Boletim Geográfico 2 - Março/2000

ProfºBeto Zanarella

CHINA X TAIWAN ( 19/07/99 ) è Guerra de palavras no mundo amarelo

A decisão de Taiwan ( Formosa ) de não aceitar mais o princípio de uma "China única" provoca troca de acusações entre chineses capitalistas e socialistas. O passado volta a tona e o desfecho da Revolução de 49 parece estremecer os pilares de uma China "única".

Pensar em anular uma dessas áreas é coisa complicada e pode provocar uma nova onda militar, só que desta vez o bicho é dos grandes.

O governo de Pequim ( comunista ) e o regime democrático de Taipé (Taiwan ) estão envolvidos de novo numa perigosa guerra de palavras cujo foco é uma pendência política de cinco décadas, ou seja, a intervenção das grandes potências ( ex-URSS e EUA ) no desfecho da Revolução Chinesa. Trata-se do status de Taiwan, uma ilha de 36 mil quilômetros quadrados a nordeste de Hong Kong, distante 160 quilômetros da costa chinesa e que pertence, por enquanto, a China.

Os comunistas qualificam o regime de rebelde e ameaçam invadir a ilha para reunificá-la à China. Criado pelos nacionalistas, capitalistas liderados por Chian kai Shek, que fugiram da revolução comunista em 1949, Taiwan resiste. O país é um dos decadentes tigres asiáticos e se intitula como o verdadeiro governo da China. Há quatro anos, irado com uma viagem do presidente de Taiwan, Lee Teng-hui, aos Estados Unidos, o governo chinês fez manobras militares no Golfo Amarelo com a finalidade de intimidar possíveis manobras anticomunistas dos exploradores do mundo ( G7 ).

Desta vez, a fúria chinesa foi causada pela decisão de Teng-hui de abandonar o princípio da "China única", verdadeiro dogma para os comunistas e que pode ser comparado com o entrave da Inglaterra com as ilhas Malvinas, também pleiteada pelos argentinos.

Pequim não tolera o abandono de tal princípio pois tal ato daria margens a uma declaração de independência de Taiwan. Teng-hui desistiu da idéia da "China única" em protesto ao isolamento internacional de Taiwan, expulso da ONU por exigência do governo comunista, em 1979, e com aval dos EUA.

Os pronunciamentos oficiais de Taiwan provocaram a reação de Pequim que ameaçou retomá-la à força, e ingressou seu discurso no campo da intimidação atômica e lembrou que a China domina há anos a tecnologia nuclear.

A aproximação da China com o capitalismo se dá em 1977, quando então chega ao poder Deng Xiaoping, com a criação das ZEEx ( Zonas Especiais de Exportação ). A abertura das cidades litorâneas à penetração do capital estrangeiro e de empresas ocidentais, vinha de encontro com a prática capitalista, pois mão-de-obra barata e mercado consumidor é que não faltam . Mas o retrato de uma China moderna, mas cheia de contradições ainda irá perdurar dependendo dos governantes chineses. Um país onde grandes corporações e anúncios de néon convivem, com um passado cheio de marcas profundas do capitalismo selvagem:- Guerra do Ópio, prostituição, fome ,prisão de dissidentes e analfabetismo têm suas razões para ser o último regime de partido único entre os pesos pesados do mundo.

A Revolução de 1949, patrocinada por Mao-Tsé-Tung, deve ser entendida pela frase usada nos meios financeiros e empresariais do mundo capitalista até hoje - Isso é um negócio da China, para expressar os lucros e vantagens obtidas.

Em 1949 com a Revolução Chinesa termina o período de exploração capitalista na China e começam as reformas socialistas lideradas por Mao ( Maoísmo ), com o apoio da URSS. Em 1950 ocorre a invasão do Tibet.

Os planos quinquenais são implantados e a reforma agrária é realizada ( comunas populares ) mas as dificuldades são muitas e Mao se afasta do poder.

Em 1960, por divergência na questão dos armamentos nucleares, ocorre a ruptura com a URSS.

Entre 1961 e 1965 Deng Xiaoping sobe ao poder e tenta uma reforma econômica com linhas fora do socialismo chinês. Em 1966 Mao inicia a Revolução Cultural e governa com apoio da ala militar. O Conselho de Estado fica com Zhou Enlai ( Xiaoping é expurgado do partido ).

Em 1972 o presidente norte-americano Richard Nixon viaja para a China e reata relações dando início à Diplomacia Triangular.

Em 1978 tem início a reforma econômica conhecida como " Porta Aberta " aos investimentos estrangeiros; os agricultores recebem permissão para cultivarem em benefício próprio.

Em 1980, após ser reabilitado pelo partido, Deng Xiaoping acelera as reformas econômicas mas não abre o país para as reformas políticas ( pleiteada pelos jovens influenciados pelos ventos liberalizantes da glasnost soviética ) . Em 1989 , ocorre a repressão aos jovens manifestantes na Praça da Paz Celestial.

Na década de 90 a China começa a resgatar sua possessões em poder do Reino Unido ( Hong Kong, devolvido em julho de 1997 ) e Portugal ( Macau a ser devolvido em 19/12/99 ).

A Revolução de 49 chega aos 50 anos ( 01/10/99 ) e a China ainda é uma caixa de surpresas na geopolítica internacional. Hosted by www.Geocities.ws

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