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Cidade Esperança: a aspiração e o triunfo da Ordem em detrimento ao Caos. Desde os tempos mais antigos a arquitetura e a arte expressam de maneira silenciosa características, pretensões, crenças, mudanças, críticas, mentalidades e idéias das sociedades. Não por acaso elas têm estado em constante mutação, sempre em paralelo com o passar dos séculos. Para um observador atencioso, a construção da Cidade Esperança nada mais é do que um reflexo do que foi aludido: já a primeira vista, o próprio traçado da cidade denuncia o esforço contínuo e determinado de vencer e retificar a fantasia caprichosa da paisagem: é um ato definido da vontade humana a fim de se buscar a ordenação do mundo, a harmonia da paisagem. As ruas da Cidade não se deixam modelar pela sinuosidade e pelas asperezas do solo; impõem-lhes antes os acentos voluntários da linha reta. O plano regular nasce aqui, tanto numa idéia religiosa de justiça como também na crença e busca por um mundo comandado pela Ordem. Este aspecto já expressa uma evidencia imaginária e simbólica de se demonstrar o triunfo da Ordem, da aspiração de ordenar, dominar e vencer o irregular e o Caos do espaço ocupado. O traço retilíneo, em que se exprime a direção da vontade a um fim previsto e eleito, manifesta bem essa deliberação. E não é por acaso que ele impera decididamente em todas as partes da cidade. O lugar escolhido para povoar procurou, antes de tudo, verificar com cuidado as regiões mais saudáveis, acessíveis e de solo rico para o cultivo e pasto, onde os animais sãos e de competente tamanho possam ser criados, assim como possam se produzir frutos e mantimentos sadios; onde não houvesse coisas peçonhentas e nocivas; de boa e feliz constelação; o céu claro e benigno, o ar puro e suave. A cidade não foi construída nem em lugar demasiadamente alto, exposto aos ventos e de acesso difícil; nem muito baixo, que costumam ser enfermiços, mas sim onde se achou uma altura mediana, descoberta para os ventos do norte e sul. A localidade foi também construída à beira de um rio, mas de modo que ao sair do sol, este se dá primeiro na povoação e só depois nas águas. A construção da cidade começou pela chamada praça maior, o grande coração da povoação. A forma da praça é de um quadrilátero, cuja largura corresponde pelo menos a dois terços do comprimento, de modo que, em dias de festa, nelas possam correr cavalos ou montar palanques improvisados. Em tamanho, é relativamente proporcional ao número de vizinhos, mas tendo-se em conta que as povoações podem aumentar, foi previamente projetada para comportar um possível aumento populacional, de forma que caso haja crescimento urbano, que este não seja desordenado, medindo mais ou menos oitocentos pés de comprimento por seiscentos de largura. A praça serviu de base para o traçado das ruas: as quatro principais ruas saem do centro de cada face da praça. De cada ângulo saem mais duas, havendo o cuidado de que os quatro ângulos olhem para os quatro ventos. As ruas no geral são largas, para que possam andar por elas carroças e cavalos.
A População: Características, mito, costumes e religião. Desde a fundação dos Justiceiros Sagrados à guerra sempre foi uma constante realidade em seu cotidiano. Portanto, os que desde os tempos mais remotos estiveram pelas proximidades ou sob a tutela dos Justiceiros Sagrados já são acostumados as grandes privações, guerras e as inevitáveis perdas humanas em qualquer conflito. Trata-se de um povo em grande parte guerreiro, sofrido, resistente e aguerrido, acostumado aos tempos difíceis e ao trabalho pesado. A predominância humana na Cidadela é um fato notável. O grande grosso populacional é indiscutivelmente composto por seres humanos. Os não humanos menos raros de todos são os anões, que às vezes aparecem pela cidade, sejam estes peregrinos ou mercenários em busca de trabalho. Os demais são grande exceção e praticamente não são encontrados pelas terras ou arredores da Cidadela com grande freqüência. Os elfos são normalmente vistos como seres arrogantes, misteriosos, de práticas e hábitos pouco conhecidos e por isso, encarados com relativa suspeita e muito preconceito. Os poucos elfos que já estiveram no meio dos Justiceiros ostentando o seu símbolo só contribuíram ainda mais para o aumento desta visão negativa por parte da sociedade, uma vez que muitos saíram do meio acusados ou apontados como traidores. A união entre um humano e um elfo é considerada para muitos como uma mistura imunda e profana, que tem como resultado um ser amaldiçoado e indefinido: não se sabe dizer se é humano ou elfo, portanto o desprezo, indiferença e até ódio perante estes seres é grandioso. Claro que sempre há exceções para a regra geral, mas os poucos de fato que conseguiram conquistar algum espaço ou vivem pela Cidadela não o fizeram sem antes passar por uma série de dificuldades, onde muitas vezes estas se transfiguraram nada mais nada menos que as custas de seu próprio suor e sangue. Os “halflings” ou “pequeninos”, entretanto, despertam grande interesse e curiosidade. Além de normalmente alegres, festivos, pacíficos, engraçados e cantadores, seus hábitos em muitos aspectos se aproximam dos humanos e por isso, este povo pequeno tem grande simpatia dos habitantes da Cidadela. Os dragões são seres temidos, pouco conhecidos, e odiados em muitos aspectos. Histórias e lendas de dragões perversos dizimando populações bárbaras ou pequenas comunidades fazem parte de todo o imaginário, da tradição e da arte de se contar histórias. Estes seres são para o povo da Cidadela verdadeiros assassinos, avarentos, mesquinhos, egoístas, prepotentes, monstros perversos que não fazem parte da Ordem natural do mundo vigente. Trata-se de bestas enviadas por seres malignos e entidades poderosas ou mesmo pelos deuses, como forma de punição a humanidade, seja por falta de fé, seja pelos problemas relacionados ao próprio comportamento humano. Dentre os dragões mais odiados e conhecidos da Cidadela estão: Os dragões de ossos ou dragão Lich, por sua clara ligação com o mundo profano e com as energias macabras; Os dragões negros, com grande contribuição para este aspecto alguns que já estiveram no meio dos Justiceiros num passado não muito distante; Os dragões prateados, que são encarados como verdadeiros déspotas, opressores, autoritários e que pouco valor dão as vidas de seres menores como a dos humanos, por exemplo. Acredita-se que estes dragões encaram os humanos nada mais do que um conglomerado de formigas que não farão diferença ao mundo se deixarem de existir ou se apenas algumas poucas deixarem de existir. Esta mentalidade se cristalizou com atitudes mais ou menos passadas ou recentes de dragões prateados presentes no meio dos Justiceiros. Os únicos dragões que são bem-vistos pela população da Cidadela de maneira geral são os dourados, considerados como verdadeiras criaturas benevolentes e admiráveis, pois parecem estar sempre preocupados com seres pequenos e com os acontecimentos que possam prejudicar a estes, mesmo não tendo a menor obrigação para tal. Fora estes, todos os demais dragões são vistos no mínimo com grande suspeita e desconfiança. Os mais eruditos sabem que muito há de mentira ou verdade em todo este pensamento popular, mas não procuram esclarecer em nada esta questão, talvez por não se importarem ou por estarem voltados para outros problemas ou ainda, por simplesmente acreditarem que não mudarão a mentalidade e a crença popular neste sentido. Todas as demais raças ou povos são vistos com desconfiança, temor ou curiosidade, variando de criatura para criatura, onde os boatos e as lendas são sem dúvida fatores de considerável impacto para a formação do mito popular em relação aos mais diversos povos. Papel de relativa importância tem os sacerdotes e a religião na Cidadela. Numa época em que ouvir valia mais do que ver, os olhos enxergavam primeiro o que se ouvia. Muito do que se é dito pelos clérigos é bastante considerado, pois são eles que mantém um contato mais imediato com o povo e com a comunidade. São eles que sabem dos anseios, das preocupações deste povo e de suas necessidades, que auxiliam os mais humildes e que lhes prestam assistência nos mais variados níveis. Além de serem o contato entre o mundo terreno e o sobrenatural, são capazes também de colocar para fora da comunidade religiosa um indivíduo que não se porte de maneira adequada ou esperada. As estações do ano agrícola, as reuniões em assembléias consultivas, o calendário anual, tudo isto são fatores de sua alçada. Não há como dissociar a vida cotidiana da religião para este cidadão. Todo o seu meio e vida estão impregnados por pequenos rituais religiosos, que demonstram e fixam o grande poder da religião. As doenças, epidemias e catástrofes, guerras e etc. são atribuídas algumas vezes a fatores religiosos e em muitos casos, a má atuação e conduta dos clérigos, que não estão sendo bons mediadores entre o mundo temporal e o espiritual. A influência religiosa é grandiosa, apesar da pluralidade espiritual que existe licitamente na Cidadela. Estes cultos representam, pela sua função religiosa, a segurança para a população atemorizada com a morte, pecado, danação e, sobretudo, com o que pode ocorre depois da morte. Se não fosse tão diversificada a religião na Cidadela, sem dúvida alguma essa influência puramente espiritual passaria a estender-se para o campo político, desequilibrando forças e ameaçando a Ordem como um todo. No plano intelectual, os clérigos são importantes porque são eles que respondem as questões desconhecidas das mais variadas para os habitantes da Cidadela. A escrita e a leitura são apenas para um conjunto populacional muito restrito e inexpressivo de todo corpo social. Portanto, eles são encarados como os verdadeiros guardiões do conhecimento sistematizado, do saber tradicional e legítimo, pois segundo se acredita são os grandes intelectuais e sábios verdadeiramente confiáveis. Nas missas as mensagens e as idéias circulam, além de proporcionar grande interação e convívio social. Ainda no âmbito religioso, seu papel também é fundamental para o equilíbrio das forças existentes e da manutenção da Ordem. Definindo todos ou quase todos os acontecimentos como sendo a pura vontade divina, implantam no seio social um espírito de grande conformidade. A divisão da Ordem social entre os que lutam, os que oram e os que trabalham é amplamente considerada como verdadeiro dogma que, cotidianamente é sacralizado, trabalhado, e cristalizado na memória dos habitantes pelos clérigos, através das grandes pregações e das esplendorosas missas. Arquitetura urbana As casas em geral são construídas uma ao lado da outra, mas não tão próximas para no caso de se haver um incêndio as chances das chamas se alastrarem por toda ou parte da cidade seja menor. No quadro geral podemos definir as construções da cidade como: Casas Residenciais As casas são construídas basicamente de madeira e de tempos em tempos precisam ser completamente reconstruídas devido ao seu desgaste. Poucas são feitas de pau-a-pique e telhado de palha. Estas simples casas possuem apenas no máximo dois aposentos, além de depósito. As atividades diárias de cada indivíduo o compelem a praticamente ficar a maior parte do seu tempo ausente de sua residência, a utilizando para muitas vezes apenas para dormir ou se abrigar do frio ou das chuvas. O chão destas casas são de terra batida, tendo em seu centro o lugar para acender o fogo, onde é feita ou preparada a comida. As janelas são muito rústicas e poucas vezes estão fechadas quando alguém está dentro de casa, pois a luz do dia é a melhor fonte natural e barata de iluminação. Os móveis além de poucos são modestos e simplórios. A cama tem sobre ela um colchão de palha e cobertores de lã como cobertas e proteção para o frio. A mesa é geralmente feita de madeira e redonda, tendo a sua volta alguns bancos ou em casos mais raros cadeiras de madeira que servem como acentos. Os utensílios são estritamente básicos, resumindo-se a poucas panelas, tigelas e canecas de madeira. Alguns poucos moradores conseguem ter condições para criar e manter um pequeno curral, onde se criam alguns animais domésticos como galinhas, porcos ou cabras. As galinhas fornecem ovos para a alimentação, os porcos quando abatidos também e as cabras são utilizadas para se retirar leite primordialmente. Os Templos Religiosos As práticas religiosas na Cidadela são de cunho politeísta, portanto, próximo às ruas principais e principalmente na praça central, não é incomum encontrar pequenos templos, construídos para atender as necessidades mais imediatas da Cidade, além de poder atender também as necessidades dos mais velhos da cidade, uma vez que tendo estas construções próximas de suas casas, estes não precisam se desgastar e ir para o grande Templo que fica distante da cidade, para orar. Estes templos foram construídos, basicamente de pedra, granito e calcário, tendo suas escadarias feitas de mármore. O teto é essencialmente composto por telha de argila. Estabelecimentos comerciais Os estabelecimentos comerciais se localizam primordialmente na praça central. São construídos com tijolos de argila cozida e pedras, sendo o teto composto por telhas de argila plana, de madeira ou menos comum, com palha. O comércio é muito reduzido devido os problemas relacionados à guerra e ao quase constante estado de sítio decretado, mas algumas vezes pode vir a se encontrar algumas tendas com certos artigos raros ou não a venda, desde roupas até ungüentos e ervas para preparações de poções e questões medicinais. Artigos artesanais e objetos manufaturados dos mais diversos podem também com alguma sorte ser encontrado. Água e a questão sanitária Na tentativa de se resolver o problema, várias fossas foram cavadas onde o lixo e demais dejetos devem ser levados e armazenados para que de tempo em tempo sejam queimados. Algumas pessoas trabalham especificamente limpando as ruas e retirando os dejetos dos locais inapropriados. Contudo, mesmo com todas essas precauções algumas vezes se tem problemas com a questão sanitária e em alguns pontos, a situação pode ser alarmante a ponto de proporcionar condições ideais para enfermidades. No rio principal da Cidadela e onde se construiu a Cidade, a presença da guarda é grande, até mesmo cavaleiros celestiais sobrevoam constantemente a área, pois numa época passada ainda no período das grandes guerras, suas águas foram envenenadas, o que ocasionou a morte de pessoas da cidade.
O lugar escolhido para a agricultura procurou, antes de tudo, verificar com cuidado as regiões mais saudáveis, acessíveis e de solo rico para o cultivo e pasto, onde os animais sãos e de competente tamanho possam ser criados, assim como pudessem se produzir frutos e mantimentos sadios; onde não houvesse coisas peçonhentas e nocivas; o ar puro e suave. A preocupação com o solo e a escolha deste resultou em bons achados de terra para o cultivo. O solo onde se realiza a agricultura é mais profundo e rico, por isso a técnica usada para o cultivo de grãos e gêneros alimentícios é o de afolheamento trienal. O trigo é um dos produtos mais cultivados para a fabricação do pão. Além deste, a produção procura ser variada e diversificada, procurando atender as necessidades da comunidade como um todo. O desgaste do solo é evitado com a rotação da agricultura, que deixa uma área para descansar enquanto a outra é cultivada. O arado de rodas atrelado a bois ou cavalos trabalha o solo para o cultivo. A utilização de estrume dos animais de pequeno porte, como de cabras e carneiros, de cavalos ou do gado servem para adubar a terra. A lã é fundamental para a produção e confecção das vestimentas, principalmente no inverno. AFOLHEAMENTO TRIENAL CI - CP - P P - CI - CP CP - P - CI Fonte: descrição da Cidade Esperança feita pelo player do Voltaire. |
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