qualquer tentativa de mudá-los seria uma perda de tempo. A terceira teoria é a do determinismo, na qual todo o comportamento deve ser atribuído aos genes (ninguém seria responsável por seus atos. Não poderíamos punir as pessoas por seus comportamentos, pois eles vêm dos genes). A quarta é a teoria do niilismo. A teoria de que tudo que temos de mais sagrado - amor, beleza, moral - é somentte pedaço de genes tentando se transmitir para a próxima geração.

Então não somos intrinsecamente bons?

Pinker - O bom selvagem é um mito. Todos os estudos quantitativos existentes mostram que o homicídio existia antes das sociedades organizadas por leis e que a taxa de violência nessas sociedades mais antigas é bem maior do que as das sociedades industriais modernas. Apesar da idéia muito divulgada de que os caçadores coletores viviam em paz e harmonia e que a violência é uma criação das instituições modernas. E, também, há estudos que mostram que homens, especialmente, têm fantasias homicidas. Algumas vezes eles pensam matar pessoas de que não gostam.

A violência faz parte da natureza humana?

Pinker - Os pensamentos violentos, sim, mas o que vamos fazer com eles depende do ambiente em que estamos.

E a idéia de que temos algo dentro de nós, que comanda o nosso cérebro, as nossas ações? 

Pinker - Todas as emoções e pensamentos podem ser relacionados a uma atividade fisiológica do cérebro e não há nenhuma razão para acreditar que seja necessário uma substância extra chamada alma, para gerar os comportamentos que temos.

E qual o papel do acaso na nossa vida?

Pinker - Muita da variação de inteligência e personalidade existente entre nós não pode ser atribuída nem a genes nem ao ambiente. Se você olhar gêmeos idênticos que foram criados na mesma família, mesmo local, mesma cultura, mesma casa, você verá que eles são muitos mais parecidos do que outros pares de pessoas, mas eles estão longe de ser idênticos. As similaridades entre suas personalidades e inteligências talvez seja de 50% em média. As diferenças não podem vir dos genes, pois eles têm genes iguais, e também não pode vir diretamente do ambiente, pois tiveram os mesmos pais, vizinhos, casa. Essas diferenças vêm do acaso, e têm influência naquilo que somos. Acasos como um bebê que cai de cabeça no chão, um vírus que ele pega, um pensamento que deixe uma impressão permanente. Esses fatores podem ter uma influência tão grande quanto os genes no que somos, uma influência muito maior do que os pais exercem numa pessoa.

Boa parte do que somos é, então, produto do acaso? 

Pinker - Ao menos boa parte daquilo que nos faz diferentes uns dos outros em uma mesma cultura é o acaso.
 
 

Conteúdo do "quadro" projetado:

Interesse : variações sintáticas/ estrutura : sintaxe
Unidade
Problema : A linguagem não se deixa apreender através de uma única língua
Os trabalhos dentro dessa perspectiva são realizados a partir de uma única língua: a do pesquisador (inglês, francês, outras)
Arriscado (generalizações – da língua às línguas; das línguas à linguagem)
Resposta sintática à  diversidade das línguas:
Existência de princípios (inatos, universais. Regras fixas independentes das diferenças interlingüísticas) e de parâmetros (finitos, reduzidos, variam de uma língua para outra) que explicam a variação interlingüística
As regras da GU são apresentadas de forma unificada e simplificada: Programa MINIMALISTA
“existência de uma única língua, de um único sistema computacional e de um único léxico” 
A diversidade seria uma aparência
Língua (natural) = linguagem formal
Objetivo: tratamento automático as línguas
Perspectiva modularista: postula a existência de um módulo específico para a linguagem, autônomo em relação a outras atividades cognitivas
Linguagem e pensamento: dois módulos diferentes, lugares de cálculos distintos

“O pensamento é uma função mental totalmente distinta da linguagem podendo operar na ausência da linguagem” 

“Embora a linguagem expresse o pensamento, o pensamento constitui um fenômeno cerebral independente”

“A linguagem é o veículo que permite exteriorizar o pensamento, mas ela não é o pensamento”

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