Monstros S.A.

 

Uma coisa com a qual a maioria dos fãs concorda é que Xena: A Princesa Guerreira foi uma produção bem mais próxima dos padrões do cinema que a maioria das séries. Tanto na música como na fotografia e, assim que os produtores tiveram mais recursos, também nos efeitos especiais. Quando vemos algum ser de aparência não muito bonita aparecendo às vezes por poucos segundos num episódio de apenas 44 minutos, nem sempre lembramos que todo aquele trabalho de maquiagem era igual ao feito para o cinema, só que com bem menos tempo e menos dinheiro. E provavelmente havia mais fantasmas esfarrapados no episódio The Hauting of Amphipolis que numa temporada inteira de Arquivo X...

Melanie Tooker, da KNB Effects Group, explica que “todo o processo começa com um molde ‘ao vivo’ da pessoa, tirado do rosto ou qualquer outra parte do corpo que for necessária”. Então é feito um negativo do molde e um outro molde positivo. Chega-se depois a uma escultura de argila. “Com base em um desenho prévio de como deve se parecer a máscara quando terminada”, continua Melanie, “você pega o molde positivo da pessoa, com o molde negativo da maquiagem, e põe para assar com espuma de látex no meio.” Como vemos, é igual às técnicas que vemos nos making of dos filmes.

“Você pode fazer algo mais ligeiro caso precise, mas no total o processo leva cerca de uma semana”, continua Melanie. Para simplificar, algumas vezes a equipe de efeitos usava peças do “estoque de maquiagem de monstro”, já que para alguns desses personagens usava-se peças genéricas. Melanie Tooker: “Deixamos à mão alguns dos conjuntos de lentes de contato. Para este episódio, por exemplo, o diretor (Garth Maxwell) queria cores luminosas como amarelo e laranja, e precisamos ter algumas a mais despachadas de Los Angeles.”

As lentes de contato, aliás, têm tendência a ressecar, sendo preciso aplicar colírio nos olhos dos extras antes de entrarem em cena. E só para aplicar nos atores e extras a “transformação”, com pintura e aplicação das partes moldadas, levava-se 2 horas. E durante um dia de filmagens, alguns dos extras poderiam ficar até 12 horas seguidas dentro da fantasia. Sem falar que depois de 12 horas, a maquiagem aplicada já precisava de ser retrabalhada, ainda mais se o ator transpirasse. E a água também é um problema, como na cena em que as assombrações ficam “pegando no pé” da Gabrielle embaixo d’água.

“Nenhum tipo de maquiagem é a prova d’água, algumas são apenas resistentes a água, mas acabam saindo”, explica Melanie Tooker. E como se sente alguém todo ‘produzido’ daquele jeito? Entrevistado, o extra chamado Lutz disse que se parece com usar uma roupa de mergulho. E se for no inverno, não esquenta tanto assim. Já as lentes de contato deixam a visão um pouco embaçada e fazem ver tudo numa cor só.

A fala é prejudicada pela máscara de fantasma, segundo Lutz, porque os músculos não se mexem do modo como estão acostumados. E também só podiam se alimentar de canudinho... Além de atores e extras, é claro que também os dublês têm que receber o mesmo ‘trato’ de látex e farrapos num episódio como aquele. E atuar debaixo d’água. Por isso é bom lembrar toda essa habilidade e dedicação com nossa amada série, sabendo que depois de nos dar um visual e atuações dignas do cinema, vários desses profissionais saíram dos bastidores de Xena direto para a equipe de “O Senhor Dos Anéis”.

 

 

 

A música de Xena

Xena nas revistas brasileiras

O 100º episódio

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