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"Registros
da Terra Nostra", págs. 66 a 68 de VEJA (1702)

Tempo estimado:
duas aulas de 50 minutos
Dados da carteira de identidade
podem virar material didático
Mostre aos alunos como o nome próprio e
o sobrenome revelam muito mais do que
se costuma imaginar
| Conteúdos |
Nomes, genealogia e imigrantes |
| Competências
segundo o Enem |
Construir e aplicar conceitos das várias áreas do
conhecimento para a compreensão de processos histórico-geográficos |
| Habilidades |
Perceber, pela análise dos nomes, como os traços
culturais familiares crescem e se ramificam |
Luís
Inácio Lula da Silva descende do herói troiano Enéias ou de
nobres romanos? Será um primo distante do dramaturgo António José
da Silva (1705-1739), o Judeu, condenado e morto pela Inquisição?
Ou, o que é bem mais provável, Lula é parente espiritual do Zé
da Silva - símbolo da multidão de brasileiros pobres, sem uma
gota sequer de sangue azul?
Você e seus alunos não encontrarão a resposta no Dicionário
das Famílias Brasileiras, embora essa obra monumental traga
informações valiosas sobre os grupos familiares que lançaram raízes
no Brasil (veja o quadro
sobre algumas origens dos Silva). O primeiro tomo, com
2385 páginas, aborda fundamentalmente famílias estabelecidas
aqui até meados do século XIX. O segundo tomo - cujo lançamento
inspira o texto de VEJA - focaliza as sucessivas ondas migratórias
do período 1880-1950. Use a reportagem como base para examinar em
classe alguns aspectos da trajetória dos grupos familiares
brasileiros.
| Primos
do Zé da Silva |
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Os
antigos genealogistas registram diferentes origens
para os Silva aristocráticos: eles descenderiam
dos Silvios romanos ou de um filho do herói
troiano Enéias. Fontes históricas mais confiáveis
os apontam como descendentes dos reis de Leão,
Estado ibérico medieval. Mas a esmagadora maioria
dos Silva brasileiros pertence à plebe. São os
primos do Zé da Silva, espécie de símbolo do
brasileiro humilde, e estão espalhados de Norte a
Sul do país. A verdade é que o sobrenome mais
difundido no Brasil foi adotado por indivíduos de
origem africana, como Xica da Silva; por indígenas
e degredados; por cristãos-novos, como os Mendes
da Silva, do Rio de Janeiro (a família do
dramaturgo António José da Silva, o Judeu). E
houve também alguns Silva que se tornaram barões
do Império, recebendo brasões de nobreza, ainda
que diferentes daqueles dos reis de Leão.
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Um
Silva na presidência da República: o
marechal
Arthur da Costa e Silva |
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Um
Silva na Fórmula 1:
o piloto campeão
Ayrton Senna da Silva |
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Preparação
da aula
Tire cópias do texto de apoio (veja
quadro abaixo) e distribua-as entre os alunos.
| Para
saber mais |
Da
genealogia à história social
Se você prestar bem atenção, perceberá que até
hoje certos núcleos sociais usam uma forma de
"contagem" do tempo e de identidade
social e cultural baseada na linhagem familiar.
Ainda permanecem no campo, nos subúrbios e
bairros simples designações do tipo "o Zé,
filho da Maria, neto do Seu João do Bar" ou
"a Neusinha, irmã do Mané dos Bois, que é
filho do João Mineiro". A essas relações
de procedência, de linhagem de antepassados e de
origem, damos o nome de genealogia. A sucessão
dos patriarcas, nos textos bíblicos, mostra que a
genealogia foi uma das primeiras formas que o
homem desenvolveu para contar o tempo de longo
prazo. Foi identificando, contando e nomeando as
gerações segundo os laços de parentesco que o
passado pôde ser medido e rastreado com relativa
precisão. Além disso, certos traços culturais e
sociais puderam ser identificados ao longo do
tempo. E, à medida que esses grupos cresceram e
se ramificaram, tais traços deixaram de se
restringir ao círculo familiar e tornaram-se
sociais. Mas esse método logo se tornou apenas
uma história das estirpes nobres e, sobretudo, um
instrumento de poder político, cultural e econômico,
pois podia definir os destinos de uma grande herança,
por exemplo. Recentemente, a demografia histórica
e a história social da família buscam usar a
genealogia sem os traços conservadores que ela
adquiriu ao longo do tempo. Isso significa
recuperar os laços entre determinadas formações
familiares e a sociedade mais ampla. |
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Antes
da leitura de VEJA pelos alunos
Depois de promover a leitura do texto de apoio em sala de aula,
chame a atenção da turma para o fato de que o núcleo familiar
assumiu diversas formas e características, transformando-se no
tempo e no espaço. Uma família nordestina do século XVI tem
certas peculiaridades que a diferenciam de uma família paulista
do século XVII ou de uma mineira do século XVIII. Explique também
aos estudantes que, numa mesma época, uma família que vive em áreas
mais distantes e isoladas no interior organiza-se de modo
diferente e tem hábitos culturais distintos daquelas instaladas
nos grandes centros urbanos. Os interioranos conservam-se mais fiéis,
por exemplo, à contagem do tempo baseada na genealogia.
Exercícios
e outras atividades
Álbum de Família
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| 1953:
jovens descendentes de italianos, em São Paulo, a
principal porta de entrada dos europeus |
.
Divida a classe em grupos e encarregue-os de
examinar os temas relacionados a algumas formas familiares do
passado mais remoto, de um tempo mais recente e da sociedade
atual. Peça que três equipes pesquisem, por exemplo, o Brasil
Colônia: como era a família patriarcal, a escrava e a dos homens
livres que não possuíam terras e desenvolviam atividades
"itinerantes", como os paulistas ou os criadores de gado
do sertão nordestino. Outros dois grupos podem investigar o modo
de vida das famílias até meados do século XX e os hábitos típicos
de hoje. Deixe que cada grupo exponha suas pesquisas e prepare o
debate. Procure mostrar como as formas familiares mudam no tempo e
não há apenas uma regra para sua organização.
Arquivo Pessoal
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| Mascate
árabe e garimpeiros: o país recebeu 130000 imigrantes sírio-libaneses
de 1872 a 1972 |
.
Sugira um estudo sobre a presença, no Brasil Colônia,
dos cristãos-novos - judeus convertidos à força pelo governo
português nos séculos XV e XVI. A turma perceberá que muitos
desses indivíduos tinham sobrenomes bem comuns, como Silva e
Pereira. Deixe bem claro, porém, que isso não significa que
todos os Silva ou Pereira descendem de cristãos-novos.
Peça
que os alunos pesquisem as próprias famílias. Em primeiro lugar,
encarregue-os de elaborar uma árvore genealógica, identificando
cada membro no tempo e no espaço por quatro ou cinco gerações.
Sugira também que levantem as características e elementos
culturais, como festas tradicionais familiares ou da comunidade,
roupas, linguagem, comida etc. Trate de mostrar a eles que a família
não é apenas fruto de relações afetivas, mas também um núcleo
de identidades e trocas culturais.
Reprodução/Albari Rosa
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| Tomi
Nakagama com o marido Massashi e as filhas, em 1950: a família
chegou ao Brasil em 1908 |
Proponha
que os estudantes façam um levantamento sobre suas origens,
examinando os sobrenomes de pais e avós. Procure mostrar que é
possível não apenas agrupá-los pela identidade cultural (como
os afro-brasileiros ou os descendentes de italianos, árabes ou
japoneses), mas também pela distribuição geográfica (os
paulistanos, os mineiros, os nordestinos e assim por diante).
Provavelmente a origem familiar apontará grande diversidade (por
exemplo, um avô italiano, outro português, uma avó paulista e
outra nordestina). O que tamanha diversidade étnica e cultural
sugere sobre a formação da sociedade brasileira?
Bibliografia
complementar
História da Vida Privada no Brasil, vários autores, vols.
1 a 4, Companhia das Letras, tel. (0_ _ 11) 3846-0801
Aula sugerida
por José Geraldo Vinci de Moraes, professor de História
da Universidade Estadual Paulista (Unesp)
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