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Raul Pederneiras
(Raul Paranhos Pederneiras - *1874 + 1953)
Intelectual de Prestígio no Rio de Janeiro da primeira metade do Século XIX.
Destacou-se em várias atividades, foi poeta, teatrólogo, professor de direito na Faculdade de Direito e de anatomia artística na Escola Nacional de Belas Artes; também foi figurinista e cenografista de teatro, pintor e escultor. Fundou a Associação Brasileira de Imprensa, que chegou a presidir; participou da fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
Foi redator d’O Paiz, do Correio da Manhã, do Jornal do Brasil, d’O Globo e foi colaborador efetivo da Revista da Semana, desde o primeiro número em 19000 até 1948.
Somente em 1898 começou a atuar como caricaturista, no Mercúrio, colaborando mais tarde n’O Malho, no Tagarela, no Jornal do Brasil, na Revista da Semana; neste dois últimos periódicos que suas charges das “Cenas da Vida Carioca” ficaram famosas.
Além de produzir caricaturas, ele pensava e produzia discuções sobre elas, fazendo conferências e publicando o livro “Lições de Caricatura”.
Em sua carreira, o jornalista Raul, produziu inúmeras caricaturas políticas e sátiras aos usos e costumes da classe média da época; esta, também era seu principal público, uma vez que dispensava a alta burguesia, como podia ser notado em sua vida social, pois era freqüentador assíduo da boêmia carioca, junto de grandes nomes da cultura da época, como Olavo Billac, Lima Barreto e o também caricaturista Calixto.
Foi crítico sagaz da emancipação feminina, em muitas de suas caricaturas demonstrava a inaptidão da mulher pra as atividades extra-domésticas.
Seus Onomatogramas, ou “ figurações onomásticas” eram altamente conceituadas no exterior, com deixaram claro em 1929 as revistas extrangeiras Collier’s e La Nature.
Tais figurações eram uma completa novidade, que apresentava-se como um microcosmo de bichos, insetos, barquinhos, carruagens, criaturas, caramilholas de todo jeito, que eram conformados apartir de nomes própios.
Apesar da atuação política e características satíricas, Raul nunca teve um desafeto ou ofendeu alguém por causa de suas charges.
Sua imagem é intimamente ligada a do Rio de Janeiro de antigamente. Segundo alguns, não existiu nos primeiros 30 anos da Capital Federal um criatura mais popular que ele.
Herman Lima em seu História da Caricatura no Brasil (1963) escreveu: “na sua atividade artística, naturalmente ácida, soube não ferir nem maltratar seu semelhante. Não havia nele ressentimento nem inveja que hoje em dia tanto atraem e seduzem. Um riso bom nascia daquele personagem estranho sério de semblante, parecendo uma árvore triste, um choupo que paradoxalmente produzisse frutos amáveis e doces.”
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