Joe Lo Duca e a música de XENA, A PRINCESA GUERREIRA

Uma das minhas músicas de Natal favoritas é Solstice Night. Só que não é uma música de Natal e sim parte da maravilhosa trilha sonora de Xena. Que como nenhuma outra série de TV, tem nada menos que 7 CDs com a trilha sonora!

Joe (Joseph) Lo Duca, o talento responsável por tanta emoção e criatividade na música de Xena, era guitarrista de jazz até que em 1980 Sam Raimi e Robert Tapert precisaram de alguém para fazer “música assustadora” para o filme Uma noite alucinante. Daí começou a colaboração que anos mais tarde o levaria às trilhas de Hercules e Xena.

Nas palavras de Lo Duca, Rob Tapert queria uma trilha bem exótica para Hercules, com toques árabes, influenciado pela música “étnica e do Terceiro Mundo”, como Peter Gabriel havia feito para A última tentação de Cristo. Mas com a definição de como seria o Hércules, mudaram de rumo. A trilha sonora de Xena na verdade começou a tomar forma no filme Hércules e as amazonas, quando Lo Duca adaptou estilos da Europa oriental sobre a maneira de se cantar sem letra (“lá-ia-lá”) da música brasileira, da qual disse ser um grande fã.

Então temos essa fantástica mistura de corais femininos, sons de orquestra, sintetizadores e instrumentos exóticos que faz da música uma das coisas de que mais gostamos na série. Premiada, inclusive, com o ASCAP award (1998 e 1999), e um Emmy pela trilha do episódio Fallen Angel.

Um lugar cuja cultura musical influenciou bastante a música de Xena foi a Bulgária, que tem ligações históricas com a Trácia e Anfípolis. Como Rob Tapert queria “um som exótico já bem no começo”, Lo Duca achou uma gaita-de-foles búlgara chamada gaida, aquela da abertura, e uma flauta chamada kaval, para cenas românticas e...para o som do toque paralisante da Xena!. O tema de abertura e outros cânticos mais ligados a Xena (como Glede ma glede) também são interpretados em búlgaro.

-- Ainda que os diálogos sejam contemporâneos e produções de TV precisem de sons sintetizados, diz Lo Duca, o som da voz humana dá ao mundo de Xena uma atmosfera de intriga, mistério e cultura antiga. Lo Duca evitou usar muito instrumentos típicos gregos, como o Bazouki, para que não ficasse parecendo “jantar grego”. Joe Lo Duca teve até mesmo ajuda de Lucy Lawless: foi ela quem criou e interpretou o canto de lamento, que ouvimos pela primeira vez em The Path Not Taken. Lo Duca fez o acompanhamento em cima de uma gravação de Lucy cantando, cuja melhor cópia era uma fita cassete comum que ela tinha dado ao Rob Tapert.

Quanto ao processo de trabalho Lo Duca primeiro lembra que séries como Xena e Hercules requerem muito mais música do que dramas ou comédias, algo como 35 minutos para cada episódio de 44 minutos. De sua casa em Detroit ele via trechos dos episódios e combinava com os produtores a colocação da trilha. – Tive recursos de uma orquestra sinfônica inteira, o que é incomum para um compositor nesse ramo.

Após compor e sincronizar a música com as imagens em seu computador, Lo Duca enviava os arquivos para seus editores e imprimia as partituras com software especial. Também por computador todas as faixas e interpretações eram mandadas para Los Angeles para a montagem dos episódios. – A série pode se passar antes de Cristo, mas a música é feita com recursos do novo milênio, disse Lo Duca.

 

 

 

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