J. Carlos

J. Carlos nasceu no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1884. Foi o único dos quatro irmãos que não estudou desenho.
Depois de ter abandonado o curso ginasial pela metade, J. Carlos estreou, sob a direção de Raul Pederneiras e K. Lixto, em O Tagarela, em 1902.

Vale dizer que o termo caricaturista, naqueles anos, tinha uma amplitude muito maior do que somente um desenhista especializado em desenhos desproporcionais.

A longa carreira de J. Carlos estendeu-se por mais de meio século, com contribuições para todas as publicações importantes do Brasil. Fez grande número de capas e ilustrações para O Cruzeiro e Fon-Fon, bem como para A Noite, A Lanterna, A Nação, A Hora e Beira-Mar. Foi nessa época que criou os tipos da melindrosa e do almofadinha, que viraram personagens.

Nas capas que executava, J. Carlos podia exercitar um de seus dons: a arte de compor títulos à mão. Num mundo sem fotocomposição, muito menos editoração eletrônica, o lápis, a régua e o compasso eram as únicas ferramentas capazes de criar letras elegantes e robustas.

Sob influência do Art Deco, o artista construia seus títulos com uma geometria precisa. Ousadia e experiências radicais levavam, muitas vezes, a soluções enigmáticas, como é o caso de sua assinatura. O fato dos logotipos de muitas das publicações não serem sagrados, podendo ser recriados infinitamente, permitia ao desenhista um casamento perfeito entre o título da publicação e o título da capa. As letras B, E, R e S quase sempre recebem atenção especial, e é nelas que pode-se notar mais facilmente a mão do autor. O uso de linhas paralelas, para dar mais peso às letras, é outra marca registrada

A produção de J. Carlos foi intensa. Durante anos, até sua morte, publicou em O Malho e Para Todos, depois em Careta, além da capa, oito ou dez desenhos por semana em cada número de revista. Manteve, por mais de dez anos, um atelier de publicidade, de onde saíram alguns dos nossos mais belos cartazes de propaganda, além da ilustração de vários livros. Usando alternadamente as técnicas de bico de pena, creiom e gravura em metal, J. Carlos tornou-se o mais prolífico e mais admirado cartunista do Brasil.

Em seus desenhos, glorificou a mulher e gerou tipos, alcançando, por isso, dimensão universal, imortalizando a figura fascinante da jovem garota melindrosa, um tipo característico dos anos 1 930, graciosa, coqueta e de recatada sensualidade, que as jovens da época procuravam imitar com os penteados, os vestidos, e a pose. Soube, como nenhum outro, captar o espírito carioca.

Sua obra é uma extraordinária crônica visual do seu tempo, um testemunho gráfico de hábitos, costumes e comportamentos, registrados de forma perene por seu traço inconfundível. J. Carlos foi um mestre de seu oficio e sua obra é, segundo Sodré, como a de Debret e Rugendas, um quadro de costumes, e como a de Agostini, uma critica social e política.








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