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Ele tinha 24 anos, entrou em um dos bairros mais perigosos de Los Angeles, reuniu 80 membros de gangue — homens com inimigos reais, armas reais… e estava gravando um videoclipe.
Ninguém brigou. Ninguém sacou armas. E o resultado mudou a história da música para sempre. Esta é a história de "Beat It" que ninguém conta por completo. Você conhece aquele vídeo. Já o assistiu milhares de vezes. A jaqueta de couro vermelha. A coreografia. O solo de guitarra incendiário de Eddie Van Halen em meio a uma música pop como um raio. Duas gangues se enfrentam, sacam facas e, de alguma forma, começam a dançar. Mas o que a maioria das pessoas não sabe é que as duas gangues naquele vídeo eram gangues REAIS. Do sul e do leste de Los Angeles. Com uma história real. Uma rivalidade real. Violência real entre elas, que causou vítimas reais nas ruas reais antes de Michael Jackson aparecer com as câmeras.
O diretor Bob Giraldi e sua equipe não contrataram atores e os vestiram como membros de gangues. Eles foram aos bairros reais. Contataram membros de gangues de verdade. E cerca de oitenta membros de gangues reais apareceram para gravar um videoclipe para uma estrela pop de 24 anos de Gary, Indiana. O Departamento de Polícia de Los Angeles mobilizou recursos significativos para o local. A presença policial era onipresente. Porque todos os envolvidos entendiam o que poderia acontecer quando se coloca grupos de homens com motivos legítimos para quererem se ferir no mesmo espaço.
E então Michael Jackson apareceu. E algo aconteceu que as autoridades, sociólogos e especialistas em resolução de conflitos ainda não conseguem explicar completamente. Nada. Nenhuma briga. Nenhuma confrontação. Ninguém sacou armas. Ninguém interrompeu as filmagens. Ninguém desafiou ninguém. Oitenta homens que passaram anos em lados opostos de uma guerra, que enterraram amigos mortos por pessoas a apenas seis metros de distância, deixaram tudo de lado e fizeram o que Michael pediu. Dançaram. Como? Essa é a questão. E a resposta honesta é que ninguém sabe exatamente. Mas aqueles que estavam lá descreveram a mesma coisa. A presença de Michael. Não sua fama. Não seu dinheiro. Não a autoridade do diretor, da polícia ou de qualquer outra pessoa no set. MAS ELE MESMO.
Sua qualidade especial. O jeito como ele se movia pelo espaço e o transformava. O jeito como ele falava com as pessoas, não como uma celebridade olhando para os figurantes de cima, não como um artista gerenciando adereços, mas como um ser humano real, observando-as. Curioso sobre elas. Aquele que as fazia sentir, daquele jeito especial que Michael sempre fazia as pessoas sentirem, que elas importavam para ele pessoalmente. Homens que já haviam enfrentado armas em esquinas agora ouviam um jovem de voz suave explicar como ele queria que uma determinada cena fosse sentida. E eles ouviam. E obedeciam. Porque algo em Michael Jackson fazia as pessoas quererem lhe dar o que ele pedia.
Mas vamos falar sobre o que ele realmente queria transmitir. Porque "Beat It" não é apenas uma ótima música. É também uma declaração. Em 1983, a MTV era basicamente uma estação de rádio voltada para o público branco, com ilustrações visuais. Artistas negros eram sistematicamente excluídos. A justificativa da emissora, declarada publicamente por seus executivos, era que eles tocavam rock, e rock era um gênero musical branco, então sua programação simplesmente refletia o mercado. Michael Jackson, através do poder comercial de "Thriller", da ameaça da CBS Records de retirar TODOS os seus artistas da MTV, da inegável qualidade de seus videoclipes, quebrou essa barreira. "Billie Jean" o ajudou a atravessar essa porta. "Beat It" revolucionou tudo.
Porque "Beat It" não era uma música pop fingindo ser rock. ERA rock, com a guitarra de Eddie Van Halen e uma pegada mais pesada do que qualquer outra coisa na carreira de Michael, e também era inegável, inconfundivelmente Michael Jackson. Recusava-se a ser categorizada. Recusava-se a ser aprisionada em qualquer estrutura de gênero que os guardiões da música pudessem usar para excluí-la de sua plataf