Boletim Geográfico 4 - Março/2000

ProfºBeto Zanarella

Megafusões e Globalização no Brasil

A megafusão de empresas parece estar dando suas caras pelo Brasil. A primeira foi a Ambev ( Brahma e Antártica ) agora estamos assistindo a uma fusão de interesses de duas grandes empresas do setor automobilístico a GM ( EUA ) e a Fiat ( Itália ). Com certeza essa prática de disputa pelo mercado automobilístico trará algumas consequências para o Brasil, já que ambas atuam, como transnacionais, em nosso território. Estamos falando do 1o. lugar se juntar com a 7a. maior empresa do mundo. Esse juntar significa que a GM, líder mundial, assumirá 20% da Fiat Auto ( divisão de automóveis do Grupo Fiat ), em troca de 5,1% de ações preferenciais da GM ( valor equivalente a US$ 2,4 bilhões ). Vejam que é uma troca de ações entra elas. Mesma coisa se deu nos anos 80/90 com a VW e a Ford com o surgimento da Autolatina pela disputa do mercado brasileiro. Hoje esse holding deixou de existir, mas parece que o exemplo será seguido pela GM.

Logicamente, tanto Europa ( italianos, em especial ) e América Latina ( Brasil ) sentirão os efeitos desse novo "holding" ,isso em função das metas definidas por ambas as empresas - reduzir os custos de ambas as empresas. A economia prevista é de US$ 1,2 bilhão por ano nos três primeiros anos, valor que poderá passar depois a US$ 2 bilhões a cada 12 meses.

Para chegar a essa meta, as companhias contam com duas medidas já definidas. A primeira envolverá a formação de uma joint venture mundial para produzir motores e transmissões. Tal fato poderá atingir o bloco Mercosul já que, Brasil ( São José dos Campos-SP ) e Argentina ( Rosário ) possuem filiais dessas divisões em seus países.

A GM e a Fiat vão criar uma única empresa para controlar suas compras, que passará a se responsabilizar pelas aquisições de peças e componentes para os veículos produzidos. Os lucros, segundo eles, serão formidáveis.

Segundo os representantes dessas "montadoras" ,o acordo não evitará a competição entre as duas marcas, nem envolverá a produção conjunta de um modelo de carro. A concorrência continuará rigorosamente igual. É esperar para ver.

O parque industrial da GM do Brasil concentra-se em de São Paulo, nos municípios de São Caetano do Sul, região do ABC (linhas Astra e Vectra), de São José dos Campos, Vale do Paraíba (linhas Corsa, pick-up S10, utilitário esportivo Blazer, caminhões GMC, motores, transmissões e peças fundidas em alumínio e em ferro).

Em novembro do ano passado, foi inaugurada uma unidade em Mogi das Cruzes (SP), que produz exclusivamente peças estampadas em aço para modelos já fora de produção ( isso devido ao acordo de fornecer peças de reposição ao mercado pelo prazo de 10 anos para todas as empresas automobilísticas ).

Com o acordo internacional com a Fiat, a GM dá prosseguimento a sua linha de atuação de adquirir pequenas e crescentes participações em empresas de menor porte, mas consideradas estratégicas. Visão horizontal de um Truste.

Antes da Fiat, o grupo norte-americano procedeu da mesma forma com os japoneses Suzuki e Isuzu. E pensa fazer o mesmo com o coreano Daewoo, cortejado pela concorrente Ford.

O acordo também afeta as marcas Alfa Romeo e Lancia, pertencentes ao grupo Fiat, mas não inclui Ferrari ou Maserati, os outros fabricantes do grupo italiano. Com a nova colaboração, os setores de compras, desenvolvimento de motores e financiamento de carros se unirão ( bancos dessas empresas ).

Como parte do acordo, a GM - com sede em Detroit - terá prioridade na aquisição de outras participações na Fiat, se a firma italiana decidir vender mais ações no futuro.

O "convênio" precisa ainda ser aprovado pela União Européia e Estados Unidos, mas já recebeu o apoio do maior sindicato da Itália, o CGIL.

O líder do CGIL, Sergio Cofferati, afirmou em entrevista ao diário romano La Repubblica, que o acordo é um "ponto crucial que é bom para a economia do país". Nem sempre o que o líder do sindicato acha bom representa garantia de emprego numa Europa já conflitante com o problema.

A Fiat, o sétimo fabricante mundial de automóveis é a empresa privada mais importante da Itália e está localizada junto ao Vale do Rio Pó, ou seja, no norte do país em Turim . Como já havia sofrido várias quedas em suas vendas nos últimos anos e, recentemente, se especulava sobre uma possível fusão com a GM ou com a empresa alemã DaimlerChrysler.

O mercado da Fiat na Itália, que já foi de 60%, caiu para 39% por causa da concorrência. Em 1998, a Fiat revelou que só conseguiu 11% das vendas de automóveis na Europa Ocidental.

A Fiat é controlada pela família Agnelli, mas o presidente honorário e patriarca da dinastia, Gianni Agnelli, admitiu recentemente que a companhia buscava o investimento de algum sócio internacional.

Devemos lembrar que está "fusão" se dá num momento onde o Brasil discute também a possibilidade de renovação da sua frota de veículos com mais de 15 anos. Se a fusão das cervejas foi polêmico, mas os preços não subiram durante o carnaval, vamos esperar para ver os reflexos para os consumidores dessas marcas e no mercado de trabalho dos países envolvidos.

Se vc tiver alguma dúvida, mande um e-mail p/ o ProfºBeto

 

Veja também :

Boletim Geográfico 1

Boletim Geográfico 2

Boletim Geográfico 3

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