Nosso corpo tem uma Sabedoria Inata que o governa e controla a partir do sistema nervoso simpático e parassimpático, os dois ramos do Sistema Nervoso Central. Eles funcionam em oposição, elevando e baixando, alternadamente, o nível de excitação do corpo.
      O sistema nervoso simpático, ligado ao hemisfério cerebral esquerdo, é responsável pela liberação da adrenalina e do cortisol, hormônios do estresse que provocam o alerta  “lutar ou fugir” e, da  substancia P ( inglês Pain, que significa dor) o neurotransmissor da dor produzido pelas sensações, percepções ou representações dolorosas e angustiantes.
      O Sistema nervoso parassimpático está ligado ao hemisfério direito do cérebro e libera as endorfinas, espécies de calmantes naturais, que ao contrário da substância P, são produzidas, pelas sensações prazerosas, agradáveis, alegres ou serenas. As endorfinas têm o poder de neutralizar os efeitos dos hormônios do estresse.
      A moderna neurologia afirma que a vida emocional e a saúde física de uma pessoa estão relacionadas ao equilíbrio dessas duas substâncias.
Nem sempre a produção de endorfinas é suficiente para lidar com as descargas de adrenalina, e é justamente por cause deste desequilíbrio do sistema nervoso simpático e parassimpático, que nos tornamos cronicamente estressados e adoecemos.
     Em função do ritmo acelerado em que vivemos, do excesso de estimulação que provoca o estresse negativo, do estilo de vida caracterizado por hábitos pouco saudáveis como sono irregular, sedentarismo e alimentação desequilibrada, nosso corpo perdeu a capacidade de se “desarmar”, de se aquietar naturalmente e relaxar. No estado de repouso, a produção de endorfinas neutraliza as descargas de adrenalina, dissolvendo o cansaço, estimulando a renovação celular e equilibrando o metabolismo, eliminando assim o estresse negativo, fonte geradora do câncer e de doenças como o enfarto, a obesidade, a hipertensão arterial, a depressão, a síndrome do pânico, entre outras.
Nós produzimos endorfinas também, todas as vezes que estamos contentes. Brincar, cantar, dançar, rir, trocar carinhos, pintar, fazer amor, praticar esportes e exercícios, são recursos que produzem relaxamento e prazer.
      Com bom senso, podemos mudar e criar novos hábitos, e aprender técnicas de relaxamento ou de meditação, ioga ou tai chi chuan , simples, porém eficazes, para transformar o padrão fisiológico sobrecarregado do estresse negativo e prevenir o  surgimento das doenças.


Humor como Terapia

      O Professor Luís Muñiz, decano da Faculdade de Psicologia da Universidade SEK de Segovia, Espanha, tem dedicado sua vida ao estudo do humor. Ele percorre o mundo difundindo sua importância, e conclui algumas de suas intervenções com o seguinte pensamento: "o mais importante - e o mais difícil- é conseguir que nada nos tire a alegria de viver".
      Partindo dessa premissa é possível visualizar o humor em geral, e o riso em particular, como ferramentas terapêuticas para o tratamento de doenças, assim como sua relação como o bem-estar e a saúde, uma tendência relativamente nova que se apóia em evidências científicas que demonstraram que o riso - como expressão de alegria - afeta os sistemas cardiovascular, respiratório, imunológico, muscular, nervoso central e endócrino, entre outros.
      O riso está sendo utilizado para combater sérias doenças que ocasionam dores crônicas e somatizações, como também em pacientes que sofrem de câncer e Aids; esquadrões de "palhaços" têm se incorporado aos pavilhões de alguns hospitais, e a experiência inclusive foi levada às telas pelo ator Robin Williams no papel do Dr. Hunter Adams ("Patch Adams").
No entanto, a importância de cultivar e estudar o humor e sua incidência em diferentes facetas da vida humana não deve ser limitada a experiências isoladas. A evidência científica é real e mais de quarenta anos de estudos avaliam a criação do Centro Internacional de Estudos do Humor, empreendimento no qual estão empenhados vários especialistas da área.
"O riso tem efeitos positivos sobre a saúde", destaca o professor Muñiz, "rir melhora e protege a saúde. Quando se está com dor, infeliz, preocupado ou angustiado é impossível rir do que é engraçado. Estas circunstâncias requerem a energia para se estar alerta ou para a ação, de modo que não há energia suficiente para reagir ao engraçado nem para o surgimento do riso".
      Assim como já está documentado o efeito do estresse na saúde - em relação à quantidade de energia consumida -uma hora de angústia equivale a cinco horas de trabalho físico- "também se estabeleceu um vínculo entre o riso e o combate do estresse. Rir equivale à prática de exercícios aeróbicos". Cinco minutos de uma boa gargalhada correspondem a 45 minutos de exercícios.
      Quando rimos, explica o Prof. Muñiz, ativamos a circulação de sangue, o ritmo respiratório e, portanto, a oxigenação geral do corpo. "Dentro do sistema fisiológico, o efeito do humor e do riso consiste em dois processos: um estímulo sobre o corpo e um relaxamento posterior que proporciona uma sensação de gozo e de alegria. Definitivamente, o humor é expressão de saúde e de alegria".


O riso como medicamento

      O psiquiatra William Fry, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford e pioneiro no campo do humor como terapia, identificou numerosas funções do humor e do riso nas relações interpessoais assim como nos mecanismos psicológicos internos de cada indivíduo. Tomando como referência o trabalho do psiquiatra George Vaillant, que determinou a presença, no ser humano, de cinco mecanismos de defesa para combater o estresse, entre eles o humor, Fry destaca que este pode atuar como contra frustração, o medo e a raiva, e também atua na prevenção de infartos e acidentes cardiovasculares, à medida que se tem comprovado estatisticamente que um grande número de ataques cardíacos ocorrem em momentos de tensão.
      Sobre a base dos estudos científicos que determinaram a relação que existe entre o humor e a saúde, foram desenvolvidas -e já estão sendo realizadas em várias partes do mundo- as chamadas "terapias do riso", onde, de maneira natural, sem ajuda de medicamentos ou fatores externos, ensina-se as pessoas a rir, a rirem de si mesmas e a recordar situações engraçadas. O que se busca são risadas verdadeiras, explosivas, dessas que movem 400 músculos em todo o corpo, ativam o sistema imunológico e oxigenam os tecidos. "Para sentir-se saudável, deve-se rir pelo menos 30 vezes por dia", diz um antigo provérbio chinês.
      Desde que nascemos, e até os seis anos de idade, rimos umas 300 vezes diariamente. Já adultos, os mais risonhos alcançam, com dificuldade, 100 risadas por dia e os menos alegres chegam a 15.
No tratamento de doenças como o câncer e a Aids, a terapia do riso não só cumpre uma função psicológica e anestésica frente a dor, como, além disso, tem efeito imunológico comprovado. Estudos científicos revelaram que em pacientes com tumores, o riso e o bom estado de ânimo aumentam a contagem de células T, assim como a produção de "células assassinas" naturais que combatem os vírus e os tumores.
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6. O PRAZER E A DOR - Endorfinas na prevenção e cura das doenças
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