Em 1992, o relatório geral da ONU, nomeou o estresse como “O mal do século”. A Organização Mundial da Saúde o classificou como doença e destinou-lhe um código próprio na Classificação Internacional de Doenças (CID).
      Estresse é uma palavra derivada do latin usada desde o século XVII, para representar “adversidade” ou “aflição”. Em fins do século XVIII, a palavra evoluiu para “esforço” e passou a ser um conceito da física que significava “Fio prestes a arrebentar”. Em 1936 o endocrinologista austríaco Hans Salin definiu o estresse com sendo um “conjunto de reações que o organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço para adaptação”, conceito que persiste até hoje. Devido à agitação e as pressões da vida moderna, a palavra entrou para o repertório da maioria das pessoas e passou a fazer parte do nosso dia a dia.
      O estresse é um fato comum da vida e não podemos evitá-lo. Estresse é qualquer mudança à qual você precise se adaptar. Normalmente consideramos os acontecimentos estressantes negativos, como a perda de um ente querido ou do emprego. Mas acontecimentos positivos também geram estresse, como por exemplo a compra de uma casa nova ou uma promoção, que vem acompanhados de  mudança e de novas responsabilidades.O estresse em si não é mau. O modo como reagimos às experiências estressantes é que determinará nossa saúde ou doença.
      Vivenciamos o estresse à partir de três fontes básicas: do meio ambiente, do nosso corpo e dos nossos pensamentos. Nosso meio ambiente exige que nos adaptemos. Precisamos suportar em nosso dia a dia, barulho, engarrafamentos, competição no ambiente de trabalho,  dificuldades de relacionamento,  violência urbana,  poluição do ar,  crise financeira, a instabilidade do emprego.
      A segunda fonte de estresse é fisiológica. O rápido crescimento durante a adolescência, a menopausa para as mulheres, o envelhecimento, acidentes, são, por exemplo, experiências que sobrecarregam o corpo.
      A terceira fonte de estresse provém do nosso próprio mundo interior - nossos pensamentos e sentimentos. Nossa mente cérebro percebe, interpreta e rotula uma situação e, determina quando o botão do pânico deve ser pressionado. Com freqüência, avaliamos e decidimos que um acontecimento é perigoso, difícil e doloroso, e que não temos recursos para lidar com ele.
      A base do moderno significado da palavra estresse como problema psicológico foi estabelecida na virada do século, por Walter B.Cannon, um fisiólogo de Harvard. Ele foi o primeiro a descrever a “resposta lutar ou fugir” como um conjunto de mudanças bioquímicas que nos preparam para lidar com as ameaças.
      Desde a idade da pedra, o homem precisava lutar para sobreviver. Para se adaptar ao meio muitas vezes hostil, a Sabedoria do Corpo nosso organismo desenvolveu um mecanismo de defesa centrado no cérebro, que é disparado toda vez que estamos diante de um perigo ou ameaça. Este mecanismo determina o comportamento de “luta” ou “fuga”, presente em todos nós e que aparece nas varias situações do dia a dia, em que nossa mente nos faz sentir ameaçados.
       A Sabedoria do corpo reage automaticamente diante de estímulos  considerados perigosos, enviando mensagens que estimulam  as supra-renais para produzir hormônios como os corticóides e a adrenalina e, em poucos segundos começa uma revolução interna - a pressão arterial sobe, os batimentos cardíacos aumentam e a respiração se acelera.
      Na época das cavernas, o corpo do homem primitivo tinha necessidade de reagir rapidamente às ameaças e para tanto, precisava dispor da energia adequada para lutar ou fugir dos predadores.
Atualmente os hábitos sociais nos impedem de sair por aí “lutando” com as pessoas ou situações que nos ameaçam e a resposta mobilizadora do estresse, não tem mais nenhuma utilidade. Pelo contrário, é prejudicial. Em nossos organismos sedentários, a reação de estresse nos agride e nos faz adoecer. O mecanismo que salvava a vida de nossos ancestrais, hoje, pode nos matar. O aumento da pressão arterial para enfrentar o perigo pode, se transformar, por exemplo, em hipertensão arterial; a descarga hormonal da adrenalina sobrecarrega o pâncreas, que não consegue mais produzir insulina, podendo acarretar o diabetes.
      Nos submetemos às regras sociais e “engolimos” as raivas, os aborrecimentos, as frustrações, os medos e as inseguranças. E como isso acontece a toda hora, o corpo fica constantemente armado e o estado de estresse negativo torna-se crônico. No dia-a-dia são tantos agentes estressantes, que a Sabedoria do Corpo não tem tempo de enviar mensagens para desarmar o corpo, que acaba entrando em curto circuito. A  Sabedoria do Corpo perde o controle sobre essas reações corporais , ficamos com a fisiologia sobrecarregada desta química nociva ao nosso organismo e, adoecemos, envelhecemos mais rápido ou morremos.
      O estresse pode ser dividido em três fases: A inicial, quando aparecem sintomas como irritação, enxaqueca, insônia e dores musculares. Na segunda fase, que é moderada, o organismo reage aos sintomas mascarando-os. A ultima fase ocorre quando os sintomas do estresse se transformam em doenças que vão desde a obesidade, síndrome do pânico, depressão, hipertensão arterial, úlcera, enfarto e tumores cancerosos.
Nessa fase, a produção de glóbulos brancos decai e, como eles são um dos principais agentes do sistema imunológico, aumenta a incidência de infecções, viroses e doenças degenerativas.
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