XADREZ ESCOLAR

O que é o xadrez escolar? (Prof. Sylvio Rezende)
O xadrez e a educação
(Ana Cristina von Calmbach)

O que é Xadrez Escolar?

Prof. Sylvio Rezende

É grande o numero de pessoas até mesmo bem intencionadas, que defende a inclusão do Xadrez nas Escolas, sem saber mesmo os reais benefícios que esse esporte proporciona, muito pelo contrário, impregnados dos tabus e misticismo sobre a "Arte de Caissa" acreditam que o Xadrez deve ser praticado nas escolas, porque "a criança fica mais inteligente", "aprende melhor a matemática", etc.Muito se fala hoje em Xadrez Escolar, mas poucos realmente sabem do que se trata. A grande maioria que se refere ao assunto, trata o Xadrez Escolar, simplesmente como desenvolver o desporto de Xadrez dentro das escolas, como uma atividade a mais entre as diversas modalidades esportivas oferecidas. Neste caso, a nosso ver, respeitadas as devidas proporções a modalidade é oferecida, como nos clubes. O Xadrez, porém, praticado nos clubes e voltado essencialmente para o aspecto competitivo (como desporto) não supre todas as exigências educacionais. Faz-se mister, seja trabalhado de forma pedagógica, como um verdadeiro instrumento educacional; daí, a designação de XADREZ ESCOLAR. A educação moderna, voltada cada vez mais, para encerrar o ciclo do ensino por adestramento pela aprendizagem consciente, onde o aprendente é estimulado continuamente, a aprimorar a sua capacidade de pensar. Neste particular, o Xadrez é uma atividade primordial por excelência, não só por atender às características de desporto estimulando entre outros o espírito competitivo e auto-confiança, como adequando-se sobremaneira, às exigências da Educação moderna.Vejamos algumas experiências realizadas em diversas partes do mundo. Bélgica (1976) - O Dr. Johan Christiaen, depois de dois anos de experiências com dois grupos de 20 crianças entre 10 e 11 anos, comprovou que o aproveitamento escolar do grupo experimental, foi 13.5% superior ao do grupo do ensino regular.
New York-USA (1981) - Joyce Brown constatou considerável melhora no comportamento dos alunos - 60% menos incidentes e suspensões, além da melhora no aproveitamento escolar de até 50% na maioria dos estudantes envolvidos.
Marina, Califórnia-USA (1985). George Stephenson, após 20 dias consecutivos desenvolvendo um trabalho com um grupo de estudantes, constatou os seguintes resultados entre os alunos que apresentaram maior aproveitamento escolar:
Rendimento Acadêmico
55%
Comportamento
62%
Esforço
59%
Concentração
56%
Auto-estima
55%
John Nash, John Harsanyi e Reinhard Selten, agraciados em 1994 com o Prêmio Nobel de Economia, fundamentaram seu trabalho na chamada Teoria dos Jogos. ("Durante anos, três acadêmicos que se dedicaram a estudar o comportamento da economia segundo a lógica dos jogadores de xadrez,"........"ganharam na s emana passada o Prêmio Nobel de Economia" - (Revista Veja, 19/10/94 - * Grifos nossos). Mais recentemente, a revista Exame/julho-99 na área de Administração (pág. 86) publicou excelente matéria sobre a importância do Xadrez na formação empresarial. Outra abordagem excelente, foi publicada na revista Seleções do Reader's Digest /setembro-99 (Apenas um jogo? pág. 81). Em nossos 35 anos de experiências e observações desenvolvendo o Xadrez não só em estabelecimentos de ensino como em clubes e até a nível de projetos comunitários, podemos afirmar não só o acerto das experiências citadas, como em aspectos muito mais amplos que não caberiam nesse pequeno espaço. Voltaremos oportunamente ao assunto.
 

NÚCLEOS DE XADREZ ESCOLAR

UNIDADE INTEGRADA GARRIGA DE MENEZES
Freguesia - RIO/RJ
Prof. Sylvio Rezende
CLUBE ESCOLAR DA PAVUNA
Pavuna - Rio/RJ
Prof. Emiliano Castor
COLÉGIO METROPOLITANO
Méier - RIO/RJ
Prof. Sylvio Rezende.
E. M. PADRE JOSÉ MAURICIO TOMÁS
(JI a 3ª) Turiaçu - Rio/RJ
Prof. Emiliano Castor
E.M. JOSÉ MARIA BELLO
Realengo - RIO/RJ
Prof. Mauricio Frambach
J.E. MUNDO INFANTIL
Tijuca - RIO/RJ
Jurandir Vicente Abou Hbed
E.M. ESTADO DE ISRAEL
Realengo - RIO/RJ
Prof. Mauricio Frambach
J.E. JOANINHA
Freguesia - Rio/RJ
Pietro Ferraz e Silva

Escola Arvoredo
Pechincha - Rio /RJ
Ary Gonçalves

 

O XADREZ E A EDUCAÇÃO (continuação)

Ana Cristina von Calmbach

O xadrez, por suas características, desenvolve a capacidade de o jogador ponderar, analisar e decidir cada lance, refreando, assim, os atos impulsivos Desta forma, constantemente, o jogador é obrigado a praticar a tomada de decisões que serão fundamentais para o êxito na partida, ensinando a criança a investigar, a prever e a planejar cada lance. O xadrez proporciona uma grande variedade de problemas de diversas qualidades. O contexto é familiar, os temas se repetem mas as condições são específicas a cada situação. Desta forma o xadrez é um grande manancial estimulador da pesquisa e do conhecimento e se encaixa perfeitamente na concepção piagetiana a respeito dos jogos, por ser um jogo de regras, e, como tal, englobar características dos jogos de exercício e dos jogos simbólicos. Vygotsky e os cientistas da escola russa, ao proporem a introdução do jogo nas escolas, mostram quais são as características principais que os jogos devem possuir para serem bons recursos didáticos. Para eles o jogo ideal a ser usado como auxiliar pedagógico deve ser definido pelos seguintes critérios:
1) aos objetos utilizados devem ser conferidos significados diferentes do que normalmente eles possuem; 2) a situação deve ser imaginária; 3) os participantes realizam ações que representem interações presentes na sociedade em que vivem; 4) as regras que orientam o jogo devem ser respeitadas.
O jogo de xadrez é um jogo completo, pois se encaixa perfeitamente nesses moldes colocados por Vygotsky para o jogo ideal, porque:
1) Confere significados diferentes aos objetos utilizados:
  • O xadrez é jogado em um tabuleiro de 64 casas de cores alternadas que representa um campo de batalha onde dois "exércitos" deverão se defrontar. As peças constituintes do jogo representam reis, rainhas, cavalos, bispos, peões e torres. 2) Oferece uma situação imaginária:
  • A situação é a de uma guerra onde o objetivo é a captura do Rei adversário. 3) As ações são representativas da sociedade:
  • As ações consistem em aumentar o auxílio mútuo entre suas peças e diminuir o poder das peças do adversário. Trata-se de uma competição onde poderão ser enfatizados os aspectos da cooperação e da organização. A situação, embora imaginária, poderá, de acordo com o tipo de orientação do professor, ser deslocada para exemplificar situações vividas nas experiências comuns da vida cotidiana. 4) Exige o respeito às regras:
  • Cada jogador tem que esperar sua vez de jogar e cada peça possui um tipo de movimento diferente, cuja obediência é necessária para que o jogo possa se realizar.
Só por isso, o xadrez já se qualifica como um precioso coadjuvante escolar, uma vez que os conhecimentos adquiridos ao estudar e aplicar as regras do jogo podem ser transferidos para o estudo e análise das situações concretas da vida cotidiana. O xadrez não é, em si, um instrumento de educação formal, mas se tomarmos as peculiaridades deste jogo e as projetarmos, uma a uma, ao campo educativo, constata-se que suas características se convertem em outras tantas funções educativas. Tenha-se em conta que o xadrez cria hábitos de estudo, estimula a atitude de proceder com método e fomenta o desejo de superação mediante o conhecimento. Parece não restar dúvida tratar-se de um poderoso auxiliar pedagógico que catalisa várias disciplinas e desenvolve nos alunos o raciocínio lógico e o pensamento criador. Estimula a autonomia de pensamento e coaduna-se perfeitamente com as propostas da educação com o auxílio de jogos.

 

 

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