Boletim Geográfico 3 - Março/2000
ProfºBeto Zanarella
A extrema direita ( Neonazistas ) austríaca chega ao governo e causa uma reação enérgica da União Européia em fase de unificação monetária.
Aquilo que parecia um pesadelo esquecido renasce das cinzas do desemprego europeu . O ditador nazista Adolf Hitler fez adeptos e lideranças no poder após meio século do final da 2a. Guerra Mundial e seu nome é Joerg Haider, líder de um partido de ultra direita, chamado "da Liberdade". Chegou ao poder na Áustria, a pátria de Hitler, por meio de uma coligação partidária com a direita que até então se pensava civilizada, a do Partido do Povo. Apesar de não ocupar o cargo de primeiro-ministro, terá forças para indicar nomes para o escalão principal do governo, já que obteve 30% dos votos dos austríacos e poderá ver seus planos serem realizados em Viena.
Será que o povo austríaco conhecia a plataforma de governo de Haider?
Dentro do contexto econômico e político , a Áustria nunca foi um país periférico, mas sim uma nação da União Européia ( EU ), cuja influência no bloco é considerável.
Seu discurso xenófobo, racista, irracional atinge em cheio os valores morais e éticos da civilização ocidental, que acreditava ter exorcizado para sempre o totalitarismo e enxergava o neonazismo como um movimento sem maior expressão, de inspiração juvenil. Numa coligação partidária para que o poder não saísse das mãos do Partido do Povo, os nazistas chegaram ao poder. A UE ameaça colocar a Áustria na geladeira, reduzindo as relações diplomáticas e Israel chama seu corpo diplomático de volta.
O presidente da Áustria exigiu a assinatura dos partidos numa "declaração sobre os valores fundamentais da democracia européia", redigida por ele próprio, que contém uma nota de repúdio ao passado negro do país e reconhece os massacres perpetrados pelo regime da suástica. Puro jogo de cena: documentos, prova a História, não têm o menor valor para nazistas, não importa qual seja seu estilo e conteúdo.
Mas se o caso fosse só a Áustria menos mal, só que outros países apresentam um perfil explosivo tanto do ponto de vista social ( desemprego ) e político e nesse momento o exemplo austríaco serviria de fermento para a direita selvagem em países como Alemanha, França e Inglaterra ( vide quadro abaixo ). As sanções prometidas pela União Européia não significam, por enquanto, a suspensão ou a expulsão da Áustria do bloco. O problema deve acentuar-se com a entrada de países do leste do continente, saídos há pouco do comunismo e sem nenhuma tradição democrática e que começam a achar que a troca do socialismo pelo capitalismo foi o famoso - seis por meia dúzia.
Perfil de Haider - Fotogênico, piadista e milionário, ele ganhou eleitores apresentando-se como uma novidade na modorrenta política local. A admiração pelos nazistas vem de berço. Seu pai foi integrante de primeira hora da juventude hitlerista. Sua mãe era figura de proa da ala feminina do nacional-socialismo. A propriedade de 15
.000 hectares onde vive com a mulher e as duas filhas, herdada por ele, pertenceu a judeus que foram forçados a vendê-la após a ascensão do nazismo. Na juventude, contam os amigos, Haider treinava esgrima espetando um boneco de palha no qual estava pregado o nome de Simon Wiesenthal, o mais famoso caçador de nazistas. Aos 16 anos, ganhou um concurso escolar cujo tema era "Nós, austríacos, somos germânicos?"Formado em direito, Haider começou na política aos 20 anos, já no Partido da Liberdade, agremiação fundada por dois nazistas de carteirinha, um deles ex-oficial da SS. Eleito líder do partido em 1986, três anos mais tarde se tornou governador da província da Caríntia, sem esconder de ninguém que considerava o cargo um trampolim para vôos mais altos. Com a polêmica criada por causa de seus elogios à política trabalhista dos nazistas, viu-se forçado a renunciar em 1991. Foi reconduzido ao posto no início do ano passado, com 42% dos votos. O carisma de Haider teve um papel fundamental no crescimento do PL .
Alguns estudiosos atribuem o fenômeno encarnado por Haider a uma peculiaridade do pós-guerra na Áustria. Enquanto os alemães passaram as últimas cinco décadas remoendo o passado e tentando purgar-se da culpa, os austríacos preferiram varrer toda a sujeira para debaixo do tapete e isolaram-se numa neutralidade política da qual só saíram em 1994, ao integrar-se à União Européia. Esse fato, segundo especialistas, fez com que permanecessem arraigados na sociedade o anti-semitismo e a crença na superioridade dos povos germânicos. Em 1986, esses sentimentos vieram à tona com a revelação de que o então candidato à Presidência Kurt Waldheim, ex-secretário-geral da ONU, havia sido oficial nazista de um batalhão que massacrara judeus e ciganos. Em vez de perder votos com a história que indignou a opinião pública mundo afora, Waldheim passou seu adversário na reta final e venceu a eleição. Da mesma forma que agora, a comunidade internacional tentou isolar o país. Apesar de todas as pressões, Waldheim chegou ao final de seu mandato, em 1991. Aposentou-se como um homem de reputação ilibada.
O neonazismo é uma retomada dos ideais de sociedade e governo que chegou a vingar no período entre guerras na Alemanha de Hitler ( Nazismo )e na Itália de Mussolini ( Fascismo ). Esse período de enfraquecimento dos governos democráticos, com a crise mundial ( 1929 ) do capitalismo, permitiram a ascensão de governos totalitários nesses países que procuravam a seu modo escapar das retaliações do Tratado de Versalhes e da crise econômica em que viviam. Meio século depois e as mesmas idéias renascem no seio de uma crise estrutural da economia européia ( desemprego ) e passam a fazer suas vítimas entre pessoas negras, imigrantes e judeus.
Chegando ao poder na Áustria os representantes desse modelo de regime político e de exclusão social fazem abalar relações entre países e a se questionar a força do novo bloco ( U. E. - União Européia ).
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